quarta-feira, 27 de novembro de 2013

O umbigo é mais embaixo!

27 novembro 2013
Por Leal de Campos, Militante socialista e ex-preso político


Ensaio
O umbigo é mais embaixo!


Para nós, não se trata de reformar a propriedade privada, mas de aboli-la; não se trata de atenuar os antagonismos de classe, mas de abolir as classes; não se trata de melhorar a sociedade existente, mas de estabelecer uma nova. (Karl Marx)

Além de questionável é também recorrente se perceber que a “esquerda em geral” continua a insistir na luta anti-imperialista em detrimento de uma ação direta contra o Capitalismo, país por país.

                 Entretanto, não é imprescindível ser um teórico para se entender que, na prática, qualquer nação capitalista que alcance um alto nível de desenvolvimento econômico terá como resultado factual a busca da expansão dos negócios, para além do seu território nacional. É a lógica do sistema que nutre grupos econômicos ávidos por ampliar os mercados de consumo e alcançar lucros cada vez maiores. E, por consequência, sempre estendem essas ações, visando manter também um domínio político sobre as áreas externas abertas às negociações e acordos comerciais multilaterais.

                 Com base no conhecimento do que aconteceu na nossa história contemporânea, pode-se assegurar que os Estados Unidos (EUA) foram aos poucos se constituindo numa grande e poderosa economia capitalista, beneficiada que foi por duas grandes guerras mundiais, de 1914 e de 1939, especificamente. E, antes disso, a partir de algumas colônias da América do Norte que se uniram, pôde alcançar sua independência do imperialismo inglês e se espalhou de Leste a Oeste como um novo e dinâmico país, tomando terras dos ameríndios que ali viviam há séculos. E quase também se apossaram de todo o México, que perdeu nessa expansão territorial estadunidense quase a metade de sua área geográfica. Se não fosse esse processo de “anexação forçada” por parte dos EUA, o território mexicano seria bem maior do que realmente é no presente. Isto é um fato incontestável e de fácil confirmação através de estudos e pesquisas.
                 De outro lado, na época, ao se apropriarem de terras mexicanas e completaram o seu propósito expansionista, eles (os EUA) foram até saudados por pensadores socialistas “por promoverem um avanço do progresso” em economias consideradas atrasadas...
               Que coisa hilária, né? Nem dá para se acreditar nisso hoje em dia!
                 Bom, daí em diante os Estados Unidos foram se firmando como o principal Imperialismo da região, respaldado por vários tratados internacionais que reconheciam o seu “direito” de intervenção econômica e política, principalmente no Caribe e na América Latina, em países como: Panamá, Cuba, São Domingos, Guatemala, Porto Rico, e Colômbia, entre outros. E, de certo modo, os EUA até ajudaram esses povos a lutarem contra a colonização espanhola e buscarem as suas “independências” embora logo passassem a ser, em contrapartida, subordinados aos seus interesses imperialistas, de conformidade com o slogan afirmativo: “A América para os americanos!”. Mas, só para eles, é claro.
                 Assim sendo, após essas informações básicas e primárias, vem a pergunta que se faz necessária: Por que existem imperialismos e por que eles se mantêm?
                 Ora, a resposta é também muito simples. Eles existem e continuarão subsistindo porque o sistema capitalista se reproduz como todo, em quase todos os países do mundo, com raríssimas exceções de algumas tentativas específicas e diferenciadas na direção de economias “socializadas”.
                  E é até desnecessário afirmar que o Capitalismo em cada país é o alicerce do sistema que fomenta e alimenta os Imperialismos em todas as épocas. Também é sabido que o Capital “não tem pátria” e se compõe com outros mais, sejam internos ou externos, através das corporações empresariais criadas pelas próprias burguesias nacionais. Devido ao alto grau de internacionalização das transações, tanto os de lá como os de cá, se assemelham em todas as partes. Sem contradições insolúveis entre si.
                  Então, é preciso sim reafirmar sempre que a luta tem que ser essencialmente anticapitalista em todos os sentidos. Temos que ir diretamente às causas que produzem as consequências, visto que não podemos continuar reduzindo a luta de classes a “um inimigo” que vem fora! Ou seja, elegendo o Imperialismo como o principal responsável por todas as chagas da exploração econômica e social.
                  Denunciar e “atacar o império” estadunidense, na sua condição de maior potência capitalista desde o século passado, não é o bastante. É indispensável que se elabore um programa revolucionário de transição para se levar adiante as lutas contra o Capitalismo em todos os países, sem subterfúgios ou meias-verdades.
              Esse é o axioma que se apresenta neste século 21 para todos os militantes socialistas, dispostos a resgatar o compromisso histórico de se lutar pela transformação da sociedade e não apenas para tentar reformá-la.
                Mas, e o umbigo? Ora, tem tudo a ver com isso como metáfora.