sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

O que o silêncio tem a nos dizer?

Ensaio
Recebido em 11 de fevereiro de 2016
Por João Paulino, acadêmico de Direito da UnP, militante da Nova Práxis, ativista dos Direitos Humanos e dirigente do PSOL em Fernando Pedroza/RN.

Manipulação da informação

Há muitos anos a política potiguar é regida pela batuta de figuras que compõem as oligarquias que se apoderaram do Estado, através de instrumentos que têm como características principais o autoritarismo, o terror, o chicote. Não destoando desse cenário, o contexto político angicano se vê por muito tempo dominado por essa velha política, da enxada e do chicote, daqueles que se acham donos de mentes e corpos, daqueles que ascenderam ao poder e dele acreditam serem donos. Disso que estamos falando: dos donos do poder. Um pequeno grupo que se instalou na estrutura política e no município como sanguessugas que pretendem arrancar até a última gota de esperança de mudança. Nomes que se repetem ao longo do tempo, em uma batalha do poder pelo próprio poder. No entanto, é chegado o momento de dizer basta!
Dia 19 de dezembro durante o Congresso Municipal do PSOL/Angicos, para além de outras deliberações, fora tomada a decisão de lançar candidatura do companheiro Modesto Neto a prefeito de Angicos, como legítima alternativa popular frente aos nomes que figuram como possíveis candidatos que repetem a política suja que se institucionalizou; nomes, rostos e mãos que trazem as marcas do autoritarismo. Mais que ser contra esses nomes, a candidatura proposta pelo PSOL é um manifesto contra um modelo de política refratário do que se exige em uma sociedade democrática; é uma ode à construção de um programa político revolucionário, radicalmente democrático, alinhavado com os interesses do povo, e não de um grupo minoritário.
No entanto, apesar da manifesta importância que a candidatura de Modesto Neto tem para o cenário político local, haja vista ser a verdadeira alternativa à ordem imposta, com um programa progressista e de pensamento social, a mídia angicana resolveu silenciar-se. Mesmo com o apoio de nomes como Robério Paulino, ex-candidato ao governo do Estado, Plínio Sampaio Jr., professor da Unicamp, Maurício Gurgel, vereador de Natal, para citar apenas esses, os meios de comunicação da cidade de Angicos resolveram se calar e não informaram para a população que caras novas se postam, com coragem para lutar por novos rumos, por novos horizontes.
Diante de tal constatação torna-se inevitável perguntar: por que isso acontece? Por que a única coisa que vemos é silêncio? E principalmente: o que esse — eloquente — silêncio tem para nos dizer? A resposta para essas perguntas é simples: os meios de comunicação locais se alinharam com a estrutura política dominante, deixando de lado o compromisso fundamental da impressa com a própria liberdade. Quando usado em determinadas circunstâncias, é preciso a percepção clara da força retórica que tem a mudez na determinação do significado do discurso. E aqui, a retórica do silêncio argumenta em favor dos interesses das classes dominantes; a mudez tornou-se instrumento de manutenção do cabresto. Como já disse Adorno: “já nada é inofensivo”. There is no free “silence”. No entanto, ainda com esse boicote à candidatura de Modesto Neto, a luta não diminui, ao contrário; isso se torna uma nova força propulsora em busca de uma nova cidade, ao encontro do fim das amarras.
O projeto lançado pelo PSOL-Angicos/RN, que tem como nome Modesto Neto e uma representativa chapa proporcional, não pretende o poder pelo poder, mas principalmente conquistar corações e trazer mentes para pensar uma nova cidade. Em verdade, o que se quer é reacender a chama da agitação, do movimento, pois como já dissera Francisco Julião: “Quem nega a agitação, nega as leis da natureza, a dialética, a ciência, a justiça, a verdade, a si próprio. O crime não está em agitar, mas em permanecer imóvel”; complemento: e em silêncio.

Modesto Neto, candidato a prefeito de Angicos/RN

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Adicione seu comentário.