segunda-feira, 29 de outubro de 2018

O empresário desalmado, o policial violento e o pastor do ódio

Ensaio
Por Mauricio Gonçalves, professor de Sociologia do IFRN.

Dono da Havan foi processado por coagir politicamente funcionários

Fomos derrotados eleitoralmente porque de certa forma já tínhamos sido derrotados politicamente. A extrema-direita venceu. Temos responsabilidade nessa derrota. Alguns mais do que outros. Temos que refletir sobre como pudemos chegar até aqui. Teremos que abandonar certas práticas, certas ideias, certas pessoas. Grande parte do povo teve sua decisão influenciada por manipulações e notícias falsas. Mas um dado sentimento popular ou um continente subterrâneo estava fértil para essa solução.
A vida vai ficar mais difícil agora. Mais repressão, mais provocações, mais intolerância, mais vigilância sobre nossas vidas. Não podemos desesperar. A maioria do povo brasileiro não é fascista, como o vencedor das eleições de ontem e grande parte de seus assessores e aliados.
Precisamos nos manter unidos. E solidários com todos os que serão ainda mais atacados. Pois irão ser, podem ter certeza. E de várias maneiras: física, moral, política e socialmente. Entraremos numa fase de ultraliberalismo sem direitos, entrega do patrimônio nacional e do fascínio das armas e da apologia da violência temperada por uma fé intolerante e punitiva. Uma espécie de aliança entre o empresário desalmado, o policial violento e o pastor do ódio.
Voltemos a nos enraizar entre as classes populares, a (re)estabelecer os vínculos orgânicos que foram rompidos, e que lamentavelmente também ajudamos a romper. Trabalho de base e organização popular. Superação dos limites dos calendários eleitorais. Mano Brown talvez tenha nos revelado nosso maior pecado. Em papo reto.
Depois do golpe de 2016 contra Dilma Rousseff, da prisão sem provas de Lula e das contrarreformas de Temer, a marcha triunfal do capital segue seu caminho. Paciência histórica, humildade militante, generosidade social e unidade política. O fascismo ultraliberal tem contradições e elas aparecerão. Podemos ajudar o povo a refletir sobre sua própria experiência. Coragem e resistência!

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