segunda-feira, 3 de agosto de 2015

2015 tem solução?

Ensaio
03 de agosto de 2015
Por Bruno Vinicius Barbosa, estudante do curso de Direito, filiado e militante do PSOL/Olinda-PE.

Recessão prenunciada pelo ministro Joaquim Levy, alta nas taxas de juros, aumento na gasolina e energia elétrica, inflação que não dá sossego, Petrobras entregue ao fisiologismo e à corrupção, investimentos em baixa, Congresso conservador, levando a possível reforma política e tributária para o espaço, o dinheiro do BNDES estancado, intervenções neoliberais em direitos garantidos (vide o seguro desemprego), aumento nas passagens de ônibus, crise na distribuição de água, e toda uma sociedade sem saber o que esperar do país. Será que tem jeito?
Promessas vagas de um lado e oposição irracional de outro. Solução que é bom, nada! Até parece um disco arranhado o cenário político de nosso país. Entra ano, sai ano e as mesmas desculpas e erros. Se tivermos uma visão generalista e despojada de sentimentalismos ideológicos, veremos que não há lado certo nessa disputa. O que há é a antiga e mofada briga pelo poder, sendo esse o objetivo final, independente dos meios para tal. Seja se esbaldando em financiamentos milionários nos períodos eleitorais ou empresas privadas se valendo do instrumento midiático panfletário ou pagando fortunas a gurus do marketing para ludibriar o povo com suas pomposas e alienantes propagandas. Não importa! O poder é que vale.
Somando-se a todos esses nocivos ingredientes, há a crise externa que ainda se encontra mal resolvida, o que impossibilita o aumento de investimentos no país e trava a nossa exportação, além das lambanças econômicas feitas nesse primeiro mandato da presidenta Dilma, onde se gastou o que não devia e aplicou de forma incoerente em áreas inoportunas. Se observarmos o gráfico abaixo (clique para ampliar), veremos que quase 45% do orçamento da União são direcionados aos bancos para pagamentos de juros e amortizações que chegam próximo a um valor de R$ 635 bilhões.


É no mínimo estranho que a meta do governo neste primeiro ano do segundo mandato seja reter gastos se ele próprio se compromete a enviar grande parte do seu orçamento aos bancos, sobrando, como é de costume, para o bolso do trabalhador. Mas isso não é dito na mídia tradicional, muito menos pela oposição, que juntos jogam ao lado dos banqueiros, externando apenas a superfície do problema com o falso discurso da moral, mas sem interferir no intocável valor destinado ao mercado.
A inflação continua, e pelo que já foi dito, continuará a corroer o já minguado salário do povo mais pobre. Os preços dos produtos básicos da feira continuam a subir, a energia, que já era cara, aumentou mais uma vez graças à falta de investimento do governo no setor, que continua a bater na tecla do atraso preocupando-se com as sujas termoelétricas e com as futuramente obsoletas hidrelétricas sem olhar para possibilidades sustentáveis e viáveis para o nosso país, como a energia eólica e solar. As passagens dos ônibus cresceram, mas o serviço continua a ser um dos piores do mundo. A mobilidade ainda é um sonho e grande parte de nosso PIB é perdido no trânsito caótico de nossas cidades.
De fato, 2015 começou como um dos piores dos últimos tempos, e o mais lamentável é não podermos confiar em ninguém que possa indicar um caminho de crescimento econômico e social. A oposição e a situação se acotovelam para governarem da mesma maneira. O conservadorismo do Congresso cresceu, soterrando a possibilidade de reforma política e tributária.
Infelizmente não vejo uma solução em curto prazo para o país neste ano. Estamos travados na irresponsabilidade dos governantes, com a exceção (sempre ela!) da “mobilização popular”. O povo precisa entender que ele é o agente da mudança. Que a pressão popular é fundamental para o período que estamos vivendo. Necessitamos mostrar a nossa indignação contra os mais de R$ 635 bilhões enviados aos bancos, contra os escândalos da Petrobrás e possivelmente do BNDES? Espero que não! Contra a política vazia e cheia de discurso furado da oposição, que nada mais é do que um programa midiático e no plano concreto não serve para nada, precisamos nos organizar para pedir uma reforma política, um ajuste nos tributos, pedir mais responsabilidade com a água, que haja um planejamento mais sério, evitando os transtornos ocasionados pelo PSDB em São Paulo.
Demandas é que não faltam. O que falta mesmo é o povo na dianteira, organizado e unido em prol de dias melhores. Só dessa forma teremos um 2015 mais tranquilo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Adicione seu comentário.