terça-feira, 1 de setembro de 2015

O maior embuste político dos últimos 50 anos em Pernambuco

Ensaio
01 de setembro de 2015
Por Michel Zaidan Filho, filósofo, historiador, cientista político, professor da Universidade Federal de Pernambuco e coordenador do Núcleo de Estudos Eleitorais, Partidários e da Democracia - NEEPD/UFPE.

Lamentavelmente, a imprensa que nós temos não ajuda a civilizar e/ou informar os cidadãos. Faz coro comum com o poder econômico e o poder político da nossa região. Entende-se – embora não se justifique – que a bolada de R$ 100 milhões para a propaganda institucional do ex-governador do Estado deve ter sido um grande argumento para torná-la dócil e à disposição das conveniências e interesses dos governantes de turno, seja de que partidos forem. Mas isso não explica porque a mídia local (e nacional) vem silenciando o lado obscuro das manobras eduardianas para obter recursos destinados ao financiamento (leia-se aliciamento) de partidos e candidatos de sua reeleição ao governo do Estado, tal como foi denunciado pelo senhor Paulo Roberto Costa, ex-gerente de Operações da Petrobras, em delação premiada na presença de testemunhas que estão vivas.

Mais ainda, toda operação midiática e partidária do clã eduardiano no sentido de transformá-lo num estadista, num herói nacional, num mito político, em um país carente de notabilidades instantâneas e midiáticas. O Jornal do Commércio entrou em contato com a assessoria de imprensa da Universidade Federal, através de um cientista político, para que este fizesse um comentário (supõe-se que independente) sobre o falecido, pois estava preparando uma edição especial sobre o aniversário de morte do ex-governador. Citaram um nome de alguém que tinha escrito o único livro sobre o político pernambucano, de uma perspectiva crítica. O editor do jornal ou da seção ou da matéria preferiu ouvir os companheiros de infância e de adolescência do ex-governador da época do Colégio São Bento, em Olinda, elogiando a capacidade política, agregadora, estrategista e de liderança do mesmo, desde o período do movimento estudantil e do Diretório dos Estudantes de Economia da UFPE.
Poderia ter repetido as palavras de Nietzsche: porque era tão inteligente, tão formoso, tão sábio, etc., do livro Ecce Homo. O outro, que já foi assessor de imprensa do ex-governador e presidente do Sindicato dos Jornalistas, tornou-se editor e curador de obras e eventos sobre o PSB, Arraes e o neto, com recursos da Fundação João Mangabeira. Ou seja, com recursos do fundo (público) partidário. Como se isso fosse pouco, os eduardólatras e Cia. enviaram para as nossas caixas postais eletrônicas mensagens da Fundação do PSB convidando para uma cerimônia na casa de recepção Arcádia Boa Viagem, para o lançamento das obras inéditas e inacabadas do grande e impoluto estadista falecido: Eduardo Campos. Melhor fariam se não publicassem nenhum livro com artigos alheios sem permissão estrita dos autores, e tivessem, ao menos, a gentileza de comunicá-los.
Tudo isso faz parte de um movimento político-eleitoral antecipado. O grupo político do ex-governador, na ausência do chefe, caminha para se esfacelar, sobretudo quanto mais perto ficam as eleições. As alianças – do amplo palanque montado com a dinheirama – começam a se desfazer. O PSDB dá sinais de querer uma candidatura própria, aproveitando o bom desempenho de seu candidato nas eleições passadas. O rancoroso do PMDB também se movimenta, dando sinais de que o seu partido também pode ter candidato (talvez ele mesmo). O PCdoB está sendo alijado pelo seu parceiro em Olinda e no Recife. Enfim, toda essa comoção familiar e partidária em torno de quem já morreu não passa de uma artimanha política com o objetivo de arrancar dos eleitores as últimas lágrimas pela morte do indigitado político, e para que ajudem a eleger um a prefeito, outro a vereador, outro a deputado, outro a senador e por aí vai.
Um conselho: olho vivo no Senador Fernando Bezerra Coelho, porque ele ainda não digeriu o fato de ter sido preterido pelo chefe na sucessão estadual. Nesse ambiente de disputas veladas e outras nem tanto, o apetite, a ambição política e a matreirice do Senador sertanejo ainda pode surpreender seus correligionários de partido em Pernambuco.

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