segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Insurgentes da Síria, um apoio necessário

09 dezembro 2013
Por Silvio Aires, ativista político e social desde 1980

Ensaio
Insurgentes da Síria, um apoio necessário

A crise econômica que se abre em 2008 com suas expressões mais dramáticas nos Estados Unidos e Europa repercutiu em todo o mundo de forma diferenciada. No Oriente Médio, fragilizou as ditaduras nacionalistas árabes, impulsionando o que ficou conhecido como a primavera árabe.
Em março de 2011, na Síria, a prisão de alguns garotos acusados de fazerem pichações motivou protestos em Damasco que rapidamente se espalharam por todo o país, em um processo muito parecido com o que vimos aqui no Brasil com as Jornadas de Junho. A repressão aos protestos na Síria foi tão brutal que uma parte das forças armadas desertou e passou a lutar ao lado da população, dando origem ao Exercito Sírio Livre (ESL).
O governo de Bashar Al-Assad reagiu intensificando a ofensiva contra os rebeldes, especialmente fazendo uso intenso da aviação para bombardear as regiões que os rebeldes passaram a controlar. Para tanto, contou com o apoio da Rússia – que possui uma imensa base militar na Síria –, do Irã – de maioria xiita que saiu em socorro do governo da Síria, que é alauíta, uma derivação dos xiitas –, e do Hezbollah da Líbia que possui forte vinculação com o Irã.
A Síria é de maioria sunita, cerca de 70% da população, e é governada por uma minoria alauíta que conta com 6% da população. Por esse motivo, a rebelião recebeu o apoio imediato do monarca da Arábia Saudita, que é sunita, vendo na rebelião a oportunidade de que a Síria venha a ter um governo que fique sobre sua influência politica. Obteve também o apoio do governo estadunidense que, no primeiro momento, não deu grande importância ao conflito em virtude das reservas de petróleo da Síria não serem das mais importantes.
A rebelião síria também reacende a luta do povo curdo por sua independência. A Síria possui um milhão de curdos, a Armênia, trezentos mil, o Irã, cinco milhões, o Iraque, cinco milhões e a Turquia, treze milhões. Na Síria, as regiões próximas à fronteira com a Turquia são controladas por rebeldes curdos, o que preocupa todos os países que possuem populações curdas, em particular a Turquia.
Com o pretexto de fazer frente ao fato do governo sírio ter usado de armas químicas contra os rebeldes – o que de fato ocorreu –, os EUA anunciaram uma ofensiva militar contra a Síria. A opinião pública estadunidense era contrária à intervenção, assim como à de seus principais aliados. Temendo desencadear uma onda de protestos contra suas ações militares, Obama recua e busca uma solução negociada, aproximando-se do Irã. Fecha um acordo com relação a questão nuclear iraniana, liberando seis bilhões de dólares e suspendendo as sanções econômicas.
O fracasso da articulação para a intervenção militar americana na Síria, graças à oposição do povo estadunidense e europeu, relembrou o papel importante que os trabalhadores dos EUA tiveram na derrota dos interesses imperiais de seu capital, como já demonstrado na guerra contra o Vietnã nos anos 1970.
No entanto, a aproximação de Obama do Irã e o acordo para a destruição gradual das armas químicas da Síria, sinalizou uma aposta na manutenção de Bashar Al-Assad no poder, um maior isolamento dos rebeldes e o consequente aumento da ofensiva do governo sírio contra as zonas liberadas.
O povo sírio segue em sua luta para acabar com a ditadura de Bashar Al-Assad. A burguesia nacional síria se mostrou incapaz de garantir o mínimo de liberdade para seu povo. Só os trabalhadores sírios serão capazes de garantir as liberdades democráticas, juntamente com os direitos à moradia, trabalho, alimentação, saúde e educação. Se os trabalhadores não tomarem essas tarefas para si, a revolução democrática síria, mesmo que vitoriosa, será inconclusa, como a do Egito e dos demais países árabes que se rebelaram na primavera árabe.
Quanto a nós, brasileiros, não podemos manter uma neutralidade cúmplice com os massacres realizados diariamente pelo ditador sírio.

Abaixo a ditadura síria!

Apoio do governo brasileiro ao povo rebelde sírio!