sábado, 10 de setembro de 2016

Como votar nas próximas eleições municipais?

Nota
Recebido em 04 de setembro de 2016
Por Coletivo Transição e Nova Organização Socialista (NOS)

Severino Alves 50123 para Vereador!

Primeiramente: fora, Temer! A eleição do próximo 02 de outubro de 2016 para prefeito e vereador será a primeira após a consumação do golpe que derrubou a experiência do Partido dos Trabalhadores do poder (2003-16). Golpe porque a presidente Dilma Rousseff (PT) foi retirada de seu cargo sem que nenhum crime de responsabilidade fosse efetivamente caracterizado. Tanto isso é assim, que vários ex-presidentes e governadores realizaram as mesmas medidas que foram usadas como justificativa para a cassação de seu mandato; e, poucos dias depois, o presidente usurpador, Temer (PMDB), sancionou/aprovou uma lei que torna não criminosos os “crimes” de Dilma (“pedaladas fiscais” e/ou “créditos suplementares” sem aprovação do Congresso). Agora, ele poderá fazer exatamente a mesma coisa sem ser considerado criminoso. Como cassar uma presidente por seus supostos crimes e manter os seus direitos políticos? As manobras golpistas não tem limites e mostram de frente o semblante das classe dominantes brasileiras!
O golpe foi dado de maneira competentemente orquestrada por segmentos do judiciário, grandes grupos monopólicos de mídia (Globo e outras), empresários e representantes do capital nacional e internacional (FIESP, por exemplo), partidos políticos conservadores (PSDB, DEM e PMDB), etc. Eles conseguiram derrotar o projeto de conciliação petista que durante um pouco mais de uma década possibilitou algumas conquistas ao povo brasileiro – muito mais ligadas ao âmbito volátil e rarefeito do consumo e do mercado (e não ao dos direitos sociais) –, ao mesmo tempo em que as mantinha balizadas e limitadas pelas altas taxas de crescimento da economia e pela lucratividade do capital. Quando a crise econômica e sistêmica internacional aterrizou no Brasil com mais força, o que seria mais ou menos inevitável em uma economia periférica, dependente e subalternamente globalizada, o projeto neodesenvolvimentista ou liberal-social colapsou. Dilma começou a adotar uma condução socioeconômica contrária à que permitiu sua reeleição, com mais e mais ataques aos direitos dos trabalhadores e do povo pobre (ajuste fiscal, lei antiterrorismo, reforma da previdência, leilões do pré-sal, etc.) – que, diga-se, não se iniciaram apenas no seu último mandato –, e os limites da conciliação e subordinação dos interesses do trabalho às classes proprietárias cobrou seu preço. A independência de classe dos trabalhadores é uma das lições da história desta nova tragédia brasileira. O PT optou por alianças conservadoras e/ou reacionárias, além de uma série de manobras e relações ilegais e corruptas com grupos empreiteiros e empresariais, utilizando o Estado brasileiro para benefício de uma parte da burguesia brasileira (Friboi, Odebrecht, Camargo Corrêa, etc.) enquanto colaborava para a desmobilização e imobilização dos movimentos sociais históricos ligados aos trabalhadores.
Com a continuidade da crise e com a nova institucionalidade golpista, irão se aprofundar os problemas para os que tem sua experiência de vida nas cidades do país. Menos recursos e parcerias federais para os municípios, que sofrerão ainda mais com a crise fiscal (que em última instância se liga à transferência e utilização do fundo/orçamento público em benefício dos grandes grupos monopolistas e do capital financeiro). E, assim, deterioração nas condições de vida, trabalho e moradia para a maioria da população que depende da venda de sua força de trabalho para sobreviver. Os frutos do golpe serão menos direitos, mais estado de exceção e mais repressão para o povo trabalhador!

Em Recife, Geraldo Júlio é o grande capital golpista no poder!
O candidato à reeleição do PSB, Geraldo Júlio, conhecido como um “boneco” por grande parte do povo, tanto de Eduardo Campos como de grupos empresariais (“Geraldo, fulero! Capacho de empreiteiro!”), é parte do assalto do estado de Pernambuco por interesses familiares, patrimoniais, burocráticos e do grande capital (imobiliário e internacional, especialmente). A família Campos conseguiu espraiar-se competentemente por vários ramos do aparelho de Estado (judiciário, executivo, legislativo, policial, etc.) e implantou uma hegemonia política que mistura a ausência de diálogo, a privatização e esterilização dos espaços democráticos e populares de decisão, uma forte repressão aos movimentos sociais (trabalhadores ambulantes, trabalhadores sem-teto, Ocupe Estelita, Sancho, etc.) e uma ideologia gerencial e empreendedora, que esconde corrupção e privatização, como indica a investigação da Operação Turbulência, da Polícia Federal. Fez algumas obras na cidade (Via Mangue, Hospital da Mulher, Compaz Santa Tererinha, algumas UPA's, poucas cheches, etc.), mas sempre em número, qualidade e intensidade menores do que poderia ter feito, aliado ao fato de que arrochou os salários e condições de trabalho dos servidores e deixou de melhorar e investir na qualidade dos serviços de saúde, educação e transporte de responsabilidade da prefeitura do Recife, ou seja, sucateando o fundamental. Utiliza o discurso da “crise” como álibi. Mas, na verdade, gastou mais com propaganda do que com serviços essenciais à população, que sofre nos hospitais, bairros periféricos e nos coletivos de transporte público. Todo o seu discurso e prática de subalternização do povo mostra-se evidente para quem assiste a suas peças de propaganda eleitoral, onde o povo é passivo e ajudado pelo seu amigo, chefe, gerente ou salvador.
Os outros principais candidatos das forças claramente conservadoras e do capital, como Daniel Coelho (PSDB) e Priscila Krause (DEM), tentam combater Geraldo Júlio no seu próprio terreno, ou seja, no campo da lógica gerencial. São parte das forças golpistas. Forças que agora se apresentam com “caras novas”, mas que certamente manterão um estilo de gestão semelhante ao de Geraldo: elitista, privatizador e afastado dos movimentos socais e populares.
João Paulo (PT) é parte da tentativa de ressurgimento da sigla no estado de Pernambuco após a perda de hegemonia para o PSB de Eduardo Campos. Todo o horizonte de sua campanha se volta para o passado, com a propaganda de que foi “o melhor prefeito de Recife”, de onde busca “retirar a sua poesia”. Mas os trabalhadores não podem esquecer de alguns elementos importantes: João Paulo e o PT continuam aliando-se a forças sociais conservadoras e do capital (como o PRB, de Silvio Costa Filho e o PTB, de Armando Monteiro Neto, por exemplo). É como se buscasse reproduzir ou continuar a tática eleitoral de Lula desde 2002, com o empresário José de Alencar (PL), já que no “toma lá da cá” político-partidário, vários pequenos partidos que outrora estavam na órbita petista agora optam pela candidatura da situação de Geraldo. Mas não é apenas isso. Mesmo em sua gestão, João Paulo favoreceu interesses do grande capital, como no caso do Cais José Estelita (onde se comprometeu com a aprovação da viabilidade do Projeto Novo Recife e sua regularização legal e urbanística), nas licitações e contratos intransparentes com as grandes empresas de prestação de serviço do lixo urbano e, ainda, com a manutenção do modelo privatista, elitista e ineficiente de transporte público em parceria com os grandes empresários do setor. Por fim, a desmobilização, esterilização e instrumentalização dos espaços de decisão democráticos e populares (Conselhos, Orçamento Participativo, etc.) foram a tônica dos mandatos do PT em Recife/PE. João Paulo na prefeitura é a continuidade, em nível municipal, da política de conciliação de classes que colapsou no Brasil com o golpe. Os trabalhadores, os movimentos sociais e as juventudes devem evitar as ilusões.

Votar em candidatos que potencializarão a organização popular e a resistência ao golpe: para vereador é Severino Alves 50123! Edilson Silva 50 para prefeito!
O mandato do Deputado Estadual Edilson Silva (PSOL) cumpriu um importante papel em várias lutas de resistência no último período. Além disso, a sua candidatura a prefeito defende uma série de propostas que combatem interesses privatistas na cidade e fomentam demandas populares: luta pela reabertura de espaços públicos (Geraldão, Teatro do Parque, Estações de BRT's, etc.); contra os interesses das empreiteiras e do capital imobiliário no Estelita; em defesa dos servidores municipais e suas demandas por melhores condições de trabalho; contra a repressão aos ambulantes e sem-teto; não à remoção dos moradores de comunidades periféricas (Sancho); em defesa de direitos das mulheres (creches municipais); remodelação e prioridade aos mercados públicos; etc. Ainda, foi formada uma frente eleitoral com o PCB, política que entendemos importante para a reorganização e reconstrução das forças de esquerda dignas do nome no Brasil, mesmo que estejamos conscientes que tal reorganização tem uma dimensão muito mais profunda e social. Por isso, para prefeito, votaremos Edilson Silva 50!
No atual cenário, é fundamental a unidade dos trabalhadores e movimentos sociais contra as consequências do golpe e a política patrimonialista, antidemocrática e segregadora da maioria dos candidatos a prefeito. Nestas eleições, há, pelo menos, dois entendimentos necessários para as forças populares: por um lado, mesmo num cenário de amplo e justificável descrédito com a institucionalidade republicano-liberal brasileira, não se deve desprezar a potencialidade que espaços institucionais podem ter em retroalimentar as lutas populares e a organização cotidiana, quando usados para tal e controlados pelos movimentos sociais; de outro lado, não se pode imaginar que pode-se modificar substantivamente a cidade a partir da ocupação progressiva de espaços no aparelho estatal da Prefeitura, com um discurso fundamentalmente gerencial; até porque, para as classes subalternas, trata-se de “quebrar e modificar a máquina” e não simplesmente geri-la.
Severino Alves 50123 não comete nenhum desses equívocos. É fruto das batalhas populares e sociais dos trabalhadores, e sua candidatura é consequência das lutas que já vem sendo travadas por diversos coletivos. Além disso, conseguiu aglutinar um amplo arco de apoio de vários movimentos sociais, como: feministas, ambulantes, sem-teto, intelectuais, estudantes, etc. Já é, por isso, uma candidatura com um claro caráter de frente entre diversas forças sociais e políticas comprometidas com mudanças substantivas. É pela necessidade de replicação dessa experiência para além deste momento eleitoral que temos a esperança de que a candidatura de Severino Alves 50123, e seu possível mandato coletivo como vereador, pode(rá) colaborar na produção de mais unidades e frentes entre agrupamentos antissistêmicos, na direção de uma reorganização social e na produção de uma frente de esquerda e socialista para o Brasil, ampla o suficiente para abarcar segmentos diversos e plurais das complexas classes trabalhadoras brasileiras, mas também adequadamente consistente para ter poder concentrado de atuação e combate na nova realidade social brasileira pós-golpe.
Trata-se de uma candidatura verdadeiramente popular, com a força das ruas! Serão os movimentos sociais e populares no interior da Câmara de Vereadores! Ainda que ele saiba que qualquer vereador ou prefeito tem que levar em conta o aspecto da gestão da coisa pública, não o coloca como elemento central de sua candidatura nem se encanta com um cargo institucional, e nisso é uma personificação adequada da fibra do povo trabalhador e lutador. Entende que se trata do cumprimento da mesma tarefa popular em um outro espaço. Por isso estamos com Severino Alves 50123!

Severino Alves 50123 na luta contra o golpe!

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