sábado, 1 de dezembro de 2018

O esforço pioneiro de Octavio Brandão

Ensaio
Por Jefferson Lopes, mestre em História pela UFCG.

O jovem Octavio Brandão

Octavio Brandão nasceu no dia 12 de setembro de 1896 na cidade de Viçosa, sertão de Alagoas. Oriundo de família humilde, o alagoano tem a vida marcada pela perda da mãe quando ainda criança, aos 4 anos de idade. Criado pelo pai, vive em condições muito adversas, tendo que trabalhar muito cedo numa pequena farmácia. O senhor Neco Felix, pai de Octavio Brandão, endividado e doente, envia o jovem para a casa do tio na capital, Maceió, onde ele terá uma instrução e melhor condições de vida. Em 1911, matricula-se no curso de Farmácia, em Recife, que o fez despertar para as ciências da natureza.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Marx: 200 anos de seu nascimento. Aproximações das revoluções.

Ensaio
Por Michel Zaidan Filho, professor titular aposentado de História da UFPE.



Coube-me, neste seminário sobre os duzentos anos de Marx, tratar do tema das revoluções, na perspectiva marxiana. Diga-se inicialmente que não há um, mas várias visões da revolução na obra de Marx. Num lapso histórico que varia desde as revoluções de 1848 até a Comuna de Paris, houve várias formulações – de acordo com cada conjuntura histórica específica – do que seria a revolução. Vamos tentar abordar a ressemantização do conceito durante esse período.

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Lava Jato: combate à corrupção e uso político

Ensaio
Por Henrique Carneiro, professor de História da USP.

Moro vira ministro

As prisões de deputados estaduais do RJ hoje (8), muitos da base bolsonarista e que, antes, eram da base dos governos do MDB/PT, mostram que a operação Lava Jato, além de todas as utilizações políticas que teve, servindo para ajudar o impeachment, a prisão de Lula e a vitória de Bolsonaro, tem desvendado uma corrupção real e efetiva.

terça-feira, 6 de novembro de 2018

20 de maio: Venezuela vota pela humanidade

Ensaio
Por Anisio Pires, venezuelano e cientista social pela UFRGS.

Bandeira da Venezuela

A Venezuela realizará neste dia 20 de maio sua eleição de número 24 em seus 19 anos de Revolução Bolivariana. Isso significa o quê? Que temos nos somado às conquistas democráticas feitas por outras revoluções ao longo da história, mas que coube a nós ir além. Acabamos nos tornando a revolução mais democrática que já tenha existido. Não há no mundo um processo revolucionário que tenha conseguido reunir esta combinação virtuosa de conquistas políticas e sociais. À participação protagônica de nosso povo temos acrescido um conjunto de soluções democráticas reais que os capitalistas jamais foram capazes de atender, enquanto se dedicam a chamar de “ditaduras” aos governos que põem em xeque toda sua hipocrisia de violência, exploração e exclusão.

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

O empresário desalmado, o policial violento e o pastor do ódio

Ensaio
Por Mauricio Gonçalves, professor de Sociologia do IFRN.

Dono da Havan foi processado por coagir politicamente funcionários

Fomos derrotados eleitoralmente porque de certa forma já tínhamos sido derrotados politicamente. A extrema-direita venceu. Temos responsabilidade nessa derrota. Alguns mais do que outros. Temos que refletir sobre como pudemos chegar até aqui. Teremos que abandonar certas práticas, certas ideias, certas pessoas. Grande parte do povo teve sua decisão influenciada por manipulações e notícias falsas. Mas um dado sentimento popular ou um continente subterrâneo estava fértil para essa solução.

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

O fascismo é fascinante?

Ensaio
Por Michel Zaidan Filho, professor titular aposentado de História da UFPE.



Esta seleta audiência me faz essa pergunta: “O fascismo é fascinante?” Imediatamente sou conduzido a um estimulante ensaio do filósofo alemão Walter Benjamin, assassinado pelo nazismo, A obra de arte na era da sua reprodutibilidade técnica, onde opõe a politização da arte à estetização da política, num momento em que as tecnologias da informação estavam sendo postas a serviço da destruição.

domingo, 14 de outubro de 2018

Supervalorização das pautas identitárias

Ensaio
Por Renato Correia, militante social.

Operários, de Tarsila do Amaral

Existe uma versão da música “A vida é desafio”, do grupo Racionais Mc's, em que Rap Afro-X tece alguns comentários: “Sempre fui sonhador, é isso que me mantém vivo. Quando pivete, meu sonho era ser jogador de futebol, vai vendo. Mas o sistema limita nossa vida de tal forma que tive que fazer minha escolha, sonhar ou sobreviver. Os anos se passaram e eu fui me esquivando do ciclo vicioso. Porém, o capitalismo me obrigou a ser bem-sucedido. Acredito que o sonho de todo pobre é ser rico”.

domingo, 30 de setembro de 2018

Vida longa à primavera das mulheres!

Ensaio
Por Coletivo Nova Práxis/Transição, de Recife.

ele é o olho roxo de quem não caiu da escada
ele é a violência escondida na piada
ele é aquele aperto nojento na condução
ele é a casa-grande rindo da escravidão

ele é o país na contramão da caminhada
ele é o patrão violando a empregada
ele é o nosso salário 1/3 mais baixo
a política do ódio, covardia, esculacho (2x)

a barbárie de farda berrando no palanque
a hipocrisia mais truculenta
ele é a mão suja de sangue
e se diz ungida de água benta

ele é o atraso que país nenhum merece ter
e nós somos as mulheres que não vão deixar ele vencer
ele é o atraso que país nenhum merece ter
e nós somos as mulheres que não vão deixar ele vencer”
(Ele não, de Marina Iris).

#elenão em Recife

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Retórica, jogos de linguagem e sofística

Ensaio
Por Michel Zaidan Filho, professor titular de História da UFPE.

Representação pictórica dos sofistas

A ciência moderna da Retórica foi profundamente influenciada pela suspeita metódica do filósofo Friedrich Nietzsche em relação ao conhecimento humano. Num curto ensaio intitulado A verdade e a mentira no sentido extramoral, Nietzsche lança as bases do neonominalismo na ciência, na filosofia e na religião. Segundo ele, o pensamento é uma patologia humana, uma espécie de racionalização do complexo dos homens em relação às demais criaturas do universo. Pensa-se para justificar a pobreza cósmica e filosófica da humanidade. Sobretudo, a sua solidão metafísica. O pensamento seria uma espécie de doença responsável pelo sentimento de angústia e desamparo humanos diante da grandeza do mundo.

domingo, 16 de setembro de 2018

O golpe de Pinochet contra Allende*

Ensaio
Por Osvaldo Coggiola, professor titular de História da USP.

*Título completo: O golpe de Pinochet contra Allende: uma virada política internacional.

Salvador Allende

A 11 de setembro de 1973, um acontecimento político sacudiu América Latina e o mundo todo: as Forças Armadas chilenas, encabeçadas pelo general Augusto Pinochet, derrubaram mediante a força o governo socialista de Salvador Allende no Chile, provocando a morte de seu presidente. O golpe se inscreveu dentro de uma série que abalou América do Sul na década de 1970: 1971, Bolívia; 1973, Uruguai e Chile; 1975, Peru; 1976, Argentina (no Paraguai e no Brasil já existiam regimes militares). O golpe chileno deflagrou uma violenta repressão e inaugurou uma longa era marcada pelas prisões arbitrárias, desaparecimento forçado de pessoas e torturas. Em matéria econômica, o governo de Pinochet foi diretamente assessorado pelos “Chicago Boys”, grupo universitário inspirado pelo economista liberal Milton Friedman. O governo militar procedeu à privatização de quase todas as empresas estatais, em especial aquelas nacionalizadas no período de Allende (1970-1973), no que foi considerado um “laboratório” das políticas neoliberais postas em prática internacionalmente a partir do final da década. Chile, economia de livre repressão foi o significativo título de um livro do economista holandês André Gunder Frank.