domingo, 2 de agosto de 2020

Por que militantes do PSOL questionam decisão do partido em Recife?

Nota
Por Militantes e independentes do PSOL Recife/PE.



Reproduzimos carta de militantes do PSOL de Recife destinada ao Diretório Nacional do PSOL questionando a maneira como a decisão do partido em Recife acerca da tática eleitoral foi tomada – de abrir mão de lançar candidatura própria nas eleições municipais em novembro de 2020.

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Carta ao Diretório Nacional do PSOL

Para que prevaleça a democracia interna, defendemos a pré-candidatura de Paulo Rubem Santiago em Recife/PE. Rumo a uma frente de esquerda e pelo direito dos filiados decidirem os rumos do PSOL nas eleições 2020 da capital pernambucana.

Dirigimos ao Diretório Nacional do PSOL uma mensagem de apoio à pré-candidatura de Paulo Rubem Santiago, pré-candidato inscrito em Recife, no momento em que esta direção se prepara para votar um recurso apresentado por ele e diversos dirigentes partidários visando a se reestabelecerem as condições para que a militância do PSOL na cidade possa participar efetivamente da decisão sobre os rumos que o partido tomará em 2020.
O recurso apresentado pede que seja revista a decisão tomada por maioria de um voto (quatro votos em sete membros, tendo os demais três membros se negado a votar por divergência com a mudança das regras do jogo no meio do jogo) pelo Diretório de Recife, sem que tivesse havido qualquer debate antes do dia 07/07 no sentido desse Diretório Municipal decidir e ter a palavra final acerca da tática eleitoral.
A reunião do dia 07/07 foi convocada para preparar as prévias, posto que até então havia duas pré-candidaturas inscritas no partido. Surpreendentemente, contrariando as regras previstas, as mesmas foram mudadas com o processo já em andamento. Havia regras definidas anteriormente e pela Direção Nacional para o caso de serem necessárias as prévias: o processo estava em curso com duas pré-candidaturas em disputa, seguindo-se as regras já definidas. Por isso nossa divergência com a mudança de regras por quatro dos sete membros do DM.
Não foi seguido o caminho de Diretórios como o de São Paulo, que realizou as prévias, ou mesmo do Rio de Janeiro e Fortaleza, que reuniram a militância em plenárias sete dias antes para averiguar as condições sanitárias, e admitiram que os Diretórios Municipais pudessem decidir substituindo prévias ou outra consulta aos filiados.
Diferentemente disso, no dia 07/07, quando deveria preparar as prévias, o Diretório Municipal de Recife recebeu a renúncia de uma das pré-candidaturas inscritas e sua proposta de apoio a uma pré-candidatura de outra legenda, contrariando a tese da candidatura própria definida desde outubro de 2019 pelo Diretório Estadual e em função da qual as pré-candidaturas haviam sido inscritas.
Feito isso – por apenas um voto, quatro votantes em sete membros –, apressaram-se os votantes em deliberar pelo apoio a nome externo ao PSOL, e dessa forma em cassar no mesmo dia 07/07 a pré-candidatura que permaneceu inscrita, extinguindo por consequência qualquer possibilidade de prévias ou consulta aos seus filiados(as) acerca da tática eleitoral a seguir.
Na decisão, não alegaram a impossibilidade sanitária para fazer as prévias, seguindo a predileção por uma candidatura externa ao PSOL, tese que era explicitamente defendida por uma das pré-candidaturas inscrita no partido, exatamente a que se retirou da disputa.
Em vez de defender a tese da candidatura própria no debate entre os pré-candidatos, a opção “votada” mudou as regras quanto ao método de decidir e, na mesma ação, mudou de posição quanto ao mérito, alterando-se a tática eleitoral do partido sem submetê-la ao debate nos marcos que a resolução nacional determinava. Nesse sentido, estendemos nossa solidariedade à militância do partido na cidade e defendemos os mesmos procedimentos adotados em SP e demais estados.
As pré-candidaturas foram inscritas em 2019 e amparadas num conjunto de regras. Não se podem mudar as regras do jogo no meio do jogo, sobretudo para beneficiar um dos lados da disputa. Ainda mais negando ao PSOL em Recife o protagonismo que o partido está estabelecendo na maioria das capitais no primeiro turno.
Pelo fortalecimento da democracia interna e a valorização da participação dos filiados nesse debate, desejamos que esse recurso reestabeleça o direito de manter a pré-candidatura que não se retirou do debate, e de submetê-la a processo democrático interno com a mais ampla participação dos filiados, decidindo-se assim a representação do PSOL nas eleições municipais de 2020.
Nesse processo, caso surjam outros nomes, que se realizem prévias. Do contrário, que a Convenção Municipal decida se apóia a tese da candidatura própria, se apoia um dos nomes inscritos ou se sugere outro nome.

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