sábado, 14 de fevereiro de 2015

Olinda, patrimônio sem cultura

Ensaio
09 de fevereiro de 2015
Por Trabalhadores na Luta Socialista [Pernambuco], corrente política interna do PSOL.

A Marim dos Caetés é considerada uma cidade que tem um forte pólo cultural e que produz som de qualidade, além dos olindenses terem um jeito próprio e excêntrico de ser e de curtir a cidade, denominado como o original Olinda style. Nossa cidade tem riquezas históricas importantíssimas, como nossas igrejas, o Mercado da Ribeira, construído no século XVII, nosso povo, nossa arte e, principalmente, nosso carnaval, considerado um dos mais democráticos do mundo. Em 1982, Olinda recebeu o título de patrimônio cultural da humanidade, concedido pela UNESCO. E em 2005, a Marim dos Caetés, foi eleita a primeira capital brasileira da cultura, com o apoio de onze mil pessoas e entidades. Todas essas premiações evidenciam o potencial cultural, artístico, histórico e turístico que nossa cidade tem.
Embora nós, olindenses, tenhamos orgulho de sobra do nosso patrimônio cultural e histórico, a cidade hoje vive um completo abandono nessa questão. Os três teatros públicos de Olinda estão fechados e os artistas locais não tem espaço para desenvolver sua arte e nem incentivo do poder público. O Cine Olinda, que foi prometido como grande espaço cultural, que abrangia desde um cinema alternativo até o teatro popular, está fechado e foi uma promessa de campanha desde 2000, quando Luciana [Santos, do PCdoB] era candidata à prefeita.
O carnaval é a festa mais popular e democrática da cidade, e segue sendo descaracterizada pela atual gestão. A camarotização de nossa festa é evidenciada nas Virgens e também durante os quatros dias de folia, em que camarotes e festas elitizadas estão espalhados pela cidade. Isso sem falar na perseguição aos artistas locais, como a Banda Eddie, que não vai tocar no carnaval por denunciar o descompromisso da prefeitura com a cultura, atrasando o salário dos artistas. Recentemente, a sociedade civil organizada saiu vitoriosa e conseguiu barrar o fechamento das ruas do sítio histórico para os camarotes, o que significava um brutal retrocesso do nosso carnaval, descaracterizando nossa festa e transformando-a em negócio.
No final de 2014, foi aprovada na Câmara Municipal de Olinda uma lei que flexibiliza a altura máxima de construção de prédios na cidade. Além disso, a prefeitura está permitindo a construção de um shopping em Olinda sem nenhum estudo de impactos de vizinhança e ambiental, o que é proibido inclusive por lei. Tudo isso mostra que a atual gestão em Olinda quer construir um modelo de desenvolvimento falido e que não combina com os olindenses.
Ser contra mais prédios, mais shoppings e mais concreto, não significa dizer que somos contrários ao desenvolvimento econômico e social. Milhares de cidades da Europa estão revendo esse modelo de desenvolvimento e, inclusive, estão derrubando shoppings para fazer praças. O desenvolvimento pleno vem através da valorização do espaço público e de nosso patrimônio. É dessa maneira que podemos atrair turistas de todo o mundo e gerar riqueza para cidade através de outra lógica desenvolvimentista.
A Marim dos Caetés precisa ser das pessoas e não do grande capital! Não podemos deixar as empreiteiras e os donos de camarotes descaracterizarem nossa cidade. O que Olinda tem de mais belo é sua originalidade, e através de nossa identidade é que vamos fortalecer nosso turismo, nossa economia, nosso povo. Outra cidade é possível e também necessária!

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