quinta-feira, 3 de julho de 2014

Cuidado com o que vai dizer por aí

Ensaio
03 de julho de 2014
Por Tato Silva, ativista social, bacharel em filosofia e bacharelando em direito.

É preocupante a sensação de inconsistência do que se diz e do que se faz nesse país. Se nós abrimos um jornal, assistimos a um programa de televisão, acessamos a um sítio virtual de notícias, tudo parece extremamente dito sem comprovação, documentação e sem o mínimo esmero para com quem se nutrirá daquela notícia. O que parece é que vivemos a era da irresponsabilidade jornalística. O tempo dos discursos passionais e parciais que invadem o lugar dos textos bem escritos e bem apurados que crescemos acostumados a ver. E na política isso toma proporções perigosas.
Um caso extremamente importante a se tomar é a cobertura que se dá ao governo do PT na presidência do Brasil. Em doze anos ficou bem delimitado quem lhe faz oposição e quem lhe apoia nos veículos de informação. A verdadeira guerra de emissoras e veículos transcende o bom senso e chega a nos fazer de bobos cada vez que queremos saber alguma coisa sobre algo. Quando pegamos um texto dos famosos veículos contrários ao governo, nós vemos as mais mordazes críticas ao governo com uma pitada de cinismo (sentido real da palavra) e sugestão de optar-se por uma alternativa. Os textos favoráveis ao governo são cheios de lacunas e verdadeiros encômios dignos de um Ruy Barbosa ao berço socialista e político do Partido dos Trabalhadores.
Opiniões à parte, eu pretendo escrever um texto que só denote essa esquizofrenia acusada por ambos os lados contra o lado oposto, já que ninguém assume aquilo que quer efetivamente dizer. Talvez o jornalismo político brasileiro tenha se dado conta tarde demais e de forma equivocada da máxima de que não há conhecimento sem interesse e que o leitor/ouvinte/telespectador também escolhe aquilo que quer ver (não é só vítima de manipulação de forma inconsciente). Se notasse mais cedo essa verdadeira máxima, não estaria em péssimos lençóis numa crise de credibilidade sem precedentes. E de quem é a culpa por isso? De todos.
Esse fenômeno produziu nas pessoas o desejo de criar sua própria forma de acesso à informação. As mídias alternativas são realidade em nosso país pela absoluta incapacidade das mídias convencionais de se abrir ao público. Em anos de jornalismo no Brasil, pouquíssimas famílias comandam esse “poder” e ditam aquilo que é notícia e de que forma chega à sala de jantar do brasileiro. São anos de controle que pela primeira vez está sendo justamente questionado. Não se sabe se estas mídias cairão no golpe de Constantino e se tornarão mídias gigantes no futuro, mas o fato é que ocupam hoje o lugar de salvação para quem não quer se valer desse desastre jornalístico que teve como último filho assombroso o jornalismo sensacionalista. Como tudo no Brasil é mais lento e cheira à fotocópia, talvez os ecos das mídias alternativas mundo afora não sirva de modelo, já que ecos não são mais realidades (cópia da cópia como diria Platão). Contudo, é possível que sirvam e que chacoalhem as estruturas rotas desse nosso jornalismo canastrão de cada dia.

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