domingo, 27 de novembro de 2016

"Hasta la victoria siempre!"

Nota
Recebida em 26 de novembro de 2016
Por Coletivo Transição, agrupamento de ativistas.

Fidel Castro discursa ao lado de Che Guevara e Camilo Cienfuegos

O debate sobre a natureza do Estado cubano, da revolução cubana, das suas limitações e contradições é polêmico nos movimentos sociais de luta pela emancipação social e pelo socialismo. São questionamentos importantes e balanços necessários. Mas, hoje, queremos nos solidarizar com o povo cubano, artífice e responsável último pela sua própria história.
Sendo assim, neste 26 de novembro de 2016, o Coletivo Transição, que entende não se tratar de demonização (neo)liberal nem de glorificação apologética, ambos distanciados da razão histórica, registra e lamenta a morte do revolucionário cubano Fidel Castro aos 90 anos. Fidel, além de figura controversa, foi uma personificação da luta pela independência dos povos em circunstâncias históricas cambiantes e extremamente difíceis para os embates contra o avanço do capital e da barbárie planetária, especialmente para uma ilha situada a poucos quilômetros da maior potência imperialista da história da humanidade. Ao longo de aproximadamente 60 anos, para muitos povos da América Latina, ele participou da produção de uma Cuba que se tornou o principal ponto de referência para a luta contra o imperialismo estadunidense.
Apesar do isolamento geopolítico e das limitações de sua economia, Cuba derrotou a ignorância e se constituiu no país com o menor índice de analfabetismo das Américas, construiu uma medicina humanitária, preventiva e eficiente, além de atingir patamares sociais importantes, até hoje inalcançados para a imensa maioria dos países da região.
Já há algumas décadas, especialmente após o fim da ajuda econômica da ex-URSS, Cuba passa por dificuldades sociais cujos desenvolvimento e natureza levam a reformas contraditoriamente avaliadas. Dada sua situação, e a hegemonia neoliberal mundial, e mergulhada, por dentro e por fora, por poderosos interesses de vários segmentos do capital transnacional imperial, as conquistas sociais da revolução de 1959 estão em xeque. Seja qual for a avaliação que tenhamos dessas reformas, da maneira como são conduzidas e de suas características, entendemos que apenas por meio da luta e da auto-organização e autoadministração social dos trabalhadores cubanos e da articulação ativa, internacionalista e solidária latino-americana e mundial, é possível fazer com que o combate pela emancipação social e pelo socialismo em Cuba possa sair da defensiva. Para que os trabalhadores possam adquirir o progressivo controle social em Cuba.
Não se trata de defender ingenuamente o “modelo cubano”, produtor também de problemas para a construção de uma sociedade pós-capital, mas de reconhecer o heroísmo do seu povo e de seus trabalhadores, inserindo Fidel, contraditória e historicamente nesse mesmo processo, que de algum modo ele também expressou. Prestamos solidariedade aos trabalhadores e ao povo de Cuba nesta data histórica e nos aproximamos de seus sentimentos!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Adicione seu comentário.