terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Morre Gilvan Rocha aos 72 anos

Ensaio
29 de dezembro de 2014
Por Martinho Campos, ex-preso político.

Como já me expressei em e-mail para Tullo [Vigevani], ontem à noite, sinto-me muito triste pelo falecimento do camarada Gilvan. A ele, particularmente, devo todo o impulso para afirmação de minha militância de esquerda, no momento em que, vindo de Pernambuco, ele iniciou o trabalho de organização da Vanguarda Leninista em João Pessoa-PB, que veio a integrar-se ao POR(T) – Partido Operário Revolucionário Trotskista, em 1963, logo após o assassinato do camarada Jeremias (Paulo Roberto Pinto) na região de També-PE. E, igualmente a mim, outros companheiros de João Pessoa foram por ele liderados nesse processo. Junto com o saudoso camarada Aybirê, Cláudio Cavalcanti, Montarroyos, Joaquim Ferreira, Iberê Batista e outros, oriundos do PCB, do Movimento Revolucionário Tiradentes e das Ligas Camponeses, com os quais haviam rompido, desenharam um novo quadro das esquerdas revolucionárias do Nordeste brasileiro no qual tive a honra de participar.
Gilvan continuou sua saga no Ceará, sempre perseguido, sempre escapando da repressão. Esteve em Portugal, viveu a Revolução dos Cravos. Voltou ao Brasil, integrou-se ao PT e, em posição crítica, dele afastou-se para fundar o PSOL. Digamos que ele foi sempre um brechtiano, faz parte daqueles que não param de lutar, os imprescindíveis. Camarada Gilvan, presente sempre!

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