quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

A direita é racista

Ensaio
Recebido em 02 de novembro de 2015
Por Gutemberg Miranda, que é graduado em Filosofia pela UFPE e leciona na UFAL.

O conservadorismo na Europa e nos Estados Unidos sempre esteve atrelado ao racismo e à xenofobia. Ainda hoje, a extrema direita do primeiro mundo mantém-se atrelada ao imaginário tradicionalista pautado pela discriminação racial e a intolerância religiosa e cultural. A extrema direita brasileira sempre encobriu o seu racismo e sua xenofobia. Dos integralistas aos dias de hoje, os conservadores brasileiros mascararam seus preconceitos sem conseguir ocultar sua estreita ligação com os movimentos reacionários liderados pela extrema direita mundial.
Apenas com o governo Lula nós tivemos a oportunidade de ver o debate em torno das questões raciais fazer parte do cotidiano político brasileiro. O PSDB nunca discutiu a problemática racial como questão política, de Estado. O combate ao racismo através de medidas concretas de inclusão só pôde ser vislumbrado do governo Lula em diante, assunto sempre negligenciado pelas elites brasileiras. É impressionante como nos últimos protestos contra o governo Dilma, o que assistimos é um verdadeiro corte racial na conjuntura política brasileira. O ódio contra a democracia e contra o governo vem predominantemente dos brancos, o que nos leva a imaginar uma reorganização da direita a partir do desmascaramento do racismo das elites.
O povo, as favelas, os negros, os miseráveis, a juventude universitária não é contra a democracia, nem vem saudando o advento da direita dos últimos anos. As passeatas contra Dilma não se misturam com os pobres, não agregam as múltiplas classes, nem as múltiplas raças. São passeatas de direita, que admitem desfilar em suas fileiras discursos intolerantes e que fazem apologia ao ódio. Os fascistas caminham juntos com os neoliberais, e conseguem visibilidade, apoio e simpatia dos opositores do governo Dilma.
O grande erro do PT foi despolitizar o Brasil. A grande crise não é econômica, mas ideológica. A principal autocrítica que o PT deve fazer é ter esquecido o ideário revolucionário. Demonstrar a violência simbólica das manifestações contra o governo, desmascarar seu envolvimento com setores de extrema direita é uma obrigação dos intelectuais brasileiros. Nenhuma concessão aos que fazem apologia à ditadura militar. O que se está tentando construir no Brasil é uma plataforma conservadora aos moldes americanos e europeus. Contra isso devemos reagir com toda a nossa miscigenação, nosso hibridismo e nosso multiculturalismo.


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