quinta-feira, 26 de novembro de 2015

A moral política no Congresso brasileiro: conservadorismo, fascismo e o problema do valor

Ensaio
Recebido em 23 de novembro de 2015
Por Cléberton L. G. Barboza, licenciando em História do Campus do Sertão da UFAL.

Além dos problemas de dimensão econômica e política, o Brasil sofre, no mesmo âmbito político, um problema moral. A elite conservadora ainda exala seu fedor em baforadas poderosas, ares ameaçadores; talvez nunca antes na história do Brasil o Congresso tenha sido tão explicitamente reacionário, elitista. Não apenas em certos projetos de lei, mas a postura, o posicionamento de muitos deputados frente a questões importantes mostra o moralismo do qual somos atingidos, e que muito da classe média do país também manifesta, por exemplo, em seus gritos pela volta da ditadura e pela morte dos comunistas, como vimos recentemente. Há nisso um problema de valores, de não abertura para o diálogo. Nietzsche dizia que os fracos se usam de valores morais e moralismos para comover e se elevar sobre os fortes; o que vemos no Congresso hoje é mais do que nunca a vitória dos fracos, dos moralistas, tentando manter-se no poder atacando as forças de transformação social.
A bancada evangélica e nomes que dispensam comentários, como Jair Bolsonaro, são o ápice do conservadorismo na política nacional. A moral cristã, da qual se dispõem para formular seus preconceitos, tem um poder enorme num Estado que se diz laico – a própria existência de uma bancada evangélica já é uma contradição nesse sentido. O escudo da moralidade é ainda muito forte em muitos lugares, e também uma arma de dominação.
O resultado é a reprodução dos mesmos preconceitos produzidos pela mesma moralidade na história do país, hoje exposta na marginalização dos pobres, na violência contra as mulheres e homossexuais, nos privilégios das elites, na defesa da “família tradicional”, no desejo de expurgar da existência todas as formas de vida contrárias ao modelo moral que defendem, não muito diferente do que já vinha acontecendo, mas parece haver uma defesa fervorosa dessas ideias agora, num ambiente que deveria ser democrático. “A cadela do fascismo está sempre no cio”, dizia Brecht, e como ela se reproduz fácil! O espectro fascista consiste em não tolerar o diferente, e em seguida tentar eliminá-lo. Não nos enganemos quanto às ideias e discursos que circulam na Câmara hoje, eles visam higienizar e normatizar, buscam eliminar o diferente, são discursos de repressão.
Apenas na igualdade é possível expressar a diversidade, e é também papel revolucionário transformar as formas de pensar, é preciso buscar o diálogo. O fascismo, no entanto, não dialoga, e isso é um perigo quando essa mentalidade ocupa cargos de poder político. Os movimentos sociais, a luta dos oprimidos, os gritos de reivindicação por direitos e tolerância é antes de tudo uma voz, e é através dela que se faz dialogar, em fazer-se ser ouvido. Contra a mentalidade fascista que habita a política atual, apenas a luta pode abrir caminhos para o diálogo, para a transformação. Ela está lá, em todas as formas de resistência, nos protestos, na música, na poesia, na arte, propondo o diálogo, lutando pelo diálogo.

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