segunda-feira, 9 de junho de 2014

Uma vez mais: a necessidade das Frentes de Esquerda nacional e estaduais

Boletim
09 de junho de 2014
Por Movimento Síntese Socialista

O mês de junho é o prazo previsto na legislação eleitoral para a realização das convenções oficiais dos partidos políticos, momento onde deverá ocorrer a aprovação das pré-candidaturas para presidente da república, governos estaduais, senado e assembleias legislativas. As principais alternativas das candidaturas representativas do capital já estão postas: PT/PMDB em apoio à Dilma; PSB/REDE em apoio a Eduardo Campos e PSDB homologando Aécio Neves. Todos possuem o mesmo projeto estrutural de governo variando apenas em suas nuances de discursos e em suas relações com os segmentos sociais e do próprio capital. Basta ver que na divulgação do TSE da lista de doares dos diretórios nacionais, tanto do PT quanto do PSDB e PSB, constam as grandes empreiteiras já conhecidas por suas relações promíscuas com o orçamento público.
No campo da esquerda socialista está a caminho um verdadeiro crime político patrocinado pelas direções nacionais do PSOL, PSTU e PCB. Sob variados argumentos haverá 3 candidatos à presidente, prevalecendo a divisão também na maioria dos Estados como reflexo da orientação nacional. As felizes exceções até agora, provavelmente serão os Estados de São Paulo, Ceará e Paraíba. Tal orientação confirma a miopia política das direções destes partidos que nada tem a ver com a tradição histórica dos clássicos do marxismo, nem tampouco com o desejo da maioria dos ativistas independentes e grupos regionais militantes. Marx e Engels conviveram anos militando no âmbito da Associação Internacional dos Trabalhadores - AIT com posições altamente divergentes de militantes, entre elas as lideradas por Bakunin, por exemplo. Lênin e os bolcheviques passaram grande parte de suas vidas batalhando por unir os socialistas em torno da construção do Partido Operário Social Democrata Russo e mesmo diante de tantas divergências e disputas internas só vieram a cindir totalmente em 1912, na VI Conferência Nacional do POSDR, pois se avaliou a postura menchevique diante do czarismo como de adaptação explícita. O próprio nome do partido só veio a mudar para Partido Comunista em 1918, pois até então adotava-se a sigla POSDR (bolchevique).
Na tradição clássica de Trotski, a postura foi a mesma. O velho experiente dirigente da revolução russa, mesmo diante de sua deportação da URSS e campanha de calúnias contra sua história e militância, só veio a romper com a Internacional Comunista depois da capitulação do stalinismo diante do regime de Hitler, com o pacto Molotov-Ribbentrop. Depois disso, adotou como estratégia de vida militante a construção da IV Internacional como organização revolucionária alternativa ao stalinismo, mas que não necessariamente deveria reivindicar o chamado “trotskismo”.
Também no histórico militante do fundador da LIT, Nahuel Moreno, a busca por aproximações entre organizações, unidades e frentes era uma perseguição permanente justamente porque não havia em sua época, e agora muito menos, organizações revolucionárias com influência de massas. Por isso, Moreno e seu grupo militou dentro de uma corrente sindical peronista e construiu o MAS argentino como resultado de fusões entre organizações e militantes de tradições distintas. Poderíamos citar uma centena de exemplos, mas a busca da unidade de ação, dos partidos unificados, das frentes e colaborações faz parte da tradição do marxismo.
A intolerância diante das divergências e diferenças, bem como a arrogância para que a realidade política existente se adapte às exigências ultimatistas e caudilhistas estão longe de contribuir para a edificação de organizações de massas independentes, tão necessárias na realidade brasileira diante da falsa tripolarização tão propagandeada pela grande mídia a serviço do capital. Bem como diante da fortaleza burocrática ainda imperante no movimento sindical dirigido pela CUT e Força Sindical.
A Frente de Esquerda também potencializaria a eleição de deputados e até senadores comprometidos com as lutas sociais no campo da oposição de esquerda ao governo, bem como facilitaria a construção de cada organização muito mais do que cada uma se apresentando de forma isolada. Portanto, a Frente amplifica até mesmo a lógica adotada pelo PCB quando dizem: “O PCB não está disposto a ser procurado apenas às vésperas das eleições para tratar de meras coligações eleitorais. Nossa proposta de Frente é para além das eleições, para além dos partidos registrados no TSE. Lutamos por uma frente permanente, de caráter anticapitalista e anti-imperialista, que se forje na luta de massas, no debate franco e que se unifique em torno de um programa comum” [Carta da Executiva do PCB de Porto Alegre em 13/05/14. Disponível em www.pcb.org.br].
 Ou seja, como é possível construir uma FRENTE ESTRATÉGICA se as organizações não possuem maturidade para formar uma FRENTE MERAMENTE TÁTICA que é uma FRENTE ELEITORAL? Sem uma convivência preliminar entre organizações distintas como é possível edificar um novo bloco histórico? Com programas de gavetas? A construção da Frente de Esquerda é uma necessidade conjuntural da luta de classes, diante da fragmentação das esquerdas e da pouca influência e debilidade que possuem todos os partidos atualmente existentes. Uma necessidade também perante as tarefas e possibilidades que se abriram após as Jornadas de Junho no questionamento ao governo do PT e de todos os governos estaduais, mas que também esgarçaram a marginalidade e o rechaço de todas as correntes do campo da esquerda socialista.
A necessidade de uma Frente de Esquerda [SOCIAL E POLÍTICA] é urgente. Não uma Frente que adote artificialmente um programa pronto e acabado de algum dos partidos, mas que congregue os partidos legais, as centenas de grupos militantes regionais independentes, além dos movimentos sociais, operários e populares, intelectuais de esquerda etc. A unidade tática eleitoral também é imperiosa perante o perigoso crescimento do sentimento antipartido e semianarquista que se desenvolve nas novas gerações do proletariado e das juventudes.
Neste âmbito, é totalmente equivocada a postura do PSTU nacional que faz exigências programáticas máximas, quando se negou a negociar o espaço aberto com a renúncia de Luciana Genro do posto de vice de Randolfe, ao passo que condiciona a formação na Frente no Rio de Janeiro com a inclusão de Cyro Garcia na lista de prioridades da coligação. Então, por um lado, temos exigências de um programa máximo. Por outro, o desejo que o PSOL faça calda eleitoral para eleger um deputado federal do PSTU? E nos 12 Estados onde a esquerda do PSOL dirige o partido? Qual a exigência programática tão inviável, em lugares, por exemplo, como no Rio Grande do Norte onde a Frente de Esquerda existiu nas últimas eleições municipais?
Obviamente que o principal responsável pela iminente apresentação fragmentada das esquerdas é a direção do PSOL e Randolfe, por ser o partido majoritário do ponto de vista eleitoral, portanto determinante no processo de alianças. Mas também há uma clara renúncia da direção do PSTU e do PCB em batalhar pela Frente no seio do movimento de massas [TANTO COM RELAÇÃO À COMPOSIÇÃO QUANTO EM RELAÇÃO AO PROGRAMA], fato que somente contribui para que a candidatura de Randolfe (que não pertence somente a ele pessoalmente) assuma tranquilamente um perfil mais próximo do “reformismo” sem nenhum incômodo ao seu lado.

PERNAMBUCO: propomos ao PSOL e a Edilson Silva que desfaçam a aliança com o PMN e busquem um acordo tático eleitoral com o PCB, o PSTU e movimentos sociais!
Em Pernambuco, sair divididos nesta conjuntura será um equívoco ainda maior, tanto do ponto de vista da criação de um pólo social e político como do ponto de vista do potencial eleitoral que poderia ser gerado para eleição de até mesmo dois parlamentares no Estado. Além de evidenciar lutas populares como a do Ocupe Estelita, entre outras. A desmoralização do PT com a perda da prefeitura da capital empurrou o partido de Humberto e João Paulo para o seu mais profundo mergulho no campo dos adversários das classes trabalhadoras: o apoio à candidatura de um megaempresário (ex-PSDB e ex-presidente da FIEPE e CNI), legítimo representante das oligarquias provincianas e do capital politicamente organizado no Estado. Este último e triste capítulo de um partido que nasceu no seio do movimento sindical e popular lutando contra o arraesismo populista e as oligarquias de Pernambuco gerará uma busca de alternativas da parte de setores significativos dos movimentos sociais da cidade e do campo. Somente uma coligação unitária das esquerdas socialistas, com um programa que dialogue com estes setores e atores militantes poderia se contrapor à falsa bipolaridade de Armando versus o marionete de Eduardo Campos. 
O Movimento Síntese Socialista afirma que ainda é possível construir a Frente! Construamos uma plenária unificada com os partidos da esquerda socialista e os movimentos sociais para discutir os nomes dos candidatos e o programa da frente! Não deixemos mais uma vez que as oligarquias, em aliança com o PT e PCdoB, ditem a agenda política do Estado! É possível construir uma Frente Eleitoral de massas! Vamos à luta!

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