quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Apoio crítico

Ensaio [1]
07 de outubro de 2014
Por Liana Cirne Lins, professora de Direito da UFPE e integrante do Grupo Direitos Urbanos.

Presidenta Dilma, espero ser oposição nos próximos quatro anos. Brigar com o governo do PT por pautas sustentáveis: pelo incentivo aos modais alternativos como solução para mobilidade ao invés de um sistemático incentivo à aquisição de automóveis através de redução do IPI, por um programa "Minha Casa, Minha Vida" que articule as premissas do direito à moradia com o direito à cidade, pela execução dos programas voltados ao gerenciamento de resíduos (lixo), pelo fim de Belo Monte. Enfim, brigar por um modelo de desenvolvimento econômico que seja sustentável. E igualmente mais afinado com os direitos humanos de um modo geral, que foram inaceitavelmente "relativizados" em seu governo.
Mas quero ser oposição ao seu governo. Porque enquanto luto por mais, quero a continuidade dos seus programas de distribuição de renda, quero menos pobreza e menos desigualdade. Porque a redução da miséria, a produção de igualdade de oportunidades não é tudo. Mas é muito. E eu quero lutar por mais enquanto meus pares estão alimentados, empregados, com acesso à educação de qualidade, a uma universidade pública que nunca viveu um tempo tão democrático e rico.
Então, nos próximos quatro anos, eu quero ser oposição. E quero ter vitórias. Quero mais. Mas amanhã eu sou Dilma, com todo meu coração. Porque o seu governo, junto com o governo Lula, representam a primeira alternância de poder em toda a história do nosso país: os primeiros passos rumo a um projeto de poder popular. Amanhã eu sou Dilma. Porque querer mais não pode me fazer ter menos.

Nota
[1] A autora autorizou a publicação deste texto, bem como de outros, que originalmente foi postado em sua página do Facebook em 04 de outubro de 2014.

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