terça-feira, 22 de julho de 2014

O massacre de Gaza e a economia política

Ensaio
22 de julho de 2014
Por Tato Silva, ativista social, bacharel em filosofia e bacharelando em direito.

É sempre difícil falar de uma economia e de uma política de lugares tão distantes no globo terrestre. Mas graças ao milagre digital e todas as suas adaptações sociais, nós podemos hoje em dia mergulhar plenamente em assuntos que nos seriam impossíveis e ainda dar a nossa singela contribuição para que as condições de entendimento melhorem consideravelmente. Então o que acontece lá na Faixa de Gaza nos interessa tão proximamente como se ocorresse em nossa esquina.
O link acima deixa bem claro qual é a razão principal das lutas entre Israel e a Autoridade Palestina, mais propriamente o Hamas. O que se quer é a grande jazida de gás natural que foi descoberta em 2000 no offshore de Gaza e que pode solucionar problemas energéticos futuros de todo o povo israelense. Mas o direito de exploração e pesquisas nessa jazida, segundo acordo assinado com as autoridades palestinas, pertence ao Britsh Group (BG Group) com 60%, a Consolidated Contractors International com 30%, cujas proprietárias são as famílias libanesas Sabbagh e Koury. O restante das ações está concentrado na Autoridade palestina com 10%.
Assim, Israel não participa desse negócio e quer entrar nele. Todavia, a resistência do Hamas e a desconfiança do povo palestino fez com que Israel saísse da diplomacia, já comprometida por tantos conflitos, para o uso da força nas ofensivas que estamos vendo já há mais de sete dias. Tais ofensivas visam aniquilar a força do Hamas e negociar a partir do novo governo eleito algo em torno de uma vantagem para Israel em participar desse escuso acordo. Percebam que a política israelense de palavras e armas não atenta para que 80% de civis palestinos estejam sendo vítimas e nem mesmo para que ofensivas contrárias do Hamas atinjam civis israelenses. O que move o governo de Israel é a participação no lucro de uma terra que não é sua nem de fato nem de direito.
A situação é semelhante à polêmica anexação da Criméia à Rússia neste ano. O governo russo parece ter entendido que ganharia bastante acirrando os climas separatistas da Criméia e solidificando social e economicamente o seu governo. O isolamento convocado para a Rússia não encontra respaldo uma vez que a Rússia possui matéria prima interessante para toda a União Europeia e para os EUA. Já no caso de Israel o que há é uma apropriação indevida já que é uma invasão de território alheio e um extermínio não justificado que ameaça a relação entre os países. A autoridade palestina pede ajuda internacional e Israel, após um breve cessar fogo, continua atacando a Faixa de Gaza impiedosamente.
O massacre de Gaza não é em vão, na verdade, ele é parte de uma estratégia bélica determinada que objetiva um ganho econômico e político. Não é uma guerra santa nem tampouco algo parecido com o conflito por Jerusalém como judeus de todo mundo reivindicam. Trata-se de uma grande cisma por gás natural e derivados de petróleo. Trata-se de uma questão puramente econômica.


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