sábado, 26 de setembro de 2020

Arroz

Por Flávio Barbosa, cronista da cesta básica e psicanalista. 

O arroz improvável

Vocês se lembram daquela anedota que dizia: “Vá pra China comer arroz”? Pois bem, não tomem isso mais como uma anedota, já que agora é tudo verdade. Os caras conseguiram, e o arroz tornou-se artigo de luxo. Afinal, é a lógica do Mercado, a da oferta e a da procura. Portanto, se a demanda lá é maior do que a segurança alimentar dos brasileiros, mesmo sendo o Brasil um grande produtor de arroz, entre outros grãos, então é assim que será. Mas, como perguntar não ofende, o que vocês acham que o Mercado optará na hora do vamos ver?

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Censura: com Supremo, MPF, Transparência Internacional e tudo

Por Armando Coelho Netojornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-integrante da Interpol em São Paulo. 

A suntuosa fachada do MPF

Ministério Público Federal (MPF), vergonha nacional. Este seria o título de nossa fala de hoje sobre o monstro criado pela Constituição Federal de 1988. O espírito do tempo de então exigia do Brasil pós-ditadura de 1964 proteger os cidadãos contra a tirania do Estado. Vide capítulo “Das funções essenciais à Justiça”. 

O Ministério Público é autônomo, não pertence aos três Poderes, não pode ser extinto. Seus membros são vitalícios, têm independência funcional com liberdade para atuar dentro da lei. Podem defender os cidadãos contra o Estado e defender o Estado contra as ameaças por parte de indivíduos ou figuras públicas.

terça-feira, 22 de setembro de 2020

Paulo Câmara desvaloriza professores e desrespeita educação

Por Ygor Barros, professor da rede estadual da Paraíba, historiador e estudante de Direito.

Professores lutam pelo cumprimento da Lei

A lei número 11.738 garante o piso nacional dos professores, que deve ser reajustado em janeiro, todos os anos. Tal lei é um marco para a valorização de uma categoria tão precarizada. Vale salientar que embora essa lei garanta avanços, os profissionais da educação ainda estão longe de ser valorizados na sua essência de educadores, visto que o piso salarial hoje não ultrapassa 3 mil reais, além das condições insalubres de trabalho, conhecida por toda à sociedade.

domingo, 20 de setembro de 2020

PSOL Recife – democracia restrita e frente com partidos fisiológicos?

Por Alternativa Socialista, Comuna, Liberdade, Socialismo e Revolução (LSR), Movimento Esquerda Socialista (MES), Nova Práxis, Trabalhadores na Luta Socialista (TLS) e pelas militantes independentes Luciana Araújo Cavalcanti e Milena Barros Gomes.

Em Recife, filiados não puderam decidir sobre
programa ou tática eleitoral para as eleições 2020


A conjuntura e os desafios do PSOL

Pela quarta vez em sua história, o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) participará das eleições municipais no Recife. Fundado em 2004 como um projeto alternativo da esquerda socialista para contrapor-se ao caminho adotado por outras legendas de esquerda, de governar em aliança com as burguesias e seus representantes, nosso partido tem nas eleições um momento importante para, dentre outras coisas, apresentar o seu programa para as cidades e para o país.

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Autocrítica do PT?

Por Armando Rodrigues Coelho Neto, jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-integrante da Interpol em São Paulo. 

Presidência, STF e PGR


Autocrítica da grande mídia? Nem pensar. Ela esconde a fome e expõe o falso moralismo. Das Forças Armadas? Não, elas protegem a elite. O STF tem novo lobo de plantão. 

Título completo: “Autocrítica do PT? O Brasil suporta um novo Moro, patriotas?”. 


O conluio EUA, Justiça Federal de Curitiba com a mídia corporativa promoveu a destruição da democracia. Essa é uma afirmação mais do mesmo, mas serve para lembrar o círculo vicioso da Farsa Jato: a Justiça por meio da mídia forma a opinião pública, e depois finge ser obrigada a decidir “conforme a opinião pública”. 
A elite que encarnou o conluio abriu caminho para o fascismo. Rompeu a ordem democrática derrubando Dilma e passou a pedir autocrítica do Partido dos Trabalhadores. Mas, elite, mídia, nem Justiça, como diz Lula, nunca pediram a FHC para fazer autocrítica, nem à direita como um todo que governou o país por 500 anos.

terça-feira, 15 de setembro de 2020

Sobre o chamado “identitarismo”

Por Henrique Carneiro, professor de História da USP. 

Negras pela liberação das mulheres

O termo “identitarismo” ou “movimento identitário” nasceu na Europa na extrema-direita como um projeto de defesa da suposta “identidade européia”, que estaria, segundo eles, ameaçada por imigrantes, islamismo e multiculturalismo. 

A tradição humanista marxista anterior sempre foi universalista, no sentido de buscar um interesse comum aos povos do mundo no âmbito de sua identidade social enquanto classe trabalhadora. Os elementos religiosos, étnicos, culturais ou de hábitos sempre foram considerados nessa tradição como aspectos condicionados, antes de tudo, ao papel social das classes na produção e distribuição da riqueza.

terça-feira, 1 de setembro de 2020

A Terra é plana

Ensaio
Por Flávio Barbosa, psicanalista e cronista gravitacional.

Imagem para terraplanismo

No dia 25 de agosto de 2020 ocorreu mais uma dessas coisas previsíveis no Brasil: a queixa do ex-presidente Lula no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) contra o procurador do Ministério Público Federal/Operação Lava Jato Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa da citada operação, foi arquivada.

terça-feira, 25 de agosto de 2020

E a direita roubou o discurso da esquerda

Ensaio
Por Armando Rodrigues Coelho Neto, jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-integrante da Interpol em São Paulo.

Título integral: ““Deus se come-se”. E a direita roubou o discurso da esquerda”.

Bolsonaro visa o Nordeste e já está em campanha pela reeleição 

O mar não é salgado por que Lula tomou banho nele. Mas, pela narrativa oficial, Lula e o Partido dos Trabalhadores salgaram o mar, e se hipocrisia nacional não tiver fim, vai ser difícil se desvencilhar dessa pecha. Talvez Moisés precise reabrir o Mar Vermelho, e possa libertar seu povo escravo para chegar à prometida Canaã.

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Por um partido socialista revolucionário

Ensaio
Por Osvaldo Coggiola, professor titular do Departamento de História da USP e autor de, entre vários outros, “Uma história do capitalismo – das origens até a Primeira Guerra Mundial” (Brazil Publishing, 2019).

Florestan em Assembleia de Estudantes da FFLCH-USP em 1986

Na sua primeira juventude, Florestan Fernandes, que faria 100 anos por estes dias, militou no Partido Socialista Revolucionário (PSR), primeira seção brasileira da IV Internacional. Seu vínculo com essa organização se manteve ao longo de uma década. O PSR nunca teve grande envergadura, não ultrapassou as dimensões de um grupo, mas militou no movimento sindical, marcou polêmicas importantes dentro da esquerda brasileira, e publicou bastante sistematicamente um jornal. Nas numerosas homenagens e evocações biográficas que o notável sociólogo mereceu por ocasião de seu centenário, esse “detalhe juvenil” foi quase sistematicamente esquecido. Florestan foi apresentado como um brilhante acadêmico e intelectual, dotado de profunda consciência social e política, oriunda de sua humilde origem, que o levou até a trabalhar de engraxate na sua infância, como um marxista capaz de dialogar crítica e criativamente, dialeticamente, com todas as correntes do pensamento sociológico ou filosófico que, na fase final de sua vida, concretizou seu compromisso intelectual no engajamento político no Partido dos Trabalhadores, do qual foi deputado constituinte depois de eleito deputado federal por São Paulo com votação esmagadora. Pensar que esse jovem e notável intelectual, nascido em 1920, poderia ter atravessado as peripécias de seus anos de formação, na década de 1940 (guerra mundial, queda de Vargas, eleições de 1946, cassação do PCB, início da Guerra Fria, etc.), sem qualquer “parti pris” ideológico e político, seria, na melhor das hipóteses, pura ingenuidade. E afirmar, por omissão, que sua trajetória ulterior nada teve a ver com suas primeiras opções políticas, como militante trotskista, ou considerá-las apenas como devaneios juvenis, é ignorância deliberada.

terça-feira, 18 de agosto de 2020

A tutela multinível dos Direitos Humanos e o Brasil

Ensaio
Por Michel Zaidan Filho, professor titular aposentado da UFPE.

Sede do Tribunal Penal Internacional

O sistema internacional de proteção aos Direitos Humanos, a jurisdição internacional e as cortes se constituem no fim da Segunda Guerra Mundial com a criação da ONU e a carta sobre os Direitos Humanos assinada por todos os países-membros originários do ato de fundação da Organização  das Nações Unidas, entre os quais, o Brasil (representado por  Oswaldo Aranha).