quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Notas sobre Domenico Losurdo [6] – O que realmente Losurdo propõe? [Final]

Nota
Por Mário Maestri, historiador e ex-professor do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Passo Fundo (RS).


Trabalhador precário chinês

O stalinismo foi exacerbação do assalto da burocracia ao poder político na URSS, após 1917, quando do refluxo da revolução europeia. Ele se corporificou em inícios de 1930, consolidando-se quando do “Grande Terror” [1934-38], dando lugar, em 1953, com a morte de Stalin, à ditadura burocrática soft da “Era Kruschev” [1953-64]. O stalinismo e o pós-stalinismo assentavam raízes no parasitismo burocrático da URSS e das nações de economia nacionalizada e planificada. Eles vicejaram nos Partidos Comunistas satélites àquelas nações. Com a restauração capitalista de inícios dos anos 1990, dissolveu-se a base social dos stalinismos hard e soft, reduzidos a excrescências ideológicas de saudosistas. Espécies de hienas de papel.

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Notas sobre Domenico Losurdo [5] – A "Terceira Guerra" que não houve

Nota
Por Mário Maestri, historiador e ex-professor do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Passo Fundo (RS).

Casa dos guardas e torre de observação na última residência de Trotsky

Losurdo mente. Falseia a história. Embaralha as cronologias. Usa fontes desqualificadas. Tudo para justificar o Grande Terror stalinista [1934-38] como resposta a uma suposta “Terceira Guerra Civil”. A Primeira seria a de 1917; a Segunda, a vencida sob a direção de Trotsky [1918-21]; a Terceira, a de Losurdo, lutada por Stálin contra o ataque armado à URSS, desde dentro do Partido Bolchevique, pelos trotskistas, é claro. Esta, ninguém ouvira falar, até agora!

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

A engenharia da farsa e o jogo democrático

Artigo
Por Modesto Neto, historiador, cientista social, professor do Departamento de História da UERN, autor de “A democracia no Brasil” (Gramma Editora, 2018), dirigente do PSOL-RN e colunista do Contrapoder.

Bolsonaro e Bannon em Washington

As ferramentas na disputa das eleições e dos aparelhos ideológicos de poder nas décadas de 1980 e 1990 definitivamente não são as mesmas que norteiam as ações dos agentes políticos nesta primeira quadra do século XXI. Os tempos modernos, o avanço tecnológico, a intensificação da globalização da indiferença e a liquidificação de valores e consensos sociais de longa duração na modernidade liquida, como define o sociólogo Zygmunt Bauman, transformaram as sociedades e as disputas de hegemonia.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

Notas sobre Domenico Losurdo [4] – "Maestri, posso fazer uma pergunta pessoal?"

Ensaio
Por Mário Maestri, historiador e ex-professor do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Passo Fundo (RS).

O historiador, cientista social e militante baiano Jacob Gorender

Conheci Jacob Gorender, de corpo presente, de olho no olho, em inícios dos anos 1980. Quando concluía tese de doutoramento sobre a escravidão sulina, tropecei em O escravismo colonial. O livro foi dupla iluminação. Primeiro, ele detalhava tudo o que eu balbuciava em meu trabalho. Segundo, porque se tratava de uma “economia política” da escravidão colonial com o objetivo de alicerçar uma crítica sistemática da formação social brasileira. Ou seja, compreender o país para revolucioná-lo. Convidei-o, quando foi possível, para falar aos meu alunos da USU ou da URFJ.

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Notas sobre Domenico Losurdo [3] – Stalin: as fontes de Losurdo

Nota
Por Mário Maestri, historiador e ex-professor do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Passo Fundo (RS).

Edição em espanhol da biografia de Losurdo

Dê-se ao trabalho de abrir a parte das referências desta obra de Losurdo. São mais de 30 páginas [sic] de referências. Grande parte dos autores e autoras trabalhados por Losurdo são respeitáveis trotskistas incluindo o principal biógrafo de Trotsky”. Crítica à nota [2] anteriormente publicada.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Notas sobre Domenico Losurdo [2] – Losurdo, assassino de memórias

Nota
Por Mário Maestri, historiador e ex-professor do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Passo Fundo (RS).

Mikhail Tukhachevsky, marechal do Exército Vermelho

Em 12 de junho de 1937 era executado o marechal Mikhail Tukhachevsky, grande herói da Guerra Civil [Russa]. Era acusado de conspiração “fascista-trotskista-direitista”. Iniciavam-se fatos de consequências terríveis para a URSS. Sobre a execução de Tukhachevsky e de “numerosos outros” oficiais, Losurdo resolve a questão dramática em sete parágrafos. E bota “numerosos” nisso, Losurdo! Dois outros marechais, oito dos nove almirantes, uns setecentos generais, em geral, membros do Comitê Central. Mais de 15 mil oficiais assassinados e talvez 40 mil na prisão! Onda de suicídios varreu a oficialidade do Exército Vermelho quando dos sucessos. Losurdo banaliza a tragédia, dedica-se a inocentar Stalin e a sugerir responsabilidade política de Trotsky!

domingo, 29 de dezembro de 2019

Notas sobre Domenico Losurdo [1] – Domenico Losurdo, um farsante de sucesso na terra dos papagaios

Nota
Por Mário Maestri, historiador e ex-professor do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Passo Fundo (RS).

Edição brasileira da biografia de Losurdo

Domenico Losurdo e sua biografia Stalin – história crítica de uma lenda negra (2ª edição, Revan, 2011) foram consagrados no Brasil: o primeiro como intelectual marxista iconoclasta, e a segunda como sua brilhante obra revisionista de mitos históricos consolidados. Não era para menos. O homem propôs fatos totalmente desconhecidos, todos contribuindo para resgatar o papel gentil e progressista do “Pai dos Povos”.

sábado, 28 de dezembro de 2019

Paulo Câmara protege o lucro dos patrões do transporte

Nota
Por O Guará, gestão do Sindicato dos Rodoviários do Recife e RMR.



O governador Paulo Câmara (PSB) permitiu mais um aumento nas passagens, dessa vez relacionado ao processo de refrigeração da frota de ônibus do Grande Recife. A autorização para o aumento foi publicada na última sexta-feira (27), no Diário Oficial.

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Bacurau: um objeto não identificado

Crítica
Por Marcia Malcher, doutora em Sociologia pela USP.

[...] Alguém soluça e lamenta
Todo esse mundo tão mau.
Bichos da noite. Sérgio Ricardo.

Cena do filme de Mendonça e Dornelles

Bacurau” [1] é como chama o último ônibus da madrugada, o derradeiro, aquele que socorre os passageiros antes do amanhecer. Na verdade, é um pássaro sertanejo que tem hábito noturno e, por isso, carrega certo mistério, de agouro. Diz-que está extinto, menos na pequena comunidade de mesmo nome, que dá título ao filme de Kleber Mendonça e Juliano Dornelles. E quem nasce em Bacurau é o quê? – “É gente”, informa o menino no bar aos sulistas. Ora, então se pode dizer que Bacurau é todo lugar, universal. Como não lembrar do “sertão é o mundo”, de Grande sertão: veredas?

terça-feira, 1 de outubro de 2019

O golpe em crise capital

Ensaio
Por Armando Rodrigues Coelho Neto, jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-integrante da Interpol em São Paulo.

Título completo: “O golpe em crise capital: a herança maldita do MPF para o STF”.

Escancarada a crise do golpe e da cultura capital, a Corte Suprema tem também o desafio de se libertar da presunção de que a política é corrupta, algo tão real quanto a presunção de que o STF sempre foi um grande balcão de negócios.

STF: guardião das liberdades e do Estado democrático?