terça-feira, 18 de março de 2014

Crítica aberta aos partidos políticos brasileiros

Ensaio
14 de março de 2014
Por Tato Silva, ativista social, bacharel em filosofia e bacharelando em direito.

Pela primeira vez eu falo como realista crítico, posição política e de observação que eu assumo como a mais coerente a seguir. Mesmo dessa posição muitos encontrarão elementos críticos oriundos da má gestação dos partidos políticos brasileiros. Tais críticas, na verdade, nada mais são do que necessidades de expressar dois dos grandes problemas das diferentes siglas partidárias nesse país: em primeiro lugar, o seu constante afastamento da vontade popular somente aproximando-se desta para fins eleitorais, e, em segundo lugar, do constante remendo comodista que possuem perante os principais flagelos sociais que temos. Vamos tentar destrinchar essas duas falhas, sobretudo apontando em que medida elas podem ser solucionadas.
Não é segredo para ninguém que partidos políticos são tudo menos representantes do povo, das classes populares como um todo. Desde o Manifesto do Partido Comunista, de Marx e Engels, texto que li inúmeras vezes, nós não vemos um partido que efetivamente acompanhe as demandas sociais e os gritos populares como um polo de organização da vontade do povo. Se isso não ocorre no mundo, no Brasil a situação é ainda mais alarmante. No que pese a absoluta ignorância do partido político sobre o que o povo realmente quer, o programa partidário tem nos seus interesses de cúpula um misto entre saudosismo por políticos egrégios já falecidos (os populistas de plantão) com uma atitude de composição de governo, nada tendo de representação popular. Prova disso é termos a bancada ruralista, por exemplo, representando uma classe minúscula de nossa população e tendo uma numerosidade assustadora nas câmaras legislativas. Outra prova macabra desse fato é que se leia os estatutos e programas partidários e se veja tão claramente o afastamento da realidade social plural que temos. A insistência tola em tornar tal díade a lógica político-partidária brasileira já diz tudo sobre isso.
Acerca do segundo ponto, temos uma realidade ainda mais assustadora diante das manifestações populares de junho do ano passado e dos diversos protestos oriundos pelo desejo de não realização da copa do mundo. Os diversos problemas sociais e crucificações da mídia essencialmente conservadora e reacionária que temos – como o caso do cinegrafista da Rede Bandeirante de Televisão morto numa manifestação no centro da cidade do Rio do Janeiro – apontam para uma atitude minimalista dos partidos preocupados apenas em reafirmar seus santos de pedestal e não em aprofundar as críticas sociais e a representação popular que legitima as suas existências. Parece que vivem uma apatia, ou melhor, uma ataraxia – indiferença suprema – pelos fatos e preferem os gabinetes climatizados nos quais discutem alianças e atacam ferozmente uns aos outros até que as próximas alianças os aproximem de novo. Esse discurso feroz e ferino que os une não convence mais a opinião pública inteligente cada vez mais prevenida da teatralidade política protagonizada por esses atores políticos.

Diante dessa presente acomodação e inércia dos partidos, apenas nos resta a via apartidária como tentativa de solução para essas doenças e letargias. Enquanto vociferam ser a única via de mudança efetiva no cenário político, nós nos convencemos de que até essa ameaça de condicionar como “utópico” todo o esforço contrário ou externo só serve para ratificar a condição de anacronismo desses partidos. Nós somos bombardeados pela mesmice e pela interminável fila de sucessão de políticos. Os partidos não se renovam e continuam com a mesma base de pensamento que fazia Carlos Marighella criticar o aburguesamento do PCB pré-AI5. O costume nostálgico dos partidos é a camuflagem ideal para a sua impotência frente aos problemas reais e a consolidação de melhorias para o povo. Essa improdutividade partidária é motor de minha crítica e será sempre crítica para que nosso país mude e tenha perspectiva de mudança para o futuro. Se eu, por um acaso, não me ativer a outro tema e voltar a escrever um texto com esse assunto, e os partidos continuarem como estão, provavelmente eu repetirei todas essas palavras sem que se encontre nada de anacrônico no que digo a não ser o léxico da última flor do Lácio.