terça-feira, 2 de junho de 2015

Nota de repúdio à repressão e à prisão arbitrária dos 15 metalúrgicos de Pernambuco

Ensaio
02 de junho de 2015
Por David Cavalcante, cientista político e militante da Insurgência-PSOL/PE

A Insurgência, corrente interna do PSOL, vem a público repudiar a postura truculenta, as prisões e os indiciamentos arbitrários movidos pela polícia militar do governo estadual do Sr. Paulo Câmara (PSB) contra 15 metalúrgicos, trabalhadores e sindicalistas, ocorridos na Cidade do Cabo-PE por ocasião dos protestos e paralisações do dia 29 de maio, convocado nacionalmente pelas centrais sindicais. Entre os 15 sindicalistas se encontrava o dirigente de nossa corrente e militante do PSOL, Alex Bandeira, que foi inclusive agredido covardemente por 5 policiais militares quando já estava imobilizado dentro do camburão da polícia, depois de ter sido coagido por um PM com uma 45mm em riste diretamente ao seu rosto.
Declaramos também que a ação perpetrada pela polícia militar do Estado é uma expressão física do violento ataque movido pelo governo federal aos direitos dos trabalhadores, com as medidas de ajuste fiscal e as MPs 664/665, que foram enviadas ao Congresso Nacional pela equipe econômica da presidenta Dilma Rousseff. Na região do Cabo-PE, desde o mês de outubro/2014 até o mês de maio/2015, foram mais de dois mil trabalhadores demitidos do estaleiro Atlântico Sul, além do aumento da terceirização nas atividades fins do próprio estaleiro. Nesse contexto, ocorreu a paralisação das obras da Refinaria Abreu e Lima, que devido ao fechamento das empresas terceirizadas teve milhares de operários sem seus créditos trabalhistas pagos. Nós da Insurgência apoiamos a mobilização permanente dos trabalhadores em sua justa reivindicação contra as investidas do capital sobre os direitos dos trabalhadores. Solidarizamos-nos com todas as categorias que lutaram neste dia nacional de paralisação e manifestação, rumo à greve geral contra o PL 4330 e as MPs 664/665. Responsabilizamos o governo do Estado de Pernambuco e sua polícia militar pela repressão e criminalização dos movimentos sociais.
Exigimos a imediata apuração da violência sofrida pelo companheiro Alex Bandeira e demais sindicalistas, entre eles também diretores da CUT e do Sindicato dos Metalúrgicos de Pernambuco, bem como a punição do Comandante da PM que tem comandado seus subordinados da corporação da Polícia Militar na região, e é o principal responsável por tal operação abusiva. Conclamamos todas as organizações sociais, o ministério público, os partidos de esquerda, a OAB, as organizações dos direitos humanos e todos os seguimentos democráticos da sociedade a se somarem contra a arbitrariedade, a violência construída contra o livre exercício de manifestação e de organização dos trabalhadores.

Recife, 31 de maio de 2015.
Insurgência/PE

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