sexta-feira, 17 de junho de 2016

Luta revolucionária e crise da democracia

Ensaio
Recebido em 21 de maio de 2016
Por Gutemberg Miranda, que é graduado em Filosofia e ensina na UFAL.

Manifestação político-cultural na década de 1960

Quando pensamos em luta armada logo imaginamos os aspectos bélicos e operacionais inerentes a esse tipo de opção política. Mas não seria a luta armada um ethos que estaria mais próximo da poesia, da utopia e do onírico? Se a crise política e econômica recrudesce não seria inevitável uma resposta à altura dos fatos? Pensar a revolução nos dias de hoje deve levar em conta a subjetividade inconformada e a emancipação dos comportamentos que nos últimos anos convulsionou o ethos das últimas gerações. Como seria uma luta revolucionária nos dias de hoje? Uma afirmação da transgressão das convenções, um não ao modo de vida utilitarista-instrumental e uma profunda consciência estética-artística. Nossa inspiração não deve ater-se aos modos clássicos bolcheviques, mas as vanguardas culturais e intelectuais dos anos sessenta devem nortear a onda revolucionária de nossa época. Uma aliança militante entre artistas, intelectuais, boêmios, jovens e trabalhadores devem planejar o futuro do Brasil.

Sair da repetição, ir além dos paradigmas arcaicos e ter como horizonte as possibilidades libertárias que a subjetividade contemporânea incorporou através das lutas históricas dos antepassados são elementos subversivos e a base da nova revolução. A revolução é uma religião sem santo, sem cerimônia, sem sermão. A religiosidade revolucionaria deve ser um desprendimento, um jogo lúdico e desinteressado, uma utopia talhada em ideais inalienáveis e construídos coletivamente. Não existe revolução sem sonhos, sem utopia ou sem esperança. A crença revolucionária não é uma questão de dogma, mas de rebeldia, de contestação, de dúvida exaustiva e questionamentos infinitos. Apenas o espírito crítico levado às últimas consequências pode instaurar a verdadeira sublevação. Ultrapassar os limites da subjetividade opressiva burguesa é o primeiro passo para transformamos radicalmente o mundo.
A união de múltiplas comunidades alternativas, de grupos de artistas, intelectuais e jovens são os únicos meios para a autêntica luta revolucionária. Células da revolução nos dias de hoje devem se apresentar como trupes de atores, grupos circenses, numa ampla concepção de cultura que ultrapasse as imposições dos temas eruditos e aglutine todos os projetos culturais, através de um agir autônomo e sem medo das consequências. Nunca os jovens tiveram tanta liberdade de locomoção. Por isso, devemos ir de um canto a outro, se nos prender a subjetividades fixas, e encarando o mundo como um teatro cujo texto é a luta e cujos atores somos todos nós, trabalhadores, jovens e sonhadores de um modo geral.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Adicione seu comentário.