terça-feira, 28 de agosto de 2018

Considerações sobre a crise recente e o machismo sobre Dilma

Ensaio
Por Leandro Barbosa, mestre e doutorando em Educação pela UFPE.

A ex-presidente Dilma Rousseff

É muito comum observar associações da crise por que passa o país nos últimos anos à incapacidade (individual) de governar de Dilma Rousseff. E essa associação existe de Ciro a Meirelles. É errônea.
Vários são os fatores para essa crise, boa parte dos quais de caracteres objetivos. Em sua maior parte respondem pela estratégia petista que existe desde Lula, e pela própria forma cíclica que o capitalismo se desenvolve (e isso está lá n'O capital).
Depois de um certo crescimento, quando se desenvolve uma economia capitalista nacional sem cortar privilégios e dar poder político real à classe trabalhadora, a tendência são as taxas de lucro estacionarem e declinarem e, com isso, a burguesia passar a atacar com mais força os direitos de trabalhadores e trabalhadoras.
Junto a isso, temos a política petista de alianças estritamente pragmática, por cargos e coalizões com os setores mais escrotos da direita. Em momento de freio do crescimento do capital, as frações da burguesia outrora aliadas do PT – por conta do próprio crescimento – nos últimos anos, voltaram-se contra seus ex-aliados e os golpearam para colocar um governo sangue puro, mais ácido, espoliador e violento contra nós. Lembremos: algo fruto da política de alianças do PT, pois Michel Temer já era um gangster quando foi escolhido vice.
E essa política ocorre desde Lula. A diferença é que com este houve um ciclo de crescimento, que não cortou privilégios. Em 2008 iniciou-se uma crise internacional do capital que começou a repercutir aqui uns cinco anos depois. Junto a isso, os importantes levantes de junho de 2013 colocaram em xeque o sistema político, e o vácuo herdado da conjuntura de conciliação petista provocou também o crescimento da direita nas ruas (junto com a esquerda – mas eles têm os meios de comunicação e o senso comum gritantemente a seu favor) e a polarização desde as eleições de 2014.
Logo, não passa de machismo associar à incapacidade individual de uma mulher presidente os motivos para a crise no país. O problema tem sido desde o início a estratégia petista, que vem desde Lula, e parece continuar.
Está na hora da (centro)"esquerda" matar o pai, no sentido freudiano da coisa. E parar de associar o problema à mulher, quando o problema é a linha até hoje estabelecida pelo patriarca (rifou uma candidata ao governo em Pernambuco para apoiar um golpista, por exemplo). É preciso que haja novos ciclos.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Adicione seu comentário.