segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Qual imprensa proletária?

Ensaio
24 de dezembro de 2014
Por Gilvan Rocha, militante socialista, membro do Diretório Estadual do PSOL-CE e presidente do Centro de Atividades e Estudos Políticos – CAEP.

É com bastante insistência que uma pretensa esquerda “marxista-leninista” ou trotskista, denuncia, com todo vigor, a imprensa burguesa. Referindo-se a ela como sendo “a grande mídia”, chegam a considerá-la como operadora de um sórdido plano golpista a serviço da extrema direita. Há uma questão que merece ser colocada abertamente na mesa de discussão, caso queiramos nos reger pela verdade. Nos meus longos anos de militância socialista, por mais que eu tentasse, nunca consegui encontrar, até a data de hoje, a tão desejada e incensada imprensa proletária democrática. No início de minha caminhada, existia o jornal “Novos Rumos”, publicação do semiclandestino Partido Comunista Brasileiro [PCB], em que se registrava a total ausência da prática democrática, do livre debate, ao qual o filósofo alemão Friedrich Hegel fazia referência, dizendo ser ele a alma de qualquer partido político. Hoje as publicações de periódicos “marxistas-leninistas” ou trotskistas, difundem um único discurso, não exercitando, portanto, o saudável confronto de ideias.
Os jornais sindicais, regra geral, não se apresentam como uma imprensa proletária democrática. Isso se dá em razão de que a derrota da revolução socialista em escala mundial na década de 20 do século passado redundou na indiscutível vitória da contrarrevolução, que produziu na URSS o capitalismo de Estado sob o indevido e criminoso rótulo de comunismo, e esse ato levou a que se desse a revogação das liberdades políticas e fosse imposto o mais severo totalitarismo, que se reproduz em cada grupo, movimento ou partido que se diz “marxista-leninista” ou trotskista, não deixando a salvo os sindicatos e suas centrais.
Esse é um dado cruel de nossa realidade. Não existe, a rigor, a pretensa democracia proletária e, portanto, inexiste uma imprensa dotada dessa qualidade. Nossa grande tragédia reside no fato de que há a direita explícita e, concomitantemente, a direita travestida de esquerda que tem em comum no seu DNA a total supressão das liberdades políticas.

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