quarta-feira, 25 de março de 2020

Bolsonaro pode faturar na desgraça e na vitória

Ensaio
Por Armando Coelho Neto, jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-integrante da Interpol em São Paulo.



Enquanto as panelas batiam Brasil afora, Bolsonaro anunciava à Nação que o coronavírus é só uma gripezinha. Sua fala contraria as imagens mundo. Uma pista de patinação no gelo é usada na Espanha para conservar mortos. Na Itália, pessoas só recebem as cinzas de parentes. Sem velório, coroa de flores, despedidas. Só lágrimas ao longe, enquanto caixões seguem para outras cidades por falta de espaço. Profissionais da saúde contaminados, morrendo, enquanto a China – primeiro epicentro do novo coronavírus, vive sob ameaça de um segundo turno e tenta retomar a vida. Os Estados Unidos pode ser o novo epicentro da pandemia.

terça-feira, 24 de março de 2020

Proteger a vida e não o lucro do grande capital: Fora, Bolsonaro!

Nota
Por Nova Práxis – PSOL, GAS e Avança (*)

Imagem de Coronavírus

Com o avanço da pandemia da covid-19, o governo Bolsonaro faz de tudo para negar a gravidade da situação [chama a pandemia de “gripezinha”] e coloca os lucros e a salvação das grandes empresas à frente da preservação da vida da maioria da população, que sem uma rede de proteção efetiva tende a sofrer e morrer muito mais. Para preservar a vida dos trabalhadores, dos pobres, dos negros e das mulheres das periferias, enfim, dos que mais necessitam, é necessário taxar grandes fortunas e destinar parte importante do orçamento nacional canalizado aos bancos para as populações mais vulneráveis.

terça-feira, 10 de março de 2020

Extinção de Torcida Organizada não altera o placar

Ensaio
Por Marcio Soares, que é cientista social.

As 3 maiores Torcidas Organizadas de PE

O futebol de Pernambuco tem levado muita “bola nas costas”, ainda que os incidentes entre torcidas organizadas chamem mais a atenção: por aqui, o futebol enfrenta também a má administração da Federação de Futebol, a corrupção dos dirigentes dos clubes, o controle da TV sobre a agenda do futebol e o declínio na qualidade da crônica esportiva.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Regina diz sim. Vai interpretar ela mesma. Sugestão de discurso.

Ensaio
Por Armando Rodrigues Coelho Neto, jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-integrante da Interpol em São Paulo e Paulo Magon, que é o heterônimo 128 de Fernando Pessoa, avô de Laurinha e Pedro.

É reticente, diz, desdiz, publica e despublica no melhor estilo diversionista que inclui o clássico “falem mal, mas falem de mim”. Ela parece estar pronta para o jogo de sombras do fascismo emergente.



Fechei o texto da semana passada tentando falar de cultura, um tema sistematicamente atacado desde o golpe de 2016. Sob império do ódio, um dos primeiros parlamentares a ser recebido pela pasta da Cultura foi o ex-ator pornô Alexandre Frota, então fechado 100% com a calhorda golpista. Hoje, ele anda por volta dos 99%, trocando farpas com a mesma horda. O fim do ministério da Cultura foi nítido sinal de que todos os ataques promovidos contra a arte e os artistas eram mesmo pra valer. No lugar da Cultura entrou em cena o culto ao ódio, a mediocridade e a pieguice.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Notas sobre Domenico Losurdo [6] – O que realmente Losurdo propõe? [Final]

Nota
Por Mário Maestri, historiador e ex-professor do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Passo Fundo (RS).


Trabalhador precário chinês

O stalinismo foi exacerbação do assalto da burocracia ao poder político na URSS, após 1917, quando do refluxo da revolução europeia. Ele se corporificou em inícios de 1930, consolidando-se quando do “Grande Terror” [1934-38], dando lugar, em 1953, com a morte de Stalin, à ditadura burocrática soft da “Era Kruschev” [1953-64]. O stalinismo e o pós-stalinismo assentavam raízes no parasitismo burocrático da URSS e das nações de economia nacionalizada e planificada. Eles vicejaram nos Partidos Comunistas satélites àquelas nações. Com a restauração capitalista de inícios dos anos 1990, dissolveu-se a base social dos stalinismos hard e soft, reduzidos a excrescências ideológicas de saudosistas. Espécies de hienas de papel.

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Notas sobre Domenico Losurdo [5] – A "Terceira Guerra" que não houve

Nota
Por Mário Maestri, historiador e ex-professor do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Passo Fundo (RS).

Casa dos guardas e torre de observação na última residência de Trotsky

Losurdo mente. Falseia a história. Embaralha as cronologias. Usa fontes desqualificadas. Tudo para justificar o Grande Terror stalinista [1934-38] como resposta a uma suposta “Terceira Guerra Civil”. A Primeira seria a de 1917; a Segunda, a vencida sob a direção de Trotsky [1918-21]; a Terceira, a de Losurdo, lutada por Stálin contra o ataque armado à URSS, desde dentro do Partido Bolchevique, pelos trotskistas, é claro. Esta, ninguém ouvira falar, até agora!

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

A engenharia da farsa e o jogo democrático

Artigo
Por Modesto Neto, historiador, cientista social, professor do Departamento de História da UERN, autor de “A democracia no Brasil” (Gramma Editora, 2018), dirigente do PSOL-RN e colunista do Contrapoder.

Bolsonaro e Bannon em Washington

As ferramentas na disputa das eleições e dos aparelhos ideológicos de poder nas décadas de 1980 e 1990 definitivamente não são as mesmas que norteiam as ações dos agentes políticos nesta primeira quadra do século XXI. Os tempos modernos, o avanço tecnológico, a intensificação da globalização da indiferença e a liquidificação de valores e consensos sociais de longa duração na modernidade liquida, como define o sociólogo Zygmunt Bauman, transformaram as sociedades e as disputas de hegemonia.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

Notas sobre Domenico Losurdo [4] – "Maestri, posso fazer uma pergunta pessoal?"

Ensaio
Por Mário Maestri, historiador e ex-professor do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Passo Fundo (RS).

O historiador, cientista social e militante baiano Jacob Gorender

Conheci Jacob Gorender, de corpo presente, de olho no olho, em inícios dos anos 1980. Quando concluía tese de doutoramento sobre a escravidão sulina, tropecei em O escravismo colonial. O livro foi dupla iluminação. Primeiro, ele detalhava tudo o que eu balbuciava em meu trabalho. Segundo, porque se tratava de uma “economia política” da escravidão colonial com o objetivo de alicerçar uma crítica sistemática da formação social brasileira. Ou seja, compreender o país para revolucioná-lo. Convidei-o, quando foi possível, para falar aos meu alunos da USU ou da URFJ.

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Notas sobre Domenico Losurdo [3] – Stalin: as fontes de Losurdo

Nota
Por Mário Maestri, historiador e ex-professor do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Passo Fundo (RS).

Edição em espanhol da biografia de Losurdo

Dê-se ao trabalho de abrir a parte das referências desta obra de Losurdo. São mais de 30 páginas [sic] de referências. Grande parte dos autores e autoras trabalhados por Losurdo são respeitáveis trotskistas incluindo o principal biógrafo de Trotsky”. Crítica à nota [2] anteriormente publicada.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Notas sobre Domenico Losurdo [2] – Losurdo, assassino de memórias

Nota
Por Mário Maestri, historiador e ex-professor do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Passo Fundo (RS).

Mikhail Tukhachevsky, marechal do Exército Vermelho

Em 12 de junho de 1937 era executado o marechal Mikhail Tukhachevsky, grande herói da Guerra Civil [Russa]. Era acusado de conspiração “fascista-trotskista-direitista”. Iniciavam-se fatos de consequências terríveis para a URSS. Sobre a execução de Tukhachevsky e de “numerosos outros” oficiais, Losurdo resolve a questão dramática em sete parágrafos. E bota “numerosos” nisso, Losurdo! Dois outros marechais, oito dos nove almirantes, uns setecentos generais, em geral, membros do Comitê Central. Mais de 15 mil oficiais assassinados e talvez 40 mil na prisão! Onda de suicídios varreu a oficialidade do Exército Vermelho quando dos sucessos. Losurdo banaliza a tragédia, dedica-se a inocentar Stalin e a sugerir responsabilidade política de Trotsky!