sábado, 15 de agosto de 2015

O governo Dilma é a tentativa fracassada de continuidade do lulismo

Ensaio
15 de agosto de 2015
Por Ygor Barros, historiador e militante do PSOL.

O termo lulismo foi utilizado primeiramente por André Singer, que coloca o governo do PT numa grande coalizão de partidos e movimentos, seja à direita ou à esquerda. A grande questão é que o lulismo, até junho de 2013, conseguia equilibrar e “harmonizar” as classes sociais brasileiras. Sempre conciliando, nunca confrontando. A tática do lulismo se mostrou eficiente até um determinado momento, conseguindo amenizar os conflitos e garantir uma mínima ascensão social aos de baixo da pirâmide.

Pelas redes sociais circulam memes e comentários que apenas Lula salvaria o Brasil em 2018. Há, no imaginário popular, a ideia de que a "Era Lula" foi mais avançada e progressista do que a "Era Dilma" e só o retorno do ex-metalúrgico para salvar o país da atual crise econômica e política em que se encontra.
As medidas de austeridade e de cortes de direitos feitos pelo governo Dilma também foram implementadas no primeiro mandato de Lula. A (contra)reforma da previdência, por exemplo, que os tucanos passaram oito anos tentando aprovar, mas não conseguiram graças à mobilização dos movimentos sociais. Tal reforma, de cunho neoliberal, foi aprovada no primeiro ano do governo do PT.
É bom lembrar que o atual Ministro da Fazenda, o senhor Joaquim Levy, foi também secretário do Tesouro Nacional, órgão subordinado ao Ministério da Fazenda, no primeiro governo de Lula. Os cortes nas áreas sociais durante este período não foram tão fortes como os da "Era Dilma". No entanto, é bom ressaltar que as conjunturas internacionais dos dois governos são diferentes, o que influenciou bastante tanto a "Era Lula", como a "Era Dilma".
É inegável que a expansão do Bolsa Família, a ampliação do crédito consignado e a valorização mínima do salário mínimo gerou um grande mercado interno de massas que fez com que milhares de pessoas ascendessem socialmente através do consumo. Tal ascensão deu-se pela política de conciliação e não do enfrentamento. Tais políticas de inclusão social geraram uma confusão na esquerda. O confronto foi negado, e no imaginário popular permaneceu a ideia de que “aos pouquinhos chegamos lá”.
O cenário internacional (aumento das commodities em aproximadamente 100%) proporcionou uma conjuntura econômica favorável na "Era Lula". Neste período foi possível conciliar os interesses das classes sociais no Brasil, deixando as bordas do bolo para as classes menos favorecidas. Com a crise econômica, as bordas que foram distribuídas agora são tiradas. Não é possível mais conciliar com os dois lados da moeda. É preciso escolher um lado. E a presidente Dilma já escolheu o seu!
A crise política também está em evidência. A população não acredita mais na presidente, no Congresso e nem nas instituições vigentes. Somado à crise econômica, o Brasil vivencia um período sombrio em que se mostra necessário uma terceira via, que quebre essa falsa polarização entre o dia 16 e 20. As medidas anti-povo e anti-movimentos sociais encampadas não só pelo Congresso, mas também pelo governo, trazem reflexões e dilemas para a esquerda. Parece que a dinâmica das lutas de classes vai levar obrigatoriamente os movimentos sociais a uma escolha: ou vão blindar o governo ou terão que enfrentar as medidas anti-povo do próprio governo.

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