terça-feira, 3 de novembro de 2015

Lenin: sobre os sindicatos

Ensaio
26 de outubro de 2015
Por Diogo Valença, professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB).

Os clássicos do pensamento socialista, os anarquistas e comunistas, sempre foram autênticos na defesa das bandeiras de luta das classes trabalhadoras. Os órgãos de representação de classe, dentre os quais os sindicatos, conselhos de fábrica etc., sempre foram respeitados em sua autonomia. Se submetidos ao poder de grandes corporações burocráticas ou do Estado, os sindicatos perderiam o sentido crítico de pressionar a ordem vigente e construir a unidade de luta dos trabalhadores.
         É nesse sentido que Lenin, dentre outros, era um dos críticos mais duros do aparelhamento do sindicato pelos partidos e, do mesmo modo, pelo Estado. Ele dizia que o sindicato não poderia ser correia de transmissão nem do partido, nem do Estado. Se analisarmos toda a história dos partidos social-democráticos na Europa, por exemplo, veremos como o atrelamento dos sindicatos a tais organizações arrefeceu o sentido revolucionário da luta das classes trabalhadoras. Aqui no Brasil o assistencialismo vinculou o sindicato ao Estado de tipo populista, trazendo graves prejuízos para a luta independente dos trabalhadores.
         A defesa da liberdade sindical e de sua autonomia das modernas organizações burocráticas é, portanto, uma exigência para os militantes políticos das classes trabalhadoras e todas as camadas subalternizadas no capitalismo. Quando o sindicato se vincular às disputas por posições dentro do aparelho burocrático, ele perderá seu papel histórico de ferramenta de unificação da classe. Essa é uma lição que não apenas Lenin nos legou, mas todo um conjunto de clássicos do pensamento socialista, anarquista e comunista.

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