quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Sobre Bolsonaro

Ensaio
17 de dezembro de 2014
Por Igor Calado, campeão brasileiro de matrículas mal sucedidas na academia e militante da FIP – Praiera.

Semana passada, o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) falou, em plena tribuna da Câmara dos Deputados, que não estuprava a também deputada federal Maria do Rosário porque "ela não merecia". Quase todos os meus colegas aqui na internet já devem ter lido e se indignado com essa notícia. No Brasil, a imunidade parlamentar não serve para garantir que os deputados cumpram com liberdade sua função, mas para garantir privilégios e proteger os indivíduos que ocupam tais cargos no legislativo. Quem não se lembra do Coronel Ubiratan que ficou conhecido por comandar o Massacre do Carandiru que terminou com a morte de 111 detentos? O coronel Ubiratan se candidatou para ter foro privilegiado e não ter que cumprir a pena de 632 anos a que foi condenado. Ubiratan foi eleito com o número 14.111. Isso mesmo, 111. Para fazer alusão ao massacre que comandou. Morreu sem nunca ter passado um dia na prisão.
Evidente que o deputado Bolsonaro está usando a sua imunidade para através dessa, e de outras polêmicas, aglutinar sobre si as forças mais conservadoras e caricatas do país. As críticas que temos visto nas redes sociais são justas, mas nós já vimos esse filme! Se as críticas não forem acompanhadas de medidas concretas que gerem prejuízos ao deputado por parte dos demais parlamentares e da sociedade civil, o resultado será o mesmo que ocorreu no episódio do pastor fundamentalista Marco Feliciano.
O famigerado Feliciano ao ocupar a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, após acordo com o atual governo, se projetou nacionalmente, passou a viajar pelo Brasil como espécie de herói pentecostal defendendo a torto e a direito a volta da Idade Média. Reelegeu-se com centenas de milhares de votos a mais que na eleição anterior.
A verdade é que a fala criminosa de Bolsonaro não foi por acaso. Ele não está nem aí para as críticas. Garantindo-se da sua imunidade parlamentar, espera se beneficiar da repercussão, assim como fez seu amigo pentecostal.
Evidente que ao usar da tribuna para praticar o crime, o parlamentar atentou contra o princípio da moralidade, aviltou e ofendeu a dignidade do próprio parlamento, quebrando o decoro parlamentar. O que deveria levar à sua expulsão pelos demais membros da casa, como bem colocou a professora Liana Cirne Lins.
Penso que esta é uma ótima oportunidade para o governo fazer algo pelo país, diante de tantos desserviços praticados até o momento, e mobilizar a sua base aliada no Congresso para cassar o mandato de Bolsanaro. O segundo governo da "Coração Valente" ainda nem começou, mas ela já cedeu aos banqueiros, ao fundamentalismo religioso, à Confederação Nacional da Indústria e aos latifundiários. Será que vai ceder também ao fascismo descarado? E aí a grande obra da era petista será mesmo a de ressuscitar a múmia do PSDB e uma direita fascista há muito alijada da política nacional. E isso sem ser nem um pouquinho de esquerda!

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