sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Origens do movimento operário e do socialismo no Brasil (4 de 4)

Artigo
Recebido em 24 de dezembro de 2015
Por Osvaldo Coggiola, professor titular de História Contemporânea da Universidade de São Paulo [USP].

Edgard Leuenroth (1881-1968)

Greves, anarquismo e socialismo
Nos centros industriais, o anarquismo passou a ganhar força, com a grande imigração de trabalhadores europeus, entre fins do século XIX e início do século XX. No entanto, dentre os ativistas anarquistas mais importantes, cabe citar: José Oiticica (1882-1957), Maria Lacerda de Moura, anarquista e feminista (1887-1945), Domingos Passos, Florentino de Carvalho (1889-1947), Edgard Leuenroth (1888-1968), todos eles brasileiros. Através da organização de sindicatos, os anarquistas visavam obter o controle do mercado de trabalho. Se todos os membros de uma dada categoria profissional estivessem associados a um sindicato, os patrões não teriam alternativa senão a de procurar o sindicato da categoria para negociar a contratação de trabalhadores, e tudo que lhes dissesse respeito.
Na virada do século XIX para o século XX, o movimento operário brasileiro conheceu uma importante fase de lutas. Em 1886, verificou se a greve dos caixeiros, no Rio, pela extinção do trabalho noturno e aos domingos. Em 1891, verificou se uma greve dos ferroviários da Central, que paralisou todo o tráfego. Em 1900, houve a greve dos estivadores, no Rio, por aumento de salários, a qual foi organizada e dirigida pelo Grêmio Popular dos Estivadores. Nesse ano, verificou- se nessa cidade a greve dos sapateiros, por aumento de salários, com duração de dois meses. Em 1901, desencadeou-se a greve dos trabalhadores da fábrica Tabacow, em São Paulo, contra o atraso do pagamento: “Essa greve começara magnificamente, mas acabou mal, pela atitude pouco enérgica mantida pelos nossos companheiros dessa casa e pela falta de solidariedade entre eles existente” [32]. Ainda em 1901, houve greves dos trabalhadores da fábrica Diodatto Leume & Cia, em São Paulo, pela regularização do pagamento dos salários e pela sua realização em dias fixos. Realizou se também a greve dos trabalhadores em pedreiras, pela diminuição da jornada de trabalho de 12 para 10 horas.

Tobias Barreto (1839-1889)

Em 1903, explodiu no Rio de Janeiro a maior greve até então realizada no país: 25 mil trabalhadores têxteis declararam-se em greve e, durante 20 dias, permaneceram parados, exigindo a redução para nove horas e meia da jornada de trabalho. Essa greve foi derrotada. Ainda nesse ano houve nova greve que abarcou a toda a corporação têxtil do Rio e adjacências, e que findou com a vitória dos trabalhadores. Estes conseguiram reduzir a jornada de trabalho para nove horas e meia. Verificou-se ainda, nesse ano, a greve dos sapateiros, no Rio, e uma série de outros movimentos grevistas em diversos Estados, como a greve dos gráficos em São Paulo, etc. Em 1905, foi deflagrada a greve dos ferroviários da Companhia Paulista, a qual contou com a ativa solidariedade dos estudantes da capital. Nessa greve realizaram se manifestações de rua, houve vários choques com a polícia. Nesse ano, no Rio, entraram em greve os trabalhadores em bondes, os chapeleiros, os sapateiros, os têxteis e os trabalhadores em pedreiras.
Em 1906, houve também a primeira greve geral em Porto Alegre. Estiveram na vanguarda dessa greve os marmoristas e a ela aderiram os têxteis, os pedreiros, os carpinteiros, os pintores, os alfaiates, os carroceiros, os marceneiros e outros setores operários. A greve durou 12 dias. Os patrões foram obrigados a reduzir a jornada de trabalho para 9 horas por dia. Em 1907 se declararam em greve e conquistaram a jornada de 8 horas de trabalho, em São Paulo, os pedreiros, os gráficos de diversas empresas, os pedreiros da cidade de Santos. Também conseguiram reduzir a jornada de trabalho para 9 horas os metalúrgicos da fábrica Ipiranga. Desde então, o movimento grevista foi num crescendo constante.
O socialismo brasileiro, como vimos, reconhece um desenvolvimento ainda anterior. O General do Exército Abreu e Lima, influenciado pelos utopistas europeus, em especial Gaston Leroux, publicara o livro O Socialismo já em 1845 [33]. O nascente estamento militar estava fortemente influenciado pelas doutrinas positivistas, inclusive nas suas variantes “sociais”. A história do movimento socialista no Brasil iniciou se, portanto, já na primeira metade do século XIX, quando a economia nacional era baseada no setor primário e o desenvolvimento das ideias dos socialistas seguia ainda mais os princípios liberais da Revolução Francesa. O movimento deu grandes passos a partir da proclamação da República, juntamente com o início do desenvolvimento industrial do Brasil. No final do século XIX surgiram os primeiros partidos operários, que tiveram vida breve em meio a forte repressão. Em finais do século XIX, Tobias Barreto foi o primeiro autor brasileiro a fazer referência, em artigos jornalísticos, à obra e a atividade de Karl Marx (a Associação Internacional dos Trabalhadores, AIT) [34]. Décadas depois, em 1902, 1909, 1912 e 1925 foram criados, em diversos estados da União, partidos socialistas regionais, cujos programas refletiam uma mistura doutrinária, alternando conteúdos marxistas e humanitarismo.
No início do século XX, porém, o anarquismo e o anarco-sindicalismo “antiautoritários” eram as tendências majoritárias entre o operariado brasileiro, culminando com as grandes greves operárias de 1917, em São Paulo, e 1918 1919, no Rio de Janeiro. Durante o mesmo período, “escolas modernas” foram abertas em várias cidades brasileiras, muitas delas a partir da iniciativa de agremiações operárias anarquistas. Os jornais anarquistas e anarco-sindicalistas tentaram se sustentar apenas de contribuições, porém os militantes eram poucos e não possuíam muitos recursos econômicos. Poucos foram os jornais anarquistas que publicaram mais de cinco números. A Terra Livre, o jornal anarquista melhor sucedido antes da Primeira Guerra Mundial, publicou 75 números em cinco anos.
No processo de formação do operariado brasileiro foi significativo o papel dos imigrantes italianos e espanhóis (chamados de artífices), que traziam de seus países de origem a experiência sindical. Muitas publicações operárias do começo do século XX foram feitas em italiano e espanhol, contribuindo, entre outras coisas, para valorizar a palavra "operário" que tinha, no Brasil, um sentido depreciativo. Os trabalhadores imigrantes formavam clubes, círculos, uniões e associações com o objetivo de unir os operários. O governo decretou a lei Adolfo Gordo, em 1906, que previa a expulsão do operário estrangeiro envolvido nas lutas de sua classe (no ano de 1904 promulgava-se, na Argentina, a chamada “Lei de Residência”, exatamente com os mesmos objetivos). Apesar disso, desde o ano de 1891 foram realizadas greves, que, mesmo não tendo proporções “ameaçadoras”, foram duramente reprimidas.
O anarquismo, e o movimento operário em geral, foram muito pior tratados pelo Estado no advento da República oligárquica do que no período precedente. De 1889 a 1919 a República foi expressão quase exclusiva do governo dos grandes fazendeiros de café e do predomínio dos dois Estados mais poderosos da federação: São Paulo e Minas. A "política do café com leite" se manteve praticamente inabalável, mesmo na presidência do marechal Hermes da Fonseca (1910 1914), quando dominou politicamente a figura de Pinheiro Machado, presidente do Senado e representante da oligarquia gaúcha. No mais, o PRP e o PRM (partidos republicanos paulista e mineiro, respectivamente) se revezavam no poder, sem grandes transtornos.
O processo de industrialização, que vinha crescendo com a expansão das exportações, ganhou uma nova direção a partir da Primeira Guerra Mundial. O primeiro efeito da guerra foi uma drástica redução dos investimentos industriais. A produção, todavia, se expandiu em 1915-1916 com a utilização plena da capacidade instalada, mas começou a declinar em 1917 e seu crescimento tornou se negativo, no ano seguinte, pela falta de matérias primas, máquinas e equipamentos importados. A crise econômica provocada pela Primeira Guerra Mundial acentuou a miséria. Com a eclosão da guerra (1914-1918), o Brasil, cuja economia estava voltada para o mercado externo, sofreu imediatamente suas consequências. Não só porque, a partir de 1917, participou diretamente do conflito, mas, sobretudo, porque a guerra desorganizou o mercado internacional, trazendo novas dificuldades para a exportação do café, que viu seu preço declinar.

A virada de 1917
Os novos movimentos sociais, inspirados por ideologias que aportavam da Europa (tanto quanto seus defensores no país) coexistiram com movimentos autóctones, nos locais mais longínquos da industrialização. A crise social e econômica que abalou o país era muito mais sensível nas regiões mais pobres da nação. O sertão nordestino em particular, com sua seca, seus coronéis e seus respectivos latifúndios, sempre esteve marcado pela tensão social. A diminuição das ações “fisiológicas” do Estado, provocada pela diminuição dos seus recursos financeiros, se refletiu nos bolsos dos “coronéis”, chefes locais. O desemprego se acentuou muito. Tanto os camponeses quanto os capangas perdiam suas ocupações. Foi neste ambiente de extrema pobreza e violência que surgiram e se desenvolveram inúmeros cangaços. Durante a década de 1920 os cangaços atuaram por todo o interior do Nordeste. O poder público foi incapaz de contê-los, o que colaborou significativamente para a crise da República oligárquica (ou “República Velha”).
Essa crise manifestou-se paulatinamente, e levou para uma mudança no direcionamento do movimento operário, e dos movimentos sociais em geral. A origem da crise situava-se na crescente insatisfação do Exército e das camadas médias urbanas, ao mesmo tempo em que surgiam tensões no próprio seio da camada social dominante. Os militares, que haviam se afastado da vida política depois do governo de Floriano Peixoto, reapareceram na campanha presidencial de 1909. Nessa campanha, a cúpula militar aliou se à oligarquia gaúcha. Manifestavam-se os primeiros abalos da política do "café com leite", até então dominante. O Exército tinha reaparecido no cenário das disputas políticas em 1910, mas então o fizera subordinado às poderosas oligarquias de Minas e Rio Grande do Sul. Apoiado por essas forças, o marechal Hermes da Fonseca foi lançado como candidato à presidência. Rui Barbosa, seu opositor, era apoiado por São Paulo e Bahia, e baseou toda a sua campanha na ideia "civilista", contra a ascensão militar, identificando Hermes da Fonseca ao militarismo Rui Barbosa foi derrotado, enquanto Hermes da Fonseca, depois de eleito, lançou se à "política das salvações", que consistia na intervenção federal nos Estados “indisciplinados”.
Apesar da eleição de Hermes da Fonseca e do papel de destaque exercido por Pinheiro Machado, presidente do Senado e chefe da oligarquia gaúcha, após o seu mandato a antiga política, que tinha Minas e São Paulo como eixo, foi novamente retomada. A crise política reapareceu, entretanto, em 1922 [35], nas eleições para a sucessão de Epitácio Pessoa, quando Minas e São Paulo resolveram a questão indicando Artur Bernardes (político mineiro) para a presidência, e já acertando a candidatura de Washington Luís (paulista) como sucessor de Bernardes.
Diversamente das experiências comunitárias “toleradas” do Império, em relação ao movimento operário urbano, o Estado, nesse período, só aparecia para reprimir as greves: a questão social era “uma questão de polícia”, nas célebres palavras de Washington Luis. A ordem estabelecida não reconhecia nenhum direito em relação ao seu trabalho. Os deputados e senadores, indiferentes aos problemas sociais, negavam projetos assistenciais e de proteção aos operários, solicitados por seus representantes. Como os novos operários eram na sua maioria estrangeiros, não tinham o direito de frequentar escolas públicas, e ainda menos acesso à saúde pública ou saneamento básico. A Igreja Católica da época era extremamente conservadora e reproduzia o discurso das classes dominantes: o nascimento da fábrica, no Brasil, acompanhou se de baixos salários e de miséria social sob todas as suas formas.
Nas primeiras duas décadas do século XX, o movimento operário brasileiro não fez senão crescer. Segundo Edgar Carone: “Social e politicamente, o proletariado é uma força que se manifestou de modo lento. De origem agrária, logo se avoluma com a imigração e desenvolve uma consciência política de tradição europeia. São anarco-sindicalistas, socialistas, anticlericais, usando tática política dos movimentos italianos e espanhóis, onde então Bakunin predominava sobre Marx. As primeiras organizações, como o Partido Socialista Brasileiro (1902) e a Confederação Operária Brasileira (1908), refletem estas concepções. Os primeiros dez anos do século, além de mostrar certa maturidade organizadora no proletariado das grandes cidades (sindicatos, partidos e jornais), levam no a exigências de classe contra os baixos salários” [36].
Finalmente, a greve geral de 1917, em São Paulo, seguida pelas greves de 1918 no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul, marcaram um momento em que a força do movimento operário se manifestou, com um impacto muito grande. Ela vinha sendo preparada por um crescendo importante do movimento operário: 111 greves operárias foram realizadas no Brasil, entre 1900-1910; e 258 no período de 1910-1920, excluindo a conjuntura 1917-1918. Boris Fausto, pesquisando os anos entre 1917 e 1920, com dados restritos a São Paulo e Rio de Janeiro, levantou a ocorrência de mais de 200 greves operárias, com participação direta de cerca de 300 mil trabalhadores [37]. Com o início da Primeira Guerra Mundial, o Brasil tornou-se exportador de gêneros alimentícios aos países da "Tríplice Entente"; essas exportações se aceleraram a partir de 1915, reduzindo a oferta de alimentos disponíveis para o consumo interno, e provocando altas em seus preços. Entre 1914 e 1923, o salário havia subido 71% enquanto o custo de vida havia aumentado 189%; isso representava uma queda de dois terços no poder de compra dos salários. Para salário médio de um operário de cerca de 100 mil réis correspondia um consumo básico que para uma família com dois filhos atingia 207 mil réis. O trabalho infantil era generalizado.
Em 9 de julho, uma carga de cavalaria lançada contra os operários que protestavam na porta da fábrica Mariângela, no Brás, resultou na morte do jovem anarquista espanhol José Martinez. Seu funeral atraiu uma multidão que atravessou a cidade acompanhando o corpo até o cemitério do Araçá, onde foi sepultado. Indignados e já preparados, os operários da indústria têxtil Cotonifício Crespi, com sede na Mooca entraram em greve, e logo foram seguidos por outras fábricas e bairros operários. Armazéns foram saqueados, bondes e outros veículos foram incendiados e barricadas foram erguidas em meio às ruas. A paralisação de 1917, iniciada no setor têxtil, propagou se rapidamente e atingiu a área portuária e o interior, envolvendo cerca de 50 mil trabalhadores. As principais reivindicações eram aumento de salários, proibição do trabalho infantil, jornada de oito horas, garantia de emprego e direito de associação. O governo reprimiu o movimento com todos os recursos de que dispunha, mobilizando a polícia, tropas militares e até a Marinha de guerra.
As reivindicações da greve, publicadas em A Plebe de 21 de julho desse ano, incluíam: “Que sejam postas em liberdade todas as pessoas por motivo de greve; que seja respeitado do modo mais absoluto o direito de associação para os trabalhadores; que nenhum operário seja dispensado por haver participado ativa e ostensivamente no movimento grevista; que seja abolida de fato a exploração do trabalho dos menores de 14 anos nas fábricas, oficinas, etc.; que seja abolido o trabalho noturno das mulheres; aumento de 35% nos salários inferiores a $5000 e de 25% para os mais elevados; que o pagamento dos salários seja efetuado pontualmente, cada 15 dias e, o mais tardar, cinco dias após o vencimento; que seja garantido aos operários trabalho permanente; jornada de oito horas e semana inglesa” (ou seja, de 40 horas).
O grito de guerra de “greve geral” se espalhou por todos os cantos. Durante a Primeira Guerra Mundial, a economia brasileira, que atendia apenas 5% das necessidades de consumo do país, enfrentou escassez e a carestia inéditas: a pressão da carestia de vida, e dos baixos salários, criaram um cenário explosivo. Os trabalhadores têxteis, em especial as mulheres, foram os protagonistas principais das greves. Frente ao endurecimento da política patronal, iniciaram um duro processo de luta; locaute patronal e repressão policial foram enfrentadas nas ruas pelos trabalhadores organizados. A Liga Operária da Mooca, que participava da organização dos têxteis, respondeu negativamente, em maio de 1917, na véspera da greve geral, a um chamado de um centro socialista que pretendia “cuidar de questões organizatórias da ação operária, com o objetivo, se necessário, de preparar uma greve geral”.
A expressão política das reivindicações operárias foi feita através do “Comitê de Defesa Proletária”, liderado por figuras do anarco-sindicalismo, como Edgard Leuenroth e Gigi Damiani, e com a participação de socialistas favoráveis ao movimento, como o jornal Avanti, editado em italiano. Afirmava o Comitê – no jornal A Plebe, de 21 de julho de 1917 – que “noutras partes, noutros países, o que pede o Comitê de Defesa Operária – um comitê que se deve considerar subversivo – estaria já proposto pelas próprias classes conservadoras como medida de defesa dos próprios interesses”: “A burguesia industrial paulista, setor mais astuto das classes dominantes, percebeu logo que a pura repressão não daria conta do conflito. Formou-se, então, uma Comissão de Jornalistas (todos da grande imprensa) que serviria de mediadora entre operários e patrões. Os grandes empresários aceitaram uma série de reivindicações. O presidente do Estado e o prefeito de São Paulo prometeram, da parte do governo, fiscalizar as condições de trabalho de mulheres e menores, o preço e a qualidade dos gêneros alimentícios e libertar os operários presos. Os empresários concederam 20% de aumento salarial e a promessa de não dispensar os grevistas. No dia 15 de julho, em grandes comícios operários no Brás, Lapa e Ipiranga, a massa grevista aceitou o compromisso patronal, a partir da proposta de volta ao trabalho levada pelo Comitê de Defesa Proletária” [38].
70 mil trabalhadores haviam aderido ao movimento. Líder do Comitê de Defesa Proletária, Edgard Leuenroth [39], escreveu: “A situação ia se tornando cada vez mais grave com os choques entre a Polícia e os trabalhadores. O Comitê de Defesa Proletária, somente vencendo toda a sorte de dificuldades conseguia realizar apressadas reuniões em pontos diversos da cidade, às vezes sob a impressão do ruído de tiroteios nas imediações. Tornava-se indispensável um encontro dos trabalhadores, para ser tomada uma resolução decisiva. Surgiu, então, a sugestão de um comício geral. Como e onde? E como vencer os cercos da Polícia? Mas a situação, que se desenrolava com a mesma gravidade, exigia a sua realização. O perigo a que os trabalhadores se iriam expor estava sendo transformado em sangrenta realidade nos ataques da Policia em todos os bairros da cidade, deles resultando também vítimas da reação, inúmeros operários, cujo único crime era reclamarem o direito à sobrevivência...
E o comício foi realizado. O Brás, bairro onde tivera início o movimento, foi o ponto da cidade mais indicado, tendo como local o vasto recinto do antigo Hipódromo da Mooca. Foi indescritível o espetáculo que então a população de São Paulo assistiu, preocupara com a gravidade da situação. De todos os pontos da cidade, como verdadeiros caudais humanos, caminhavam as multidões em busca do local que, durante muito tempo, havia servido de passarela para a ostentação de dispendiosas vaidades, justamente neste recanto da cidade de céu habitualmente toldado pela fumaça das fábricas, naquele instante, vazias dos trabalhadores que ali se reuniam para reclamar o seu indiscutível direito a um mais alto teor de vida. Não cabe aqui a descrição de como se desenrolou aquele comício, considerado como uma das maiores manifestações que a história do proletariado brasileiro registra. Basta dizer que a imensa multidão decidiu que o movimento somente cessaria quando as suas reivindicações, sintetizadas no memorial do Comitê de Defesa Proletária, fossem atendidas".
Lia-se num editorial da época d´O Estado de S.Paulo: “A torre dos privilégios desaba. Fê-la tremer em seus alicerces seculares a teoria socialista, a equivalência, ainda não reconhecida, mas já vitoriosa, do capital e do trabalho. Os capitalistas bem avisados não ignoram, os governos cautos estão fartos de o terem notado, e ambos os grupos se harmonizam e colaboram à procura de uma solução sem conflito violento com a nova força que se apresenta em campo revestida de uma pujança invencível”. No balanço final do movimento de 1917-1918, feito por Astrojildo Pereira, ativista anarco-sindicalista e futuro fundador do PCB (1922), em A Plebe de 4 de junho de 1921, dizia se: “A organização por ofício, localista e federalista forma uma verdadeira poeira de núcleos dispersos e dispersivos, onde as energias, ao invés de se concentrarem num bloco homogêneo, se desperdiçam infrutiferamente, e o que é mais grave, se amesquinham um estreito espírito corporativista. Temos visto os resultados de tal sistema: fraqueza particular de cada sindicato, fraqueza geral das federações, diante da força compacta e agressiva do inimigo. Os ataques fracionários das massas dispersas do proletariado contra esse bloco só servem para o aniquilamento fracionário, mas gradual e constante, do proletariado”.

Manifestação operária durante a greve de 1917 [São Paulo, Bairro do Brás]

Apesar de limitada às regiões industrializadas, a greve, nos locais em que se efetivou, teve um impressionante grau de adesão. A resposta do Estado também foi impressionante. A legislação tratava como crime a ação anarquista. Estrangeiros envolvidos com essa ideologia eram extraditados. Brasileiros eram presos e humilhados em público. Durante o governo de Artur Bernardes a repressão geral se tornou aberta. Censura à imprensa, torturas, e assassinatos se tornaram condutas frequentes. A realidade social e política do país, porém, mudara para sempre. Os patrões deram um aumento imediato de salário e prometeram estudar as demais exigências. A grande vitória foi o reconhecimento do movimento operário como instância legítima, obrigando os patrões a negociar com os proletários e a considerá-los em suas decisões. Em 1918, a Câmara dos Deputados criou a Comissão de Legislação Social, encarregada de redigir leis específicas de proteção aos trabalhadores. Entre essas leis incluíam-se as de acidente de trabalho e as de férias remuneradas. Os patrões resistiram à ideia dessas leis. Mas elas foram aprovadas, o “fantasma da revolução” aparecera em 1917-18 em São Paulo e no Rio de Janeiro [40], sem esquecer a Revolução Russa de outubro do mesmo ano, e seu impacto internacional [41].

Conclusão
Afirmou-se durante longo tempo que a decadência do movimento anarquista se deveu ao fortalecimento das correntes do socialismo marxista, com a criação do Partido Comunista Brasileiro (PCB) em 1922. Nessa fundação participaram, no entanto, ex integrantes do movimento anarquista que, influenciados pelo sucesso da Revolução Russa, decidiram fundar um partido semelhante ao bolchevique. As pesquisas indicam, ao contrário, que a influência anarquista no movimento operário cresceu depois de 1922: só a repressão do governo de Artur Bernardes fez diminuir a influência das ideias anarquistas no seio do movimento operário. O presidente Artur Bernardes foi responsável por campos de concentração e centros de tortura, nos quais morreram militantes libertários (um deles foi o de Clevelândia, localizado no Oiapoque, no extremo norte do país, em escaldante região equatorial). Foi durante o governo de Getúlio Vargas que o movimento anarco-sindicalista recebeu seu golpe político fatal, devido ao surgimento dos sindicatos controlados pelo Estado e às novas perseguições políticas. Até a primeira metade da década de 1930, o anarquismo permaneceu como uma ideologia influente entre os operários brasileiros.
Entre meados do século XIX e a crise de 1929/1930, durante três quartos de século, desenvolveu-se, no Brasil, um movimento operário inicialmente isolado, mas cada vez mais forte e dinâmico, que abrigou correntes socialistas e anarquistas (além de grupos nacionalistas). Sua peculiaridade, no marco latino americano e mundial, foi atuar num quadro histórico que colocava, como problemas iminentes, a questão da democracia (perante a monarquia ou perante a República oligárquica e censitária), a questão da unidade nacional e, sobretudo, a questão da abolição da escravidão, questões todas que tenderam a subordinar a “questão social”. Seus dirigentes, seus teóricos e correntes políticas, não deixaram de se colocar os problemas do direcionamento político do movimento operário em condições peculiares, excepcionais no cenário mundial.
Ao mesmo tempo, o movimento operário e socialista foi extremamente atuante, e criou tradições políticas e organizativas que obrigaram a sucessivas mudanças da política estatal diante da “questão social”. O desenvolvimento histórico ulterior do país, e o desenvolvimento do próprio movimento operário, são incompreensíveis senão à luz da atividade operária, assim como da atividade socialista e anarquista, na segunda metade do século XIX e no primeiro quartel do século XX. Os problemas que se colocaram, nesse período, para o proletariado militante, não deixaram de se colocar, em novas condições, mas conservando com aqueles uma profunda identidade, nas décadas posteriores, chegando até os dias atuais. Seu estudo não é, portanto, um passatempo reservado a historiadores, mas uma fonte de reflexões e lições que conservam vigência até o presente.


Notas
[32] Hermínio Linhares. Contribuição à História das Lutas Operárias no Brasil. São Paulo, Alfa Ômega, 1977.
[33] José Inácio de Abreu e Lima (1794-1869) foi militar, político, jornalista e escritor. Sendo brasileiro de nascimento, participou com destaque das guerras de independência da América espanhola. Devido a isso, é conhecido como “General Abreu e Lima” por ter sido um dos generais de Simón Bolívar, líder da independência da América hispânica. Abreu e Lima saiu do Brasil em 1818, após a execução de seu pai, o Padre Roma (ex-sacerdote que abandonou a batina para casar-se) em 1817, devido ao envolvimento deste na Revolução Pernambucana. Naqueles tempos, as Ordenações do Reino não limitavam suas punições aos réus de crime de lesa-majestade, mas impunham-nas até a segunda geração. Sendo um jovem militar em início de carreira, a execução do pai nessas condições sepultava-lhe a carreira militar no Brasil. Incorporou-se ao exército de Bolívar, com a patente de capitão, e participou das batalhas decisivas da luta de libertação da Venezuela e Colômbia. Abreu e Lima é considerado um dos heróis da independência da Venezuela e tem maior reconhecimento nesse país do que no Brasil. Com a morte de Bolívar, e o não reconhecimento de sua patente pelo governo de Santander, que o sucedeu, abandonou a Colômbia. Esteve nos Estados Unidos, na Europa e, em seguida, retornou ao Brasil, fixando residência no Rio de Janeiro. Em 1844, retornou a Pernambuco. Foi preso sob a acusação de envolvimento na Revolta Praieira (1848). Em relação a este episódio existem divergências quanto a sua atuação. Algumas fontes afirmam que ele efetivamente não participou dessa revolta, sendo nela envolvido devido à participação de seus irmãos, razão por que foi depois inocentado dessa acusação. Outras fontes afirmam que ele esteve efetivamente envolvido e que foi posteriormente anistiado pelo governo imperial.
[34] Tobias Barreto de Meneses (1839-1889) foi filósofo, poeta, crítico e jurista brasileiro, vinculado à “Escola do Recife”, movimento filosófico calcado no monismo e evolucionismo europeu. Influenciado pelo espiritualismo francês, passou depois para o naturalismo de Haeckel e Noiré. Em 1870, passou a defender o germanismo contra o predomínio da cultura francesa no Brasil. Fundou o periódico Deutscher Kämpfer (Lutador Alemão) de pouca repercussão. Escreveu ainda Estudos Alemães, para a difusão da germanística. Iniciou o movimento denominado “condoreirismo hugoano” na poesia brasileira.
[35] O descontentamento contra a oligarquia dominante atingiu o auge com as revoltas tenentistas, que tiveram dois focos principais: o Rio Grande do Sul (1923) e São Paulo (1924). No Rio Grande do Sul, a revolta tenentista teve o imediato apoio da dissidência oligárquica da Aliança Libertadora e dirigiu-se para o norte: Santa Catarina e Paraná. Em São Paulo, a revolta foi desencadeada sob a chefia do general Isidoro Dias Lopes, que, não podendo suportar as pressões das tropas legalistas, dirigiu se para o sul, encontrando se com as tropas gaúchas, lideradas por Luís Carlos Prestes e Mário Fagundes Varela. Os principais nomes desse movimento foram: Juarez Távora, Miguel Costa, Siqueira Campos, Cordeiro de Farias e Luís Carlos Prestes. Este último, mais tarde, desligou-se do movimento para ingressar no Partido Comunista do Brasil, tornando-se seu dirigente principal. Formou se assim, em 1925, a célebre Coluna Prestes, que durante dois anos percorreu cerca de 24.000 km, obtendo várias vitórias contra as forças legalistas. Inutilmente procurou sublevar as populações do interior contra Bernardes e a oligarquia dominante. Com o fim do mandato de Artur Bernardes, em 1926, a Coluna entrou na Bolívia e, finalmente, se dissolveu.
[36] Edgar Carone. Movimento Operário no Brasil (1877-1944). São Paulo, DIFEL, 1979.
[37] Boris Fausto. Op. Cit.
[38] Victor Leonardi e Francisco Foot Hardman. Op. Cit.
[39] Edgard Frederico Leuenroth (1881-1968) foi tipógrafo, jornalista, arquivista e propagandista, e um dos mais notáveis ativistas anarquistas do período da Primeira República brasileira. Fundou diversos jornais e colaborou em diferentes funções junto a outros. Esteve envolvido com os periódicos O Boi, O Alfa, Folha do Braz, O Trabalhador Gráfico, Portugal Moderno, A Terra Livre, A Lucta Proletária, A Folha do Povo, A Lanterna, A Guerra Social, O Combate, A Capital, Eclectica, Spartacus, A Plebe, Romance Jornal, Jornal dos Jornaes, A Noite, Ação Libertária e Ação Direta. Foi também fundador de diversas entidades vinculadas a imprensa, entre estas o Centro Typographico de São Paulo, a União dos Trabalhadores Gráficos, a Associação Paulista de Imprensa e a Federação Nacional da Imprensa. Em 1917 foi julgado e condenado como um dos articuladores da greve geral. Foi responsável da constituição de um dos maiores arquivos existentes sobre a memória dos movimentos operário e anarquista, que hoje está sob os cuidados da Universidade de Campinas, levando o seu nome. Este autor teve a honra de ser um dos construtores desse arquivo, em seu período inicial.
[40] “Haveremos de mostrar que a revolução social não é uma utopia”, disse Carlos Dias, membro da União Gráfica, em seu discurso no ato público de 1º de maio de 1918.
[41] Cf. Moniz Bandeira. O Ano Vermelho. A Revolução Russa e seus reflexos no Brasil. São Paulo, Expressão Popular, 2004.


Bibliografia básica
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Um comentário:

  1. Muitíssimo relevante esse trabalho do prof. Osvaldo Coggiola, que se constitui numa importantíssima contribuição para o entendimento da história do movimento operário no Brasil.

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