segunda-feira, 19 de maio de 2014

Terra de contrastes

Ensaio
15 de maio de 2014
Por Albenia Silva, professora da rede pública estadual de ensino de Pernambuco e integrante da Oposição Alternativa Sintepe.

Dados da Secretaria da Fazenda apontam que de 2011 a 2013 a arrecadação do Estado de Pernambuco pulou de R$ 8,6 bilhões para R$ 12,1 bilhões. Porém, o crescimento econômico apresentado não é seguido pelo quadro social. Em Petrolina, por exemplo, a comunidade de Cosme Damião sofre há 15 anos sem energia elétrica, sendo obrigada a recorrer a ligações clandestinas para poder garantir as mínimas condições de sobrevivência.
No Hospital Getúlio Vargas/Recife, funcionários denunciam a precariedade no setor de trabalho. Pacientes amontoados em cadeiras velhas, macas quebradas e deitados no chão são alguns dos problemas expostos. A violência é outro fator preocupante no Estado. Nos três primeiros meses desse ano, 18 pessoas foram assassinadas em Serra Talhada. Em Petrolina, sertão do Estado, registrou-se somente no mês de janeiro, um aumento de 40% de homicídios. Foram 26 contra 10 no mesmo período em 2013. Em apenas três dias de carnaval, 63 pessoas foram mortas e, até meados de março, 59 mulheres haviam sido assassinadas em Pernambuco.
Na educação, assiste-se o fechamento de turmas e escolas além da precariedade na estrutura física das mesmas. Em Lagoa Grande, alunos pegam carona em caminhões e charretes para poder chegar à escola. No distrito de Guadalajara (Paudalho), mais de dois mil alunos estão sem frequentar as aulas uma vez que escolas foram fechadas devido a onda de violência que assola o lugar. Em Camaragibe, alunos da rede municipal desde 2013 sequer receberam fardamento e o kit escolar. Porém, mesmo com os municípios apresentando questões sérias que chegam a comprometer a qualidade do ensino, a Secretaria de Educação de Pernambuco empurra o Ensino Fundamental para as mãos das prefeituras, num irresponsável e desastroso processo chamado de municipalização. Pernambuco é sem dúvida uma terra de contrastes.

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