domingo, 12 de abril de 2020

Mais um crime político no RN: Netinho, presente!

Nota
Por Nova Práxis, coletivo de ativistas e corrente interna do PSOL.

Netinho era pré-candidato a prefeito de Janduís/RN

Netinho, Raimundo Gonçalves de Lima Neto ou netinho de Nilton tinha 35 anos e era um cidadão como qualquer um de nós. Microempresário que entrou no PSOL no ano passado com o objetivo de mudar as condições de vida de várias pessoas do pequeno município de Janduís, com cerca de 6 mil habitantes, no meio-oeste [sertão] do Rio Grande do Norte, distante 286 km da capital Natal, Netinho era um sujeito sem histórico de conflitos na cidade ou região, mas com sonhos de mudança social para os seus conterrâneos. Era pré-candidato a prefeito de Janduís, e pesquisas de opinião davam-no como o preferido da população, com 48% das intenções de voto. O segundo colocado tinha 12% das intenções de voto e, portanto, a vitória de Netinho era muito provável. Netinho tinha o apoio do ex-prefeito e atual militante do PSOL Salomão Gurgel, um ativista histórico das causas populares.
Netinho foi emboscado e assassinado ontem, 11 de abril de 2020, entre 9h e 9h30 quando se aproximava de moto de uma propriedade rural recém-adquirida, entre Janduís e Campo Grande. Tudo aponta para um crime com motivações políticas. Alguns latifundiários, políticos e oligarcas do RN devem ter interesses na morte de uma pessoa como Netinho. Ainda não foram divulgadas as informações da quantidade de tiros [pelo menos um na nuca foi confirmado], da quantidade de pessoas que realizaram o crime nem o calibre das balas que assassinaram Netinho. A governadora Fátima Bezerra (PT) se comprometeu a esforçar-se pela elucidação do caso. Faremos o que estiver ao nosso alcance para que este crime não fique impune. Segundo pessoas próximas a ele, Netinho estava empolgado com a pré-candidatura à prefeitura de Janduís, mas receoso com o histórico de crimes políticos na região.
A execução de Netinho é mais uma nas centenas e milhares de mortes de lutadores ou de pessoas que se atrevem a combater as desigualdades no Brasil. Chico Mendes, Dorothy Stang, milhares de indígenas, trabalhadores sem-terra e sindicalistas, a lista acumula-se indefinidamente. Isso também é verdade para o PSOL em particular, que dentre outros casos, pelo menos, teve as execuções de Marielle Franco no Rio de Janeiro/RJ em 2018, Josemar da Silva Conde em 2019 em Xapuri/AC e Netinho em Janduís/RN em 2020.
Isso indica que as forças populares devem intensificar seriamente as medidas de autodefesa e autoproteção, especialmente em tempos de relações cada vez mais pornográficas entre milícias, crime organizado, neocoronelismo e política institucional. O assassinato de Netinho é mais um triste capítulo da ditadura para as classes populares no interior da democracia liberal no Brasil. Somente punindo e mostrando a intolerância completa com crimes como este é que as autoridades do governo do estado podem ajudar efetivamente no aprofundamento de uma democracia real no Brasil.

Solidarizamo-nos com os familiares de Netinho, neste momento de tristeza e dor intensas. Exigimos justiça! Netinho, presente!

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