segunda-feira, 22 de julho de 2019

Sabe aquela autocrítica?

Ensaio
Por Gleydson Goes, militante do PSOL do Cabo de Santo Agostinho/PE e ex-candidato a prefeito da mesma cidade em 2016.



A esquerda no Brasil virou repórter de más notícias. Utiliza suas redes sociais para denunciar, acertadamente, as maldades do Governo Bolsonaro, mas não consegue forjar um bloco de unidade em torno de um projeto para o país, nem sequer consegue força popular para barrar projetos desastrosos como foi a “deforma” da previdência!
Os banqueiros, os sonegadores de impostos, os especuladores da dívida pública e o capital transnacional agradecem! Enquanto isso, nos entretemos nas redes sociais lutando contra os denominados “bolsominions”, nossos inimigos imaginários, ou contra nós mesmos, dentro de nossos microprojetos de poder inerentes a cada corrente/tendência.
O “caciquismo” imperante na cultura político-partidária de nossa ainda jovem democracia de baixíssima intensidade – que deu anistia aos torturadores do regime militar, em vez de punição! –, segue arramando até os partidos de esquerda em torno de uma cultura de cúpula, esdrúxula, hipócrita, altamente danosa e que tem que ser combatida, pois utiliza o “identitarismo” que nos fragmenta dentro do campo progressista, bem como fanatismos e sectarismos para encobrir o real problema: as manobras e piruetas que são feitas, através de expedientes nada republicanos, como o fomento de cizânias, a filiação em massa sem o devido estudo e reflexão junto aos novos filiados acerca das teses pertencentes a cada tendência/corrente, e o travamento proposital das instâncias partidárias com o objetivo de inviabilizar esse ou aquele desafeto da vez, numa demonstração baixa de completo desdém ao funcionamento harmônico e republicano de nossas instituições partidárias, que deveriam agir com profunda lisura e democracia, dentro do básico e fundamental princípio do contraditório.
Foi com grande pesar que identificamos esses mecanismos dentro de um partido que é instrumento imprescindível para a saúde de nossa jovem democracia. E foi com grande felicidade e esperança que também identificamos, dentro deste mesmo partido, inúmeras pessoas e lideranças dispostas a combater essas más práticas.
É com esse sentimento que desejamos que o campo progressista de nossa cidade não se permita fisgar pelo anzol da vaidade, da egolatria e do corporativismo pelo corporativismo, nem aceite migalhas em detrimento de algo muito maior: a soberania de nosso povo, a necessidade de escrevermos páginas com histórias mais felizes de oportunidades para que a sociedade cabense se livre das amarras do assistencialismo, do fisiologismo e dessa política velha e mofada coronelista. Nós temos que dar exemplo! Não apenas em nossos lindos e comoventes discursos, mas no trato uns para com os outros, tanto dentro de nossos partidos, como entre os partidos e demais instituições que precisam compor essa frente ampla pela cidade. O contrário disso é continuar com mais do mesmo, e mais do mesmo a gente já sabe muito bem aonde vai descambar!

Gleydson Goes

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