segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Boletim – Outubro 2013

NEOCORONELISMO E ECOCAPITALISMO: UMA MISTURA CONSERVADORAVisualizar em PDF


Neste mês de outubro, a imprensa, os partidos e os cidadãos em geral, ficaram surpresos com o anúncio de filiação de Marina Silva, principal dirigente e figura pública do Partido Rede Sustentabilidade, ao PSB de Eduardo Campos.

O Partido Rede Sustentabilidade fez uma campanha de apoio democrático à sua legalização e conseguiu quase 1 [um milhão] de assinaturas solidárias. O não legalização do Rede Sustentabilidade sob as alegações do não reconhecimento [certificação] de parte das assinaturas pelos cartórios foi um impedimento burocrático para barrar uma legenda que de fato demonstrou apoio político. Obviamente, o Tribunal Superior Eleitoral não decidiu somente com um mérito jurídico, pois, se tivesse seguido a sua própria metodologia processual, poderia ter alargado o prazo, já que o Rede não poderia ser responsabilizado pela “lentidão” do reconhecimento das assinaturas de apoio pelos cartórios. No entanto, o lobby governista pesou mais perante a decisão da magistratura suprema eleitoral.

Defendemos a mais ampla liberdade de organização dos partidos e organizações dos movimentos da sociedade civil. Neste aspecto, somos solidários aos milhares de jovens e cidadãos que em geral acreditam no Rede como opção política e apoiaram tal iniciativa. Somos contra a decisão do TSE em barrar o registro do Partido Rede.

No entanto, o Movimento Síntese Socialista possui profundas diferenças políticas com o Partido Rede Sustentabilidade e com Marina Silva e queremos debater com os ativistas sociais vinculados às questões ambientalistas. Os 8 anos de governo Lula e os 3 anos de governo Dilma, a despeito de toda uma expectativa histórica dos movimentos sociais e da esquerda militante que se forjou na luta durante e após a ditadura civil-militar, significou em suas diretrizes estratégicas e principais políticas de gestão do Estado brasileiro, um aprofundamento do neoliberalismo do período anterior.

A diferença ocorre somente na roupagem social que os governos do PT tentam passar para a maioria da população pobre e os setores assalariados do salário mínimo, com os programas de transferência de renda, a exemplo do Bolsa Família, e no estímulo ao mercado interno das classes médias baixas, a partir da valorização do salário mínimo. Ao passo que os grandes monopólios do capital vinculados ao setor dos esportes, automobilístico, construção civil, agronegócio e financeiro obtiveram taxas de lucros astronômicos nestes últimos anos. Como o próprio Lula fez questão de afirmar: “nunca neste país os banqueiros tiveram tanto lucro”. Lembremos que somente o PT conseguiu privatizar ainda mais as reservas de petróleo, as estradas, os portos, os aeroportos, as ferrovias e vem derramando dinheiro a partir do BNDES para as grandes empreiteiras financiarem as obras do PAC, muitas delas totalmente questionadas pelas comunidades indígenas, camponesas e pelos pareceres científicos, a exemplo de Belo Monte e da Transposição do São Francisco. O governo do PT e seus aliados só vem governando a serviço das grandes corporações nacionais e estrangeiras porque optou por alianças sociais e políticas com os partidos, personalidades e grupos econômicos. Marina não se propõe, em nenhum momento, em romper com esse modelo. Pelo contrário, deseja aprofundá-lo, com a diferença que pretende incorporar a temática ambiental com mais centralidade para os investimentos do capital, em áreas e regiões consideradas fontes de lucratividade e ainda pouco exploradas, a exemplo da Região Amazônica.

Postula uma “Nova Política” sem apresentar nenhum conteúdo distinto, nem divergências estratégicas, com o PT ou o PSDB. Sendo que, igualmente como o PT, possui excelentes relações com setores do empresariado, como a Natura e o Banco Itaú. Por hora, são setores minoritários da burguesia. Foi esse também o caminho seguido por Lula e o PT. Mas a questão fundamental para modificar os rumos do país permanece: com quais classes sociais devemos nos aliar para dinamizar um processo de mudanças estruturais no país? Qual seria a postura de Marina diante do agronegócio e do capital financeiro? Qual seria a opção do Rede perante as exigências do capital para mais privatização das áreas ambientais, dos rios e reservas indígenas?

Diante de uma provável candidatura Eduardo-Marina, falsamente apresentada como alternativa, torna-se mais necessária uma Frente das Esquerdas, com os partidos socialistas [PSOL, PSTU, PCB], as organizações das esquerdas não legalizadas e as esquerdas sociais não vinculadas aos partidos. Para que possamos construir um programa vinculado às demandas sociais dos trabalhadores, da juventude pobre e oprimida das periferias, das mulheres, negros e negras, de todos os setores oprimidos da sociedade, etc, buscando realizar a síntese com as demandas camponesas, ecosocialistas, indígenas e regionais: uma frente anticapitalista da cidade e do campo.