domingo, 29 de dezembro de 2019

Notas sobre Domenico Losurdo [1] – Domenico Losurdo, um farsante de sucesso na terra dos papagaios

Nota
Por Mário Maestri, historiador e ex-professor do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Passo Fundo (RS).

Edição brasileira da biografia de Losurdo

Domenico Losurdo e sua biografia Stalin – história crítica de uma lenda negra (2ª edição, Revan, 2011) foram consagrados no Brasil: o primeiro como intelectual marxista iconoclasta, e a segunda como sua brilhante obra revisionista de mitos históricos consolidados. Não era para menos. O homem propôs fatos totalmente desconhecidos, todos contribuindo para resgatar o papel gentil e progressista do “Pai dos Povos”.
Propõe ou sugere, por exemplo, uma campanha terrorista contra a URSS – assassinatos, sabotagens de trens, etc. – organizada por Trotsky desde o exterior. Nada, portanto, mais justo do que o massacre de algumas dezenas de milhares de comunistas internacionalistas na ex-URSS pelo stalinismo! Em quem Losurdo se apoia para demonstrar essa revelação capaz de lançar por terra tudo o que já foi até hoje dito e escrito? Nos arquivos do PCUS, agora à disposição dos historiadores? Nos papéis de Trotsky, depositados na Universidade de Harvard? Em algum fundo documental apenas agora descoberto? Nas memórias de algum terrorista trotskista? Não. Nesse caso, Domenico Losurdo apoia-se essencialmente em um livro do jornalista italiano Curzio Malaparte: “Tecnica del colpo di Stato”, publicado em 1931, em Florença, na Itália fascista! E, sobretudo, se esquece de dizer que o autor, um oportunista e farsante de sucesso, como “fascista della prima ora”, participara da Marcha sobre Roma e prestara em seguida importantes serviços aos “Camisas Negras” italianos. E o uso oportunista de fontes tão confiáveis como bilhete premiado vendido na porta do banco para senhora idosa, não é um deslize [nesse caso, gravíssimo] na biografia escrita por Losurdo, espécie de lixeira historiográfica. É a norma. Se a moda pegar, mui logo teremos trabalhos, citando o Olavinho [Olavo de Carvalho], reconhecidos como obras historiográficas em nosso cada vez mais triste país!

P.S.: O título atribuído pelo autor para as linhas acima foi: “Domenico Losurdo, um farsante de sucesso na terra dos papagaios [1]”.

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