sábado, 25 de outubro de 2014

No segundo turno voto em Dilma

Ensaio
24 de outubro de 2014
Por Heitor Scalambrini Costa, Professor da Universidade Federal de Pernambuco.

Nestes últimos 20 anos, o país passou por diferentes experiências no governo federal que precisam ser comparadas. Fica muito difícil não olhar para o retrovisor para escolher o candidato nesta ferrenha e polarizada disputa no 2º turno das eleições presidenciais de 2014. No poder de 1994/2002 a política neoliberal implementada pelo Partido da Social Democracia Brasileira – PSDB deixou graves sequelas. A economia era comandada pelo neoliberalismo. Seus gestores tentavam nos convencer que o mercado daria conta das grandes e graves questões nacionais. Quem não se lembra dos cortes nos gastos públicos em obediência irrestrita aos fundamentos do Fundo Monetário Internacional – FMI? Na redução dos subsídios e no aumento dos juros? Como diziam na época, tudo para atrair a confiança do capital financeiro, e assim com novos investimentos alavancar o crescimento econômico.
Basta um pouco de memória, ou mesmo consultar os jornais e revistas da época, para se lembrar do desemprego que dobrou nos 8 anos de FHC/Aécio, trazendo a fome e a miséria para a população. Os escândalos de corrupção, as privatizações, o sucateamento dos serviços públicos, a inflação alta e o aparelhamento do Estado. Para comentar apenas o que se passou em duas áreas, de meu maior envolvimento profissional, vejam bem o que aconteceu em relação à política energética e na educação superior. A política neoliberal adotada com relação à questão energética foi catastrófica. Neste período, a energia elétrica, até então considerada um serviço essencial, foi transformada em mera mercadoria. Ocorreu a mercantilizarão deste que é um bem essencial na vida das pessoas, a energia. O desmantelamento e sucateamento do Ministério de Minas e Energia, responsável pelas diretrizes no setor energético brasileiro acabou levando ao racionamento de energia de 2001/2002. Neste setor também se dizia que o mercado resolveria tudo. E deu no que deu. O povo brasileiro jamais esqueceu.
Na área da educação superior outra grande catástrofe. Quem não se lembra do legado do ministro Paulo Renato, Ministro da Educação do governo FHC/Aécio? Durante oito anos nenhuma nova universidade federal foi criada. Nenhum concurso público para professores universitários foi realizado. Deixou um déficit de 7.000 professores. Mas se isto não fosse suficiente, vejam agora o que ocorre em São Paulo governado pelo partido político do senhor Aécio. As universidades paulistas mais bem classificadas no ranking mundial estão falidas. O governo do Estado é responsável sim, pois é o governador quem indica os reitores. Muitas vezes indicando aqueles menos votados pela comunidade universitária.
Não voto em candidatos do Partido dos Trabalhadores para presidente da república desde o primeiro mandato do presidente Lula que ao assumir, como primeiro ato, enviou ao Congresso Nacional a polêmica e mal vista Reforma da Previdência, retirando direitos dos trabalhadores. Um total contrassenso, visto que inúmeras reformas estruturais, a meu ver, eram prioritárias. Foi emblemática esta ação que acabou sinalizando como seria o governo petista.
A desilusão foi grande, pois filiado ao PT naquela época, acreditava que com a ascensão ao poder central seria possível iniciar um processo de implantação de uma nova forma de fazer política em nosso país. Rompendo assim com tudo que estava arraigado de mais retrogrado e atrasado. Mesmo nestes anos todos fazendo oposição às políticas e ações dos governos petistas, nesta hora decisiva para o Brasil não poderia me furtar de escolher entre um lado e outro. Pensei até em anular o voto. Mas ao analisar toda a historia recente, e estar convicto que depois do dia 26 de outubro estarei na oposição à esquerda daquele(a) eleito(a) para governar o país, declaro que votarei para presidente em Dilma 13.

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