sábado, 20 de junho de 2020

O caminho foi apontado: avançar é preciso!

Ensaio
Por Ivanildo José, que é militante social há décadas e mora em Recife/PE.

Ato pela democracia, contra o racismo e pelo "Fora, Bolsonaro!"

Parte do Brasil antirracista, antifascista, democrático e dos 70 por cento antibolsonaro, esteve nas ruas em 07 de junho com suas máscaras antivírus, com seu álcool e o mais importante, com suas bandeiras de lutasOutra parte dos lutadores e das lutadoras, que empunham as mesmas bandeiras e defendem as mesmas causas, compreensivelmente, ficaram em casa. Estavam em casa em comunhão, em ligação direta e em solidariedade com os que estavam nas ruas. Muitas panelas foram batidas nas janelas pelo “fora, Bolsonaro!”. Portanto, o povo expressou, nas ruas, nas janelas e na solidariedade, seu desejo por democracia, por igualdade racial, social e de gênero, pelo “fora, Bolsonaro!” e pela vida.
Vimos que a revolta foi maior que o medo da covid-19 e da repressão do Estado burguês comandado por um governo fascista. Jovens, especialmente negros e negras, mostraram o caminho que todos os lutadores e lutadoras precisam percorrer para impedir uma ditadura militar, para combater toda violência contra a classe trabalhadora e para derrubar [o atual] governo genocida.
Militantes de partidos de esquerda, o Movimento de Trabalhadores Sem Teto (MTST), a [Frente] Povo Sem Medo, jovens do Fórum de Mulheres de Pernambuco, as torcidas antifascistas e pela democracia abriram a porteira para que todo o movimento popular/sindical e os partidos que estejam contra a situação atual do Brasil avancem sobre o terreno que foi sempre nosso: as ruas e as praças. Para podermos ganhar mentes e corações do povo oprimido e explorado.
Nosso retorno às ruas será de forma cautelosa e responsável, por existir um inimigo virótico invisível e [por] nossas vidas precisarem ser preservadas para as grandes lutas contra o verme palaciano. Não tivemos grandes massas nas ruas, mas [elas] [representaram], por um lado, um aviso [de] que o protagonismo das ruas não é mais do gado fascista e, por outro, que não se pode esperar o fim da pandemia para iniciar nas ruas o combate ao governo Bolsonaro/Guedes.
A semana anterior ao dia 07 de junho [veio] cheia de vozes da caserna instalada no governo Bolsonaro/Mourão para amedrontar as organizações e as pessoas que planejavam contestar o governo, denunciar o fascismo latente [nele] e em parte da sociedade, como também combater todo tipo de discriminação social, racial e sexual. Lamentavelmente, veio de alguns governos estaduais a repressão policial contra manifestantes.
A polícia do governador João Dória (PSDB), de São Paulo, foi violenta contra os manifestantes no mesmo momento que estava sendo negociada a dispersão. A polícia do governador Hélder Barbalho (MDB), do Pará, prendeu mais de cem manifestantes e impediu com violência que acontecesse o ato pela democracia. A polícia do governador Camilo Santana (PT), do Ceará, também foi violenta e tentou impedir a passeata. Foram presos 10 manifestantes.
Em Pernambuco, o governador Paulo Câmara (PSB), seguindo o caminho de muitos governos estaduais, enviou grande quantidade de policiais. Força desnecessária para a quantidade de manifestantes e pela finalidade do ato que era por democracia e contra o governo federal que tanto prejudica os governos estaduais. A intenção desses governadores é mostrar serviços aos seus senhores, os grandes proprietários capitalistas. Sinaliza que suas propriedades serão bem protegidas. Nem que para isso tenha que usar o cassetete, o gás lacrimogêneo e a detenção contra os manifestantes.
Cabe perguntar: foi assim, com essa violência, que a polícia desses governadores agiram nos atos dos bolsonaristas fascistas que gritavam contra a democracia, contra as instituições e até contra esses próprios governadores? Claro que não. Pois quem fazia parte e organizava esses atos de rua era a elite econômica e o gado da classe média branca.
A violência da polícia de alguns governadores, as ameaças do governo Bolsonaro e dos seus seguidores não tiraram o brilho e a importância desses atos democráticos, contra o fascismo, contra o racismo e pelo “fora, Bolsonaro!”. Na verdade, foi um sinal de esperança para todos e todas que não querem [o atual] governo genocida. Governo que só infelicita nossa população e enche os bolsos dos banqueiros e empresários. Governo que despreza a população negra, os indígenas, as mulheres, a comunidade LGBT+ e a classe trabalhadora. Governo de destruição da nossa natureza e dos direitos da classe trabalhadora. No dia 07 de junho uma luz foi acesa nestes tempos de escuridão. Cabe-nos mantê-la acesa, e aumentar sua chama nas ruas, nas janelas, nas mídias, etc.

Ato pela democracia, contra o racismo e pelo "Fora, Bolsonaro!"

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