terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Notas sobre Domenico Losurdo [3] – Stalin: as fontes de Losurdo

Nota
Por Mário Maestri, historiador e ex-professor do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Passo Fundo (RS).

Edição em espanhol da biografia de Losurdo

Dê-se ao trabalho de abrir a parte das referências desta obra de Losurdo. São mais de 30 páginas [sic] de referências. Grande parte dos autores e autoras trabalhados por Losurdo são respeitáveis trotskistas incluindo o principal biógrafo de Trotsky”. Crítica à nota [2] anteriormente publicada.
Conheci acadêmico inglês que escrevia sobre Gramsci e não lia em italiano. Para ele, estava tudo em inglês. Por educação, não retruquei. Losurdo deve ser primo do exótico gramscista. Não há nada na biografia de “Stalin” em russo!
É ainda mais gritante a ausência de referências a arquivos. A abertura dos centros de documentação da antiga URSS e novas pesquisas arquivais têm revelado muito. Contamos também com documentação primária on-line e edições confiáveis de documentos.
Losurdo não gosta de arquivos e quase não usa documentação primária editada. Ignora depoimentos incontornáveis de raros trotskistas que escaparam ao massacre estalinista – Victor Serge, Ante Ciliga, etc. Não cita “trotskistas” referenciais – Jean-Jacques Marie, Pierre Frank, Ernest Mandel, Pierre Naville, James Cannon, etc. Da obra monumental de Pierre Broué, usa apenas a biografia de Trotsky. E, acredite quem quiser: não utiliza a trilogia canônica de Isaac Deutscher! Nada de Kamenev, nada de Zinoviev e… muito, mesmo, de Bukharin, o amigo do capitalista e do camponês gordo da NEP! Nada da tese icônica de Preobrajesnki, o economista da Oposição de Esquerda.
Losurdo usa farta e positivamente autores anticomunistas. Citamos Curzio Malaparte (“Notas sobre Domenico Losurdo [1]”). Mais significativo é o uso amplo de Nicolas Werth, um dos autores do “Livro negro do comunismo”, com três trabalhos na bibliografia – Rosa e Marx só têm um! François Furet, energúmeno da tribo de Werth, também diz: “Presente”. Robert Conquest, seis obras – o homem trabalhou em serviço inglês anticomunista e era amiguinho da Thatcher e de Bush II. Para não falar de Hannah Arendt – oito trabalhos!
A bibliografia é limitada quantitativamente e desqualificada qualitativamente. As citações dos livros apenas na bibliografia – e não no pé de página – ajudam a esconder a enorme pobreza bibliográfica.
O esforço de reabilitação do stalinismo não ultrapassa o nível de revisão bibliográfica superficial e acrítica, com conclusões arbitrárias. Um ensaio ideológico, jamais uma obra científica. Essas fontes capengas e envenenadas apoiam reinvenção da história para ataque ao marxismo revolucionário e em defesa do Estado burguês [“libertação nacional”]. Questões para os próximos capítulos.

P.S.: O título atribuído pelo autor para as linhas acima foi: Stalin – as fontes de Losurdo: limitadas e desqualificadas [3]”.

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