sábado, 3 de dezembro de 2016

Quem destrói os prédios públicos?

Ensaio
Recebido em 02 de dezembro de 2016
Por Diogo Xavier, estudante do curso de História da UFRPE.

Faculdade de Direito do Recife/UFPE ocupada

Com a série de ocupações que vem sacudindo o Brasil nos últimos meses, começou uma série de preocupações com a manutenção do patrimônio público, colocando na conta dos manifestantes a depredação dos locais históricos. Essa gigantesca preocupação é totalmente desproporcional, se for avaliado o cuidado que o patrimônio recebe no Brasil durante outras épocas do ano. No Brasil, o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) é o responsável por identificar e preservar os bens culturais do País. O órgão do Ministério da Cultura tem na sua alçada mais de 20 mil prédios, 12 mil sítios arqueológicos e 250 mil volumes bibliográficos. Essa enorme quantidade de material faz com que haja uma sobrecarga e muitos desses prédios são abandonados ou dependem da intervenção de ONGs ou parceiros privados.
A falta de ensino para a maior parte da população sobre as questões desse acervo faz com que sejam desconhecidos muitos prédios e espaços que têm uma grande importância para a história local, mas passam despercebidos por quem não teve acesso ao valor dessas obras.
É importante ressaltar que o principal responsável pela destruição do patrimônio histórico no Brasil é o Estado, pois quem deixa prédios históricos sem nenhuma manutenção, sendo destruídos pelo tempo é ele. Quem não destina verbas suficientes para que hajam profissionais preservando e valorizando os locais históricos é o Estado. Além disso, há também o caso com as parcerias privadas, que utilizam os espaços da forma como querem, se aproveitando da ausência (voluntária) do Estado e fazendo com que um bem público acabe se tornando de interesse privado.
O destaque que foi dado para os manifestantes com isso se mostrou desmedido, pois não são os estudantes que tem destruído os locais. Ao contrário, tem sido nas ocupações que os espaços têm tido um conceito muito maior de coletividade, passando a serem entendidos como de todos, e onde todos precisam cuidar. Em poucos meses de ocupações, tem sido visto um senso de preservação dos locais públicos muito maior do que na maioria da educação escolar.


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A maior parte da população ainda se choca mais vendo pessoas dentro dos prédios tombados do que percebendo prédios tombados caindo aos pedaços. Essa lógica é que precisa ser alterada e é a atual geração que hoje ocupa os prédios quem pode mostrar esse novo caminho: para que os prédios, praças e parques sejam tomados pelas pessoas e sirvam ao povo, que é a quem eles verdadeiramente pertencem.

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