sábado, 6 de janeiro de 2018

O pobre de direita é um figurante de burguês

Ensaio
Por José Menezes Gomes, Doutor pela USP e professor do curso de Economia de Santana/AL e do Mestrado em Serviço Social da UFAL.

O professor José Menezes Gomes

O pobre de direita se acha liberal mesmo não tendo capital e propriedade. Ele é contra os direitos trabalhistas pois espera um dia ter capital e propriedade para ser um explorador da força de trabalho dos outros. Ele é contra os direitos sociais pois acha que isto reduzirá os seus lucros futuros quando ele for capitalista e puder explorar os trabalhadores, sendo que ele é trabalhador, mas não se reconhece como tal. Ele é contra o Estado, pois acha que quando ele tiver capital e propriedades não vai querer que o Estado estabeleça limites ao seu desejo de ficar rico explorando os trabalhadores.
O pobre de direita é o produto melhor elaborado pelos mecanismos de produção de ideologia burguesa para a defesa dos burgueses que tem capital, que tem propriedade e que estão na gestão do Estado para não pagar impostos, para receber subsídios e incentivos fiscais, para ganhar dinheiro comprando títulos da dívida pública e terem o controle dos meios de comunicação de forma a propor o mundo dos ricos como o objeto a ser defendido, mesmo que a riqueza da burguesia seja fruto da exploração, também dos pobres de direita. Ele passa a vida toda sonhando em ser burguês, mas sem capital e propriedade e sendo explorado.
Entretanto, ele é muito útil para a burguesia, pois já que não tem nem capital, nem propriedade, ele se torna o cão de guarda da classe em que um dia sonha adentrar. Sendo assim, ele vai para as ruas defender o capitalismo e vê nos trabalhadores esclarecidos e organizados os seus inimigos de classe. O pobre de direita além de ser um figurante de burguês, é terreno fértil para o fascismo. Portanto, o pobre de direita é um figurante de burguês que no momento de crise do capitalismo se comporta como um pitbull da burguesia na defesa de um governo de conteúdo fascista.
Como o pobre de direita tenta ser o espelho dos valores que ele acha que a burguesia tem, passa a ser machista, racista, homofóbico, etc. Ele acaba sendo o portador dos principais preconceitos que a burguesia gerou e perpetuou como parte do seu sistema de dominação, porque precisa do racismo para pagar bem menos aos trabalhadores afrodescendentes. É machista porque os salários das mulheres é bem menor que os salários dos homens. Enfim, ele nega sua origem social e tenta ser o que não tem, pois se trata de um trabalhador sem consciência de classe. Por isso se endivida para ter uma imagem diferente daquela que o seu real poder de compra permite. São chamados de emergentes porque querem negar sua classe assumindo a aparência de burguês.
Ele come sardinha e arrota caviar, enquanto late sempre mais alto para mostrar à burguesia que está protegendo a propriedade do burguês, enquanto dorme fora da mansão que sonha um dia ser sua. Ao envelhecer, não vai ter emprego e muito menos vai poder pagar um plano de saúde. Dessa forma, vai precisar de proteção social, porém passou a vida toda defendendo que bastava deixar a mão invisível agir, que o egoísmo sendo potencializado chegar-se-ia ao bem-estar coletivo, onde todos teriam chance de um dia ser rico, bastando apenas seu esforço individual e sua capacidade de assumir riscos. O pobre de direita é um figurante de burguês que late como pitbull em defesa da burguesia, e se cala sobre sua própria exploração.



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