sexta-feira, 3 de julho de 2020

Por uma frente de esquerda insubmissa ao PSB em Recife!

Nota
Por Paulo Rubem Santiago, professor da UFPE e pré-candidato a prefeito em Recife em 2020.

Paulo Rubem Santigo, pré-candidato à Prefeitura de Recife/PE

No momento em que nos aproximamos das definições partidárias sobre a tática para a disputa eleitoral em 2020, o PSOL retomou [o debate] sobre que caminho seguir na disputa pelos rumos da cidade do Recife. Apresentamos a pré-candidatura de Paulo Rubem pelo PSOL entendendo que essa discussão parte de um balanço necessário sobre os últimos 20 anos em que o Recife foi administrado por gestões em aliança [entre] os partidos progressistas.
Ao contrário do que diz a propaganda de Geraldo Júlio, somos após essas duas décadas a capital da desigualdade. Fomos a capital da zika e da chikungunya. Como demonstraram estudos recentes de pesquisadores da UFPE e as notas técnicas do mandato de nosso vereador Ivan Moraes, somos também o Recife em que a covid-19 atinge com mais severidade a população negra e nossos bairros periféricos. Somos um Recife cujos governos assistiram passivos ao processo de privatização do acesso às creches e à pré-escola, hoje dominante em nossa cidade, penalizando crianças de famílias abaixo da linha de pobreza, negros, negras e as mulheres pobres da periferia.
O ciclo de governos progressistas não resultou em um enfrentamento das estruturas econômicas desiguais da cidade. Pelo contrário. Aprofundou as injustiças em ações como a venda do Cais José Estelita, a remoção de ocupações urbanas pelo direito à moradia, o aumento sistemático das passagens de ônibus. Tornamo-nos a capital do desprestígio da cultura popular, de seus mestres, e estamos completando este ano uma década do fechamento do Teatro do Parque.
Nada disso aconteceu sem luta. Essa é a boa notícia. Existiu e resistiu no Recife uma esquerda social que soube fazer a crítica a tal modelo excludente de cidade. Essa esquerda não só denunciou os interesses empresariais que comandavam o Recife, mas lançou sementes da construção de um projeto de cidade onde a vida esteja acima do lucro. O PSOL se reconhece nessa esquerda, e não por acaso somos a única voz crítica da esquerda em relação ao governo Geraldo Júlio na Câmara do Recife.
Mas sabemos que essa esquerda é mais ampla que nosso partido, que foi nas ruas do Recife que essas vozes se multiplicaram para fazer a diferença.
Entendemos que por esta trajetória de lutas o PSOL tem legitimidade para liderar uma frente da esquerda que não se rendeu ao PSB. No momento em que diversas forças políticas do campo da esquerda parecem ceder às pressões que vem do Palácio do Campo das Princesas, queremos consolidar a aliança com os companheiros e companheiras que protagonizaram as mais variadas lutas em nossa cidade. Isso é ainda mais necessário no momento em que setores mais reacionários da direita, aproveitando-se da crescente insatisfação popular, tentam se apresentar como mudança, quando compuseram sempre a base que dá sustentação a Geraldo Júlio.
Por isso, nós apresentamos ao PSOL, mas para dialogar com toda a esquerda recifense, o nome de Paulo Rubem para liderar uma frente da esquerda insubmissa como candidato a Prefeito do Recife. Um nome credenciado por uma trajetória de lutas e de comprometimento com as causas populares.
Em outubro do ano passado (2019), o PSOL-PE já havia se definido por candidatura própria na capital. Existem desde então duas pré-candidaturas colocadas em nosso partido. Acreditamos que Paulo Rubem é o melhor quadro que o PSOL pode oferecer ao Recife, qualificando o debate sobre a cidade e se colocando ao mesmo tempo como alternativa ao PSB e ao bolsonarismo. Mas defendemos no PSOL a mesma democracia que defendemos fora dele. Queremos que a militância do PSOL seja convocada a decidir em prévias quem será seu candidato. Se a cidade que queremos é de radical participação popular nas decisões, pretendemos fazer do debate eleitoral do PSOL-Recife um exemplo para o que desejamos construir no Recife.

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