segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Socialismo e sacrifício

Ensaio
24 de dezembro de 2014
Por Gilvan Rocha, militante socialista, membro do Diretório Estadual do PSOL-CE e presidente do Centro de Atividades e Estudos Políticos – CAEP.

Somos, enquanto marxistas, absolutamente contra o sacrifício desnecessário, o sacrifício do penitente que resvala para o autoflagelo a partir da ideia mística de que o “sofrimento do corpo ameniza os pecados da alma”. Esse conceito de sacrifício sempre se prestou aos interesses das classes exploradoras, na medida em que a massa de sofredores possa se sentir bem dentro daquele pensar bastante popular: “pouco importa o sofrimento, pois Deus esta vendo e haverá de me destinar a felicidade após a morte”. Apesar de refutar esse tipo de sacrifício calcado no autoflagelo, nós, socialistas revolucionários, sabemos que é inevitável o sacrifício para a conquista do objetivo maior que é a libertação da humanidade dos grilhões do capitalismo.
Quem conhece a história do movimento socialista, verá que bem antes do socialismo marxista, militantes revolucionários, além dos menores e constantes desconfortos, chegaram ao ponto de sacrificar suas vidas na luta pela justiça e pela paz. Exemplo digno de ser ressaltado encontra-se na “Conspiração dos Iguais” quando, em torno de um manifesto igualitarista, um grupo de revolucionários, já em 1796, urdia um plano para deposição do governo burguês e a instalação de um governo do povo. Esses conspiradores logo que descobertos foram levados aos cárceres e o seu líder maior, Graco Babeuf, foi decapitado. Diante do tribunal que o sentenciou, Graco, pronunciou um destemido discurso de fé em seus propósitos.
São quase infindáveis os testemunhos de sacrifícios necessários às conquistas de nossos objetivos socialistas: desde o sacrifício da vida aos de menor monta, como uma longa caminhada, um jejum compulsório, noites mal dormidas, múltiplos desconfortos (...). Estão na lista do fazer militante.
O sacrifício de um domingo de lazer por um dia de intensa panfletagem deve ser considerado pelo militante ganho para a causa como algo que acalenta nossos corações ávidos na busca da felicidade social plena, que só poderá acontecer com a superação do capitalismo. A isso podemos dizer: bendito sacrifício, pois foi o preço imposto na nossa busca de um objetivo superior a cada um dos nossos anseios menores, enquanto indivíduos. O que foi dito pode ser reduzido à reafirmação de que não faz sentido o autoflagelo místico, entretanto se impõe o sacrifício indispensável para a causa socialista quando o momento exige.

Um comentário:

  1. A luta pelo socialismo tem que passar necessáriamente,pelo doar a causa.Lembra bem Rocha vai fazer falta.Ousar.Lutar. Vencer e Vencerem seu artigo Gilvan Rocha.O processo de construção socialita,nos leva sim ao sacríficio,na busca de uma sociedade,com oportunidades,com a distribuição de renda em mãos dos que trabalham,e,não dos especuladores..Gilvan Rocha sempre presente.Ousar.Lutar. Vencer e Vencer. A luta Continua.

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