terça-feira, 10 de outubro de 2017

Ernesto Che Guevara. Um Homem do futuro.

Ensaio
Recebido em 7 de outubro de 2017.
Por Anisio Pires, cientista social pela UFRGS.

Soube dizer o músico venezuelano Ali Primera, na música que lhe dedicou:

Comandante Che te mataram,
Mas em nós deixaram
Para sempre tua memória
Gravada em moldes de glória”.



Por isso, nos dias 8 e 9 de outubro todos os homens e mulheres que acreditamos que outro mundo é possível vamos lembrá-lo e lhe faremos uma homenagem. A dupla data parte de uma tradição que começou a comemorar o dia 8 de outubro como o dia em que foi tombado, pois nesse dia do ano 1967 foi capturado pelo exército boliviano na localidade de La Higuera, departamento de Santa Cruz. Estava ferido, e assim foi levado até uma velha escola abandonada como o demonstram fotos da época. No entanto, foi no dia seguinte, ao meio-dia do dia 9 de outubro de 1967 quando covardemente foi morto. Um assassinato. Essa era a ordem dada pela CIA, e assim foi executada. Com ela ficava demonstrada a imoralidade e o caráter assassino do imperialismo e de seus lacaios.
Se o capitalismo era moralmente tão superior ao socialismo como diziam, por que esse ato de covardia? Por que simplesmente não o deter e mantê-lo preso? Por que assassinar um homem ferido e indefeso? Como é que um homem sozinho podia produzir tanto medo e preocupação a esta, os EUA, que já era nesse momento a maior potência do planeta? Ou por acaso se tratava de ódio porque Che era um dos rebeldes que os tinha enfrentado e derrotado em Cuba?
Esse pequeno detalhe deveria servir para ilustrar a todos os que às vezes tem dúvidas sobre a justeza da luta que levamos contra o imperialismo na Venezuela. Ingênuos, desinformados ou mal-intencionados, acusam nossa posição anti-imperialista de retórica propagandística dos chavistas. Não lhes parece que há uma linha de continuidade entre assassinar dessa vil forma o Che e declarar a Venezuela como “uma ameaça inusual e extraordinária para a segurança dos EUA”?
Uma declaração de guerra baseada em uma lei executiva emitida no ano 2015 por alguém que recebeu o “Prêmio Nobel da Paz”, o ex-presidente Obama. Uma lei que ainda segue vigente e que não tem nada de retórica chavista. As recentes sanções econômicas e as ameaças de militares de Trump falam por si mesmas e se baseiam nela. Trata-se da mesma insanidade mental, a mesma desproporção, a mesma covardia e prepotência que os povos do mundo tem padecido por décadas por parte dos EUA. A mesma maldade já não contra um guerrilheiro ferido e desarmado nem contra um país ou contra um continente. É a maldade em si mesma contra a humanidade inteira. Ela começou há muito tempo, quando baseados em um suposto “destino manifesto”, sentiram-se com o direito de decidir, como os imperadores romanos, quem deveria viver e quem deveria morrer. Um direito criminal que em 1945 com Hiroshima e Nagasaki revelou sua face mais terrível e monstruosa. Depois dessa demonstração do terror que eram capazes de produzir, somente a existência do velho campo socialista os impediu de repetir outras matanças semelhantes. Mas continuaram cometendo mais matanças sob outras modalidades não nucleares, entre elas, as de Vietnã, Chile, Panamá, Iraque, Ruanda e Líbia. São já demasiados exemplos que revelam que não são apenas imperialistas decididos a fazer valer seus interesses. São assassinos. Por isso é que além de uma luta entre a democracia dos povos e a ditadura do capital, além de um confronto entre o socialismo e o capitalismo, se trata de uma luta entre a vida e a morte.
Houve épocas passadas em que lembrar o Che significava preservar a memória de combate dos povos e um bálsamo para animar a luta em condições muito adversas e difíceis. Hoje, esse significado evidentemente continua vigente, mas agora o Che e seu legado estão firmemente presentes na consciência dos povos e orientam as ações em pelo menos 4 revoluções: a cubana, que ele mesmo encabeçou, a nicaraguense, a boliviana e a venezuelana. E quis a história que a última tenha se tornado no século XXI a locomotiva de todas as demais. A Revolução Bolivariana voltou a dar à Venezuela o papel de vanguarda que teve no século XIX, quando encabeçou as lutas pela independência contra o império colonial espanhol. Hoje é a revolução que vai abrindo o caminho, tipo barco quebra-gelo, colocando-se não só na frente das transformações revolucionárias necessárias para superar o capitalismo, mas também enfrentando os ataques que o imperialismo vem lhe produzindo durante quase 20 anos. Se algo sabem os imperialistas, é que não podem permitir que o exemplo da Venezuela contagie outros povos. É perigoso ser como a Revolução Bolivariana, é perigoso ser como o Comandante Chávez que a encabeçou, é perigoso ser como o Che que a todos inspirou e que a todos segue inspirando.
Por isso, aos 50 anos de sua passagem à glória, temos que dizer obrigado, comandante Ernesto Che Guevara! És um homem do futuro e por isso é contemporâneo e futurístico seguir falando de ti e daquilo que foste capaz de fazer. Como disse Fidel quando te despediu no dia 18 de outubro de 1967: “Se queremos um modelo de homem, um modelo de homem que não pertence a este tempo, um modelo de homem que pertence ao futuro, de coração digo que esse modelo sem uma só mancha na sua conduta, sem uma só mancha na sua atitude, sem uma só mancha na sua atuação, esse modelo é o Che! Se queremos expressar como desejamos que sejam nossos filhos, devemos dizer com todo o coração de veementes revolucionários: Queremos que sejam como o Che!”.

Hoje seguimos dizendo contigo: até a vitória sempre!

Revisão do português por Gabriela Abreu.



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