quinta-feira, 31 de julho de 2014

Salve Gaza! Vitória ao povo palestino!

Boletim – Jun/Jul 2014
30 de julho de 2014
Por Movimento Síntese Socialista

Neste momento está ocorrendo um genocídio na Faixa de Gaza. O Estado de Israel, há mais de duas semanas, realiza ataques aéreos, combinados com artilharia pesada e invasão por terra a bairros populares densamente povoados. Já foram assassinados mais de 600 palestinos, quase todos civis, sendo 121 crianças segundo a UNICEF, e há pelo menos 3.720 feridos das quais 904 são crianças. A Faixa de Gaza é uma área estreita de 10 (dez) por 42 (quarenta e dois) quilômetros, quase a metade da área da cidade de Salvador, possuindo a maior densidade demográfica do mundo, com 4.500 habitantes por quilômetro quadrado, onde vivem cerca de um 1,8 milhões de palestinos. Boa parte dos palestinos residentes na Faixa de Gaza trabalha em Israel. Não possuem os mesmos direitos trabalhistas nem civis que um cidadão israelense, tendo restrições de deslocamento e vivenciando a tortura como um método legal de investigação caso sejam presos pelas autoridades israelenses.
Relações semelhantes ao apartheid que existiu na África do Sul, onde o tratamento desigual dado aos negros se sustentava no pressuposto de que as comunidades onde residiam eram considerados territórios autônomos. Portanto, o negro para sair do bairro de onde morava e ir ao trabalho necessitava de autorização como estrangeiro, não podendo andar livremente, e sendo “livre” apenas para ir de casa ao trabalho e do trabalho para casa. Da mesma forma, não possuíam os mesmos direitos trabalhistas nem os civis que os brancos sul-africanos, já que eram estrangeiros. Não por acaso Israel apoiou o apartheid sul-africano até os seus últimos dias.
Nesse cenário, foram sequestrados e mortos três jovens israelenses na Cisjordânia que circulavam entre colônias/assentamentos ilegais que são tidos como violações da IV Convenção de Genebra segundo a Anistia Internacional. Israel acusou o Hamas pelos sequestros, que por sua vez não assumiu a responsabilidade. Em represália, um palestino foi sequestrado, torturado e queimado vivo em Jerusalém. Após o sequestro, Israel fez pequenas incursões militares em Gaza buscando os sequestrados. Em tais incursões, foram assassinados cinco palestinos. Poucos dias antes do episódio dos sequestros, o Hamas, movimento político majoritário em Gaza, havia anunciado um acordo com o grupo Fatah, movimento político majoritário na Cisjordânia, para a formação de um governo de unidade nacional. Pondo fim a um longo período de conflitos entre os dois grupos, fortalecendo a unidade do território e sendo também um importante passo no sentido de obter reconhecimento internacional do território de Gaza. “O momento para essa união é complicado, e com certeza ficamos desapontados com este anúncio” disse Jen Psaki, porta voz do departamento de Estado norte-americano.  Desapontamento que se expressou no apoio irrestrito ao massacre dos palestinos que busca essencialmente pôr fim às pretensões dos palestinos de se tornarem um Estado soberano.
Após intenso bombardeio, o exército de Israel invadiu a região por todos os lados da fronteira. Em um ataque a um hospital em Gaza foram mortos 5 e feridos 15 palestinos. A imprensa internacional se refere ao genocídio como um “conflito entre povos” e as famílias palestinas assassinadas como “baixas”. O governo americano reconhece o legítimo direito de Israel de se defender dos palestinos. Já Dilma Rousseff [PT] afirmou: “O Brasil é contra a violência dos dois lados, tanto de Israel quanto da Palestina", mas realiza comércio de armas do Brasil com Israel.
Todos devemos demonstrar nosso repúdio ao genocídio dos palestinos, antes de mais nada, por razões humanitárias. Pouco podemos fazer militarmente daqui. Nossa luta será pela divulgação dos fatos e, como o movimento Boicote, Desinvestimento e Sanções a Israel (BDS) sugere, o boicote a todos os produtos israelenses e principalmente ao fornecimento de armas ao Estado de Israel. No mundo, 7 ganhadores do prêmio Nobel e mais 57 pensadores e personalidades públicas assinaram manifesto pedindo embargo de armas a Israel.
Em Londres foram 100 mil manifestantes no ato de apoio aos palestinos. Também ocorreram atos em Paris, São Paulo, Chile, Bélgica, África do Sul, Turquia, Indonésia, Alemanha e Israel, entre outros. A Palestina resiste! Pelo fim do massacre e do bloqueio à Gaza! Que o Brasil rompa relações diplomáticas e econômicas com Israel!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Adicione seu comentário.