segunda-feira, 28 de julho de 2014

Guerra do Paraguai: submissão, genocídio e dívida pública

Ensaio
28 de julho de 2014
Por José Menezes Gomes, Doutor pela USP, Pós Doutor pela UFPE, Professor do Mestrado em Serviço Social e do Curso de Economia da UFAL de Santana do Ipanema.

A Guerra do Paraguai ocorreu de 1864 a 1870, quando a Tríplice Aliança composta por Brasil (9 milhões de hab), Argentina (1,7 milhão de hab) e o Uruguai com 260 mil hab., totalizando 11 milhões de habitantes, fizeram uma Guerra contra o Paraguai (650 mil hab). Inicialmente, para justificar a guerra, o governo argentino criou atos de provocação aos barcos e navios paraguaios que cruzavam o Rio da Prata rumo ao mercado externo. O Brasil tinha invadindo o Uruguai em março de 1864, o que acabou levando a derrubada do Presidente Atanásio Aguirre, em fevereiro de 1865 e a subida ao poder de Venâncio Flores. Esta invasão militar Brasileira levou à entrada do Paraguai, que era aliado do presidente Aguirre [1]. Esta Tríplice Aliança ocorreu mesmo existindo conflito de interesse entre estes países. Entretanto, em 1867 a Argentina e Uruguai abandonaram a Guerra. Além disso, tivemos o fato de Duque de Caxias, comandante do Exército Brasileiro ter pedido demissão em 1869, por considerar a continuidade da Guerra uma carnificina. O seu substituto, Conde d'eu, marido da princesa Isabel, foi responsável por vários massacres, entre eles o de ter fechado um hospital paraguaio e colocado fogo e de por veneno nos poços de água, para eliminar toda a população, seja civil ou militar.
O Paraguai, que antes era o país mais desenvolvido do continente com ensino público e alto índice de alfabetização, passou a ter um quadro econômico e social mais dramático. Suas indústrias nascentes destruídas, sua população quase foi exterminada com a morte de 80%, onde sobreviveram mulheres e crianças e houve um retorno à produção exclusivamente agrícola. Além deste quadro ainda tivemos um governo fantoche, tendo em vista a ocupação militar do Brasil até 1874. Não bastou perder grande parte de seu território (390 780 km ²), o genocídio de 80% de sua população, a destruição de sua infraestrutura e sua capacidade produtiva, ainda restou a dívida pública [2] fruto de empréstimos junto a Inglaterra para pagar reparação de Guerra a Argentina e Brasil. Este fato vai dar início a dependência financeira junto a Inglaterra, a grande oficina do mundo. Este país foi vitima de um genocídio e ainda teve que pagar pelo massacre que sofreu.
Entre os mortos do Brasil tivemos a maioria constituída por escravos colocados na condição de soldados, no projeto da embranquecimento ou de extermínio de parte da população negra. O Brasil se manteve em seguida preso ao modelo agroexportador via monocultura do café. Somente nos anos de 1930 o Brasil deu início ao seu processo de industrialização, logo após a crise de 1929 e a Depressão dos anos 30.
A Inglaterra foi a grande beneficiada, pois teve a liquidação de um país que tinha um desenvolvimento autônomo em relação à grande potência. Tudo isso ocorreu sem que a Inglaterra tenha declarado Guerra ao Paraguai e tivesse usado dinheiro público para defender os interesses de seus capitalistas. Bastou ter governos submissos aos seus interesses para fazerem o trabalho sujo. As guerras eram grandes negócios para a Inglaterra mesmo quando ela não atuava diretamente. Assim, emprestou dinheiro para o Brasil e Argentina, durante a Guerra e depois emprestou ao Paraguai para pagar as reparações de Guerra a Brasil e Argentina. Além disso, durante o conflito a Inglaterra vendia navios de Guerra e armamentos para os países envolvidos.
Neste caso a Inglaterra terceirizou a responsabilidade operacional e os custos da eliminação de um possível concorrente. A história oficial se encarregou de tentar transformar os dirigentes deste conflito em heróis nacionais, enquanto se tratou efetivamente de tamanha submissão aos interesses imperialistas ingleses. Ou seja, viramos bucha de canhão do imperialismo inglês. O Exército naquele momento era composto por oficiais vindos da classe média e soldados recrutados entre os escravos e pobres. Desde então tivemos a modernização e o fortalecimento institucional do Exército e uma história de sucessivos golpes de Estados com papel destacados dos militares, que vão desde a proclamação da República ao Golpe Militar de 1964, numa nova etapa de expansão do capital estrangeiro em território nacional, agora sob a hegemonia dos EUA. O Brasil cumpriu este papel sujo de eliminar um embrionário concorrente da Inglaterra, pois estava na fase inicial da sua industrialização, enquanto o Brasil estava impossibilitado de dar início ao seu processo de industrialização.
A lição que surge destes fatos é que os países que se industrializaram no final do século XIX fizeram de tudo para evitar que novos países se industrializassem como afirmava Friederich List, pois significava o surgimento de países concorrentes. Ao mesmo tempo, o governo imperial Brasileiro oferecia aos banqueiros ingleses a garantia de rentabilidade de 7% ao ano àqueles que concordassem na implantação de ferrovias para dar sustentação a expansão da atividade cafeeira, iniciando a Parceria Publico Privada ou capitalismo por conta e risco do dinheiro público. Com esta Guerra a dívida externa Brasileira vai ser impulsionada e com isso a dívida pública tem um acelerador. A dependência financeira foi a marca principal, pois da época da independência até o fim da Monarquia, o Brasil tomou 17 empréstimos em bancos ingleses, para quitar débitos antigos [3]. Tal fato comprometeu os gastos sociais e as políticas públicas, e ao mesmo tempo que assegurou o lucro dos banqueiros e ampliação da dominação financeira sobre o Brasil. A Guerra do Paraguai precisa ser revista de forma crítica para entendermos os grandes problemas atuais e os desafios que enfrentaremos. Para mais informações sobre o tema recomendo o vídeo http://www.youtube.com/watch?v=NvB22iv4F6s

Notas
[1] http://guerras.Brasilescola.com/seculo-xvi-xix/guerra-contra-aguirre.htm
[2] Esta dívida foi perdoada no governo de Getúlio Vargas.
[3] http://raphaelalves.blogspot.com/2009/10/historico-da-divida-externa-no-Brasil.html#ixzz37XsmMaSZ


Um comentário:

  1. O professor José Menezes Gomes, Doutor pela USP, Pós Doutor pela UFPE, Professor do Mestrado em Serviço Social e do Curso de Economia da UFAL de Santana do Ipanema. Deveria ter estudado história. A maioria das teses do texto já foram detonadas por historiadores sérios.
    Listei algumas das tolices do texto: ,
    1- O Paraguai não era o MAIS desenvolvido pais da favela chamada América do Sul, nem de longe poderia ser considerado desenvolvido, muito menos uma potência;
    2- Todas os governos que o Paraguai conheceu, da independência em 15 de maio de 1811, até a década de 1990 foram DITADURAS MILITARES ISOLACIONISTAS. A tese de que o Solano López foi uma espécie de visionário desenvolvimentista esquerdista já foi pro brejo há muito tempo, se baseava na história contada pelo prisma dos López, sim eles ainda existem, e por historiadores de araque dos anos 70. Apenas por política;
    3- desde o tempo de Francia os caudilhos paraguaios fecharam o país, no Paraguai da era da guerra, os López detinham o comercio da carne, entre outras aberrações, tratavam o país como feudo e seu povo como escravo, por sinal aterrorizado pela policia secreta a lá Gestapo do ditador;
    3-O “desenvolvimento” do Paraguai foi bancado , e construído pelos Ingleses, que por sinal, nem tinham mais relações com o Brasil da época..Os ingleses levaram o telégrafo; a ferrovia e um navio desmontado para ser montado em solo guarani( o Taquary). Na época, o estaleiro Mauá projetava e construía todo o tipo de navio, e tinha gente achando que o Paraguai era o gostosão;
    4- A Argentina, apesar de toda a FANFARRONICE realmente teve sua marinha foi atacada pelo Paraguai. Negar isto é negar a história, tal como negar que a guerra foi altamente impopular na confusa Argentina de então.
    As teses sobre o Brasil, bem é melhor nem comentar, mas... Coisas como o envenenamento de águas e tal foram criações dos nossos hermanos argentinos de Entre Rios e outras províncias que se opunham a guerra e por razões políticas desconhecidas pelo autor queriam se unir aos paraguaios. É verdade que os soldados daqui eram em sua maioria negra, mas isto não se explica através de um projeto da embranquecimento ou de extermínio de parte da população negra.coisa impossível numa sociedade escravista DEPENDENTE DA MÃO DE OBRA NEGRA, né camarada? Tai uma das bobeiras do movimento negro dos tais anos 70. Assim como é bobeira achar que caímos na dívida com a Inglaterra , sendo transformados em fantoches.Pedimos $ lá por que não tínhamos aqui, e como sempre nos... Alás, fantoches sempre fomos.

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