terça-feira, 1 de setembro de 2020

A Terra é plana

Ensaio
Por Flávio Barbosa, psicanalista e cronista gravitacional.

Imagem para terraplanismo

No dia 25 de agosto de 2020 ocorreu mais uma dessas coisas previsíveis no Brasil: a queixa do ex-presidente Lula no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) contra o procurador do Ministério Público Federal/Operação Lava Jato Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa da citada operação, foi arquivada.
Essa queixa foi relativa à farsa mais que sabida deste procurador Dallagnol junto à sua equipe: foi apresentado um Power Point em uma coletiva de imprensa em caríssimo hotel de Curitiba, às expensas do Estado, citando o ex-presidente Lula como chefe supremo de uma organização criminosa que agia para assaltar a Petrobras, enriquecer seus membros e desgraçar o Brasil. Como se tratava de uma farsa desde sempre, o STF reconheceu que sim, ou seja, que era uma farsa, mas, e daí?
E daí que após decisão do STF o senhor Lula da Silva através de seus advogados ratificou sua decisão de fazer uma representação junto ao órgão de controle dos procuradores a fim de que houvesse as devidas apurações e punições disciplinares aquilo que foi tão grosseiramente apresentado por um de seus membros, que deveria ser cuidadoso em relação aos processos que acompanhava e zelar pela lei, como sói a um operador dela?
Qual o quê? Essa demanda entrou 42 vezes em pauta para ser analisada no CNMP e em 42 vezes foi adiada em clara manobra da defesa do procurador e autodefesa da corporação com vistas à prescrição de prazo desse processo. Dito e feito!
No 25 de agosto de 2020, o que se previa ocorreu de fato e o processo foi novamente adiado. Não! Ele foi arquivado (encerrado), sem a devida apreciação do delito do procurador e sua equipe, sem as punições devidas em caso, cuja sabotagem aos fatos e à verdade foi reconhecida até pelo Supremo, que também, convenhamos, não dedicou a devida atenção a esse e a outros inúmeros abusos e delitos dos procuradores, delegados e juízes da Operação Lava Jato.
A Justiça brasileira é reta na condição gravitacional de um planeta sui generis na galáxia, e digo isso visualizando o planeta através de nossos observatórios espaciais nacionais, que por deformação das lentes de seus telescópios, não sei, ou por deformação nossa de observador estrelar, não decidimos direito o formato da Terra. Insisto: da Terra vista por nós brasileiros, nesse nosso cosmo. Ela é reta, plana, levemente circular ou redonda? Essas as nossas dúvidas. Mas parece que logo chegaremos a um consenso, e esse não nos parece que será esférico.
A considerar a quantas anda a Justiça brasileira, cujas lentes foram ajustadas assim como certos telescópios ou certos observadores espaciais, penso que só poderemos afirmar a tese de que a Terra é plana! Ponto final.
Mas em tempo: vocês sabem, leitoras e leitores, que o terraplanismo é uma espécie de vale tudo, um chiste, ou se preferirem, uma pegadinha astrofísica. Claro, se vocês estão em dia com os sentidos, logo não tardarão a tais discernimentos. O problema, no entanto, é que assim como hoje sabemos um pouco mais sobre a covid-19, sabemos também um pouco mais que o terraplanismo extrapolou as esferas espaciais e adentrou em novas cosmogonias. A obviedade ululante da Justiça brasileira é uma delas.

O midiático e parcial Power Point de Dallagnol

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