quinta-feira, 19 de maio de 2016

A farsa do liberalismo

Ensaio
Recebido em 19 de março de 2016
Por Gutemberg Miranda, que é graduado em Filosofia pela UFPE e leciona na UFAL.

Gilmar Mendes, ministro do STF e Rodrigo Janot (ao fundo),
da Procuradoria Geral da República: seletividade jurídica

A “justiça” brasileira, ou seja, um poder que se arvora em falar em nome da justiça vem assumindo o protagonismo na implantação de um estado exceção no Brasil. O conjunto do judiciário está inflamando a sociedade em direção a um complô contra a democracia brasileira. Um poder que se acha justo, mas que não consegue distinguir as artimanhas das elites em utilizar o poder judiciário para se reestabelecer no poder. Não se trata de um fenômeno nacional, mas da própria ordem liberal, de uma estrutura de dominação alicerçada há séculos para proteger a propriedade privada e os mecanismos de dominação de classe. Os últimos fatos políticos no Brasil desmascaram a essência do liberalismo, o formalismo jurídico ao tentar sobrepor-se aos processos de construção política engendra uma violência contra a democracia ao utilizar o Estado de direito enquanto algo acima de povo ou dos processos históricos.
O combate à corrupção não pode servir de pretexto para se destruir partidos ou organizações sociais. Querer acabar com o PT com uma canetada e aprisionar a maior liderança política do Brasil sem que os mesmos processos investigatórios se apliquem de forma equânime aos demais atores políticos interessados nas consequências do aniquilamento do capital político de Lula é algo descaradamente vil e trapaceiro. A instrumentalização política da justiça já está tendo efeitos nefastos para a economia e para a convivência política nacional. O clima de intolerância recrudesce a cada dia e não sabemos o quanto de radicalismo está por vir. A ascensão da extrema direita está a todo vapor, algo que nos obriga a ficar vigilantes e começarmos a luta contra o fascismo no Brasil.
A hora é de prontidão, a derrubada do governo Dilma acelera a reconstrução da esquerda. Enquanto os fascistas acham que estão ganhando retomando os aparelhos da burocracia estatal, a esquerda se reinventará e um novo horizonte político se insurgirá no Brasil. A juventude, os intelectuais e a classe trabalhadora já estamos nos mobilizando. A hora do novo começou, e quanto mais intolerância for disseminada, nós marcharemos de mãos dadas rumo à construção do socialismo brasileiro. A revolução se inicia numa interação de subjetividade e estruturas sociais. O que estamos assistindo é uma mudança histórica, e as injustiças praticadas hoje serão redimidas a partir da luta revolucionária e da vitória dos oprimidos em detrimento do estado de barbárie em que vivemos.

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