quinta-feira, 26 de junho de 2014

PSOL-PE e PMN: quando os fins justificam os meios

Ensaio
25 de junho de 2014
Por René Cortez, trabalhador e ativista social

Na última quinta-feira (19/06) o PSOL Pernambuco e PMN oficializaram os nomes de Zé Gomes (PSOL) e Viviane Benevides (PMN) para disputarem as eleições estaduais para os cargos de governador e vice, respectivamente. Militantes do bloco de esquerda (Insurgência e TLS) contestaram durante a convenção a coligação que, segundo os camaradas, foi imposta pelo setor majoritário sem qualquer diálogo com a militância do PSOL. É lamentável o rumo que tomou o PSOL nestas eleições estaduais. Mas sejamos justos: já há algum tempo o PSOL de Pernambuco vem explorando como estratégia política principal a luta pela institucionalidade. Portanto, a aliança com o PMN não representa uma surpresa.
No evento que conformou a unidade PMN/PSOL, Edilson Silva, membro do campo majoritário Unidade Socialista (US) defendeu a aliança que para ele significa garantir uma melhor condição para o PSOL disputar as eleições: “Precisamos formar uma chapa competitiva. Não queremos participar de uma eleição só para fazer denúncias e exibir nossa musculatura retórica”.
É notório que o objetivo de Edilson Silva é obter uma vaga no aparato do estado democrático liberal, nem que para isso seja necessário alianças com PMN ou partidos semelhantes. Todavia, apesar de ser uma meta pessoal de Edilson Silva (obter uma vaga no aparato do estado democrático liberal) a aliança reflete também um dilema no PSOL, qual seja: ser um partido da ordem que tem como estratégia fundamental alcançar mais espaço no estado burguês-liberal ou se constituir como um partido que represente os anseios das classes trabalhadoras através de um programa anticapitalista com firme oposição de esquerda.
Sem dúvida alguma, a aliança com PMN obriga os militantes sérios que constroem o PSOL e ativistas simpáticos ao partido a fazer uma profunda reflexão dos rumos que o PSOL vem tomando. Que tipo de partido esses valorosos militantes querem que o PSOL seja?
Reconheço que o PSOL não é um partido homogêneo. Há claramente dois projetos em disputa, dois projetos diferentes. Na verdade, existem dois campos opostos no PSOL que disputam projetos antagônicos: os setores à direita, que insistem em seguir o mesmo caminho do PT, convertendo o PSOL em mais uma legenda que tem como centro de sua estratégia as eleições, e o bloco de esquerda, que quer viabilizar o PSOL como um partido anticapitalista, antirregime e socialista. Porém, a disputa pela definição do projeto para o PSOL não seguirá eternamente.

Os fins justificam os meios
A flexibilização de alianças com partidos da burguesia de certa forma indica até onde o campo majoritário do PSOL está disposto a ir para alcançar seus objetivos. Por mais delituosas que sejam estas concessões, pouco importa os escrúpulos dos meios para alcançar seus fins. Ou seja, é a velha lógica do vale tudo.
Todavia, os caminhos que os setores da direita do PSOL seguem são também o resultado de grandes pressões do aparato do Estado burguês sobre os setores burocratizados do PSOL. Essas mesmas pressões fizeram o PT abandonar seu projeto original. Pouco a pouco o PT foi abrindo concessões para o Estado burguês, aceitando que a burguesia financiasse suas campanhas eleitorais, fazendo que os parlamentares ganhassem autonomia em relação às instâncias do partido até que, por fim, pôs fim à democracia partidária. Hoje o PT adota os mesmo métodos dos partidos burgueses.
De certa forma, uma frente entre PSOL, PSTU e PCB dificultaria o projeto de Edilson Silva de chegar à assembléia legislativa de Pernambuco. Já com o PMN, esse projeto teria menos obstáculos.

Ainda segue o chamado pela unidade das esquerdas
Não foi unânime entre os militantes do PSOL a unidade com o PMN. Havia companheiros (Insurgência, TLS e independentes) que defenderam a conformação de uma frente de esquerda com o PSTU e PCB. Para esses companheiros, uma frente de esquerda entre os três partidos contribuiria para diminuir a forte fragmentação deste campo político-social aqui em Pernambuco.
Considero importante fazer esse registro, pois mesmo não sendo possível constituir uma frente durante as Eleições/2014 os setores anticapitalistas, antirregime e anti-imperialistas da sociedade juntos com as esquerdas institucionais (PCB, PSTU) e as esquerdas não institucionais (PCR, Síntese Socialista, etc.) precisam construir um espaço de unidade, pautado em um programa comum, para uma atuação conjunta nas lutas de classes.
Apesar das diferenças existentes entre as organizações das esquerdas sobre leituras de eventos históricos ou acerca de acontecimentos recentes das lutas de classes, creio ser possível construir uma unidade nas lutas tendo como base um programa anticapitalista e de esquerda. Mesmo cada partido tendo preferido construir suas candidaturas próprias.

5 comentários:

  1. Ainda Edilson e Raul Jungman Vão fazer dobradinha! Coitado de Raul que é mais esquerda que esse cara

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  2. Edilson SIlva, um dia, ser derem espaço, será um grande ditador.

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  3. Artigo de perdedores. Está achando ruim? Vai pro PSTU? Qual a construção que vocês fazem dentro do PSOL? Quais movimentos vocês participam?

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  4. Eu acho que o PSOL acertou. Até por que uma coisa não exclui a outra. Temos que fazer as duas coisas. A questão é saber fazer isso.

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