quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Ocupar, criar unidades e resistir ao avanço do golpe!

Ensaio
Recebido em 01 de novembro de 2016
Por Coletivo Transição e Nova Organização Socialista (NOS)

Estudantes do CFCH/UFPE em atividade pública

O bloco histórico das classes dominantes se fortaleceu nos últimos anos no Brasil, deu o golpe político e social e avança na destruição das conquistas constitucionais (reduzidas mas importantes) de 1988. O conservadorismo e reacionarismo crescem fortemente no Brasil, merecendo uma análise detida e exigindo paciência e unidade das forças socialistas e democráticas, pois deitam raízes não apenas superficiais na sociedade brasileira. João Doria/PSDB em São Paulo, Marcelo Crivella/PRB no Rio de Janeiro, Alexandre Kalil/PHS em Belo Horizonte, Geraldo Júlio/PSB em Recife, Professor Lupércio/SD em Olinda, Anderson Ferreira/PR em Jaboatão, e por aí vai. Neoliberais, empresários mafiosos e evangélicos reacionários (pois nem todos são assim) estão no poder.
O resultado das eleições é uma demonstração da consolidação do bloco histórico golpista. As medidas antissociais e populares, como a PEC 241 (agora 55), do congelamento dos investimentos em serviços públicos por 20 anos, a MP 746 (reforma no Ensino Médio), a aprovação pelo STF da limitação do direito de greve dos funcionários públicos, a entrega do Pré-Sal para companhias transnacionais estrangeiras, a lei “antiterrorismo” contra os movimentos sociais, a pauta da reforma da previdência, justificada pela falácia do “deficit”, que vem com mais ataques aos aposentados e que rouba a vida futura dos jovens trabalhadores, entre outros, é a prova do rolo compressor do capital e do reacionarismo nos costumes, eles mesmos organicamente ligados.
Mas, há lutas e resistências, e o Brasil entra cada vez mais em eferverscência. Essa agitação se expressa de maneira mais clara na figura de milhares de estudantes que vêm dando um exemplo de luta para todo o país contra a PEC 241/55 e a MP 746. Em 2015, os secundaristas de São Paulo já mostraram que era possível bater de frente contra a “reorganização” escolar de Alckmin (PSDB), e este ano os estudantes do Paraná puxam o bonde contra os golpistas, principalmente Temer (PMDB) e Mendonça Filho (DEM). A esquerda combativa já estava nas ruas desde as medidas de ajuste fiscal promovidas por Dilma Rousseff (PT), que cortaram mais de 70 bilhões do orçamento estatal. Mas agora as classes dominantes exigem um aprofundamento muito maior do desmonte do Estado, expressado na PEC 241/55, já aprovada na Câmara, e agora tramitando pelo Senado. Outras formas de luta se fazem necessárias.
Ordenando que o governo não invista um centavo a mais para além da inflação, tal PEC contribuirá decisivamente para o sucateamento do SUS, da Educação Pública, além do não cumprimento do Plano Nacional de Educação, e dos demais empreendimentos públicos. Como dissemos, boa parte do Pré-Sal já foi entregue às transnacionais estrangeiras, e o plano agora é desidratar a Petrobras.
Estamos pagando o preço do golpe e da política conciliatória com a direita, e por isso precisamos cada vez mais nos mobilizar e nos organizar com unidade tática contra qualquer tipo de retrocesso. Já são mais de 1200 instituições de ensino ocupadas pelo Brasil inteiro, e aqui em Pernambuco o caso não é diferente.
Seguindo o exemplo do Campus/UFPE de Vitória de Santo Antão, estudantes do Centro de Educação (CE) tomaram conta do prédio no dia 24/10, recebendo expresso apoio da maioria dos professores. No dia seguinte, o movimento se expandiu para o Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH), dois dias depois para o Centro de Artes e Comunicação (CAC), no dia 31/10 para o CCB e no dia 01/11 os estudantes de Serviço Social/UFPE decretaram greve seguindo exemplo dos estudantes da UFRPE. O Campus Agreste (Caruaru), o IFPE (Olinda e Recife), a UNIVASF, a UPE e a UFRPE também organizam ocupações em seus estabelecimentos. Ao todo, mais de 120 prédios universitários estão ocupados no Brasil.
Não podemos perder de vista que a tática da ocupação serve a uma estratégia clara e definida: a construção da Greve Geral na Educação. E mais além, para construir a Greve Geral no Brasil, contemplando a maior parte possível dos setores do chamado “mundo do trabalho”.
Dentro das universidades, nossa luta deve se encaminhar para a unificação dos três segmentos (estudantes, professores e técnicos-administrativos), e principalmente para a articulação dos prédios que estão ocupados. Entendemos que na UFPE/Campus Recife, apesar de a ocupação ter se espalhado para outros três prédios além do CE, a luta é uma só, e, portanto, a articulação desses por ora quatro centros deve ser colocada na ordem do dia. O fortalecimento das comissões conjuntas entre os prédios, a feitura combinada da programação diária da ocupação e a promoção de espaços conjuntos de sociabilidade são a melhor maneira de se promover uma real integração entre os diversos ocupantes. Precisamos ainda unir a comunidade universitária e o entorno da UFPE para fortalecer a luta, além de convocar e convencer os professores pelo voto a favor de uma greve docente. Atualmente, em Recife/PE, as ocupações na Educação são os locais mais avançados da resistência popular, mas precisamos da entrada em cena das centrais sindicais e dos movimentos sociais urbanos com o objetivo de produzir um espaço social unitário. A Frente Povo Sem Medo pode ajudar a cumprir essa tarefa, que deve se ampliar para outras Frentes, pois a unidade não é necessária apenas em Recife/PE, mas nacionalmente. Só assim teremos chances de vencer. As tarefas não são simples, mas são urgentes e nós temos que ir à luta.

Todo apoio às ocupações e juntos na construção de uma Greve Geral!

A auto-organização e a necessária unidade dos ocupantes

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