quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Aparência x Essência: a importância do método para a construção da estratégia política

Ensaio
16 de novembro de 2015
Por John Mateus Barbosa, Mestre em Educação pela UFPE/CAA. Docente na Faculdade de Belo Jardim - AEB/FBJ.

Aparência: De um lado, Lula e setores governistas "lulistas" acusam Cunha de golpista (o que é verdade, mas, não somente) e afirmam que há uma direita ultraconservadora que quer provocar um golpe à democracia com a instalação dos militares no Brasil. Portanto, a prioridade de luta da classe trabalhadora é afastar o golpe do governo e defender a Dilma. De outro, políticos da (falsa) oposição ao PT, liderados pelas modernas figuras platônicas da "Paidéia brasileira" (Moro, Bolsonaro, etc.) acusam o governo de corrupção e alinhamento político com forças e regimes ditatoriais comunistas que atrofiam o desenvolvimento do Brasil. Um governo sem a virtú da família catequizada aos domingos na escola dominical da "Companhia de Jesus" ou que despreza os sermões do pastor Malafaia. Portanto, a prioridade de luta da classe trabalhadora, quase como um "imperativo categórico", é afastar a Dilma do governo e defender o golpe (democrático).
Essência: O principal antagonismo de nossa sociabilidade, a relação capital x trabalho (em seu modus operandi periférico e dependente) e suas particularidades "à brasileira" (que inclusive são chaves analíticas para entender o racismo, o conservadorismo político, a corrupção, a violência, etc.) ficam isentas nas duas análises. Neste caso, os ajustes (societários em suas diversas dimensões) promovidos pelo capitalismo-imperial e aceitos (sorridentemente) por nossa elite, que nos coloca na "rabeira dos processos civilizatórios", deixam de ser prioridades da classe trabalhadora nestes programas-táticos-políticos. Assim sendo, o governo antigolpe e a (falsa) oposição pró-golpe batem "continência" para a corrupção (imanente ao próprio capitalismo já que entre 1/3 e 1/2 do PIB mundial são estoques de dinheiro ilegal) e para o conservadorismo político-oligárquico necessários ao trabalho na "colônia" moderna. Na tarefa de modernização e ajustes da periferia pró-capital, ambos estão de mãos dadas: governo e (des)governo. O capital imperial sorri. Na crise, são os bancos que batem recordes de ampliação da margem de lucros. São eles que catequizam a (falsa) oposição.
Confundir a "essência" pela "aparência" não é só um equívoco metodológico, mas, estratégico-tático de luta política contra o capital, seja por desatenção ou por consentimento.


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