segunda-feira, 20 de junho de 2016

A minha matéria é o presente, o tempo presente, a vida presente, os homens presentes

Ensaio
Recebido em 18 de junho de 2016
Por Michel Zaidan Filho, filósofo, historiador, cientista político, professor da UFPE e coordenador do NEEPD/UFPE – Núcleo de Estudos Eleitorais, Partidários e da Democracia.

O poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade (1902-87)

Comecei o meu magistério na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) com um tema: “A História como paixão”, e iniciei o meu evangelho pedagógico com um verso de Carlos Drummond de Andrade, da poesia “Mãos dadas”, que trata da necessidade de o historiador falar do presente, da vida presente, dos homens presentes. Nestes tempos sombrios da pornografia política e avicultura belo-jardinense, ouvi, nesta tarde (dia 16) da boca dos presentes, no ato em favor da democracia e do mandato presidencial de Dilma, a poesia como uma lufada de vento fresco, neste começo de inverno quente e úmido do Recife. Nunca deixei a poesia, a música, o teatro e o cinema de lado, na minha sala de aula. Faz parte de uma pedagogia ampliada, inspirada no programa de Schiller: “Cartas sobre a educação estética da humanidade”. Acredito muito no poder educativo da razão lúdica, da razão sensível. Ver e ouvir uma Presidenta da República declamar versos do poeta mineiro acendeu em mim as chamas da esperança de que o mundo (e as pessoas) ainda tem conserto. Que nem toda política, nem todos os políticos são pornográficos ou cacofônicos. O discurso de Dilma foi sinfônico. Um discurso sereno, calmo, afetivo, didático e paciente, sem traços de rancor ou amargura. Ela deve ter se sentido acolhida no ambiente universitário da UFPE. Os que estavam ali vieram para saudá-la, confortá-la e desejar-lhe boa sorte. “Dar as mãos”, outra frase do poema. “Caminhar de mãos dadas”. Sim, vamos todos caminhar de mãos dadas. “Não nos afastemos muito”, disse Drummond. A realidade é tão grande, não nos afastemos muito. Nesta tarde, estivemos todos juntos, de mãos dadas, considerando a enorme realidade que é a injustiça no Brasil. Vamos lutar contra ela. Vamos lutar para que Dilma retome o seu mandato presidencial e para varrer essa corja de aproveitadores, aventureiros e golpistas.

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