quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Marina Silva. Que candidata é esta?

Ensaio [1]
04 de setembro de 2014
Por Michel Zaidan Filho, filósofo, historiador, coordenador do Núcleo de Estudos Eleitorais, Partidários e da Democracia [NEEPD] e professor associado do Departamento de História da Universidade Federal de Pernambuco [UFPE].

Estava em São Luiz do Maranhão fazendo palestras sobre a reforma política, quando soube da mudança do coordenador de Campanha de Marina Silva. Depois vieram as notícias sobre a deserção da base aliada, os agroexportadores e industriais, por não concordar com a agenda e/ou discurso da candidata neopentecostal. Afinal de contas, que candidata é esta?
Convém lembrar que Marina Silva rompeu com o PT exatamente por conta das contradições da política ambiental. A ênfase do "desenvolvimentismo" prejudicava as políticas de proteção do meio-ambiente. E que o ex-governador falecido teve a prudência de colocá-la na vice, e não na cabeça de chapa do PSB, prevendo as inúmeras resistências de sua base aliada. Na verdade, uma coisa seria usá-la, num acordo de mútua conveniência, como cabo eleitoral qualificado para a eleição do ex-governador do Estado. Outra coisa - muito diferente - seria colocá-la como a candidata à Presidência da República, pelo PSB. E isto porque a ex-senadora do Acre não tem nada a ver com a agenda do PSB, nem na forma nem no conteúdo. Não é e nunca foi socialista, ela é evangélica. Segundo, a agenda do PSB está mais para o Estado regulatório, gerencial do que com a agenda ambiental, de Marina Silva.
Era previsível que a tentativa da família do falecido em manter o controle da chapa, através do nome de Marina Silva, iria - como está ocorrendo agora - suscitar muitas questões da antiga base aliada, que se juntou ao projeto sucessório em nome de outras ideias, outro discurso e outro candidato. A mudança de nome não seria uma mera formalidade, em se tratando de uma pessoa, como a líder do partido Rede Sustentabilidade. O que ocorre é a presença de um partido dentro de outro partido, por mera conveniência político-eleitoral.

Nota 
[1] o autor é colaborador regular do blogsintese e também de outros blogs. Por isso, este texto pode ter sido publicado em outros veículos.

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